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Bruno Formigoni: "Profissionais é o próximo passo"

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Dassler Marques* - 04/04/2009

Chegar à categoria de juniores significa que o futebol profissional é o próximo passo. O que poderia ser a glória, é drama para muitos jovens, que convivem cotidianamente com essa pressão e com as perspectivas indecisas para o futuro. Poucos clubes têm uma transição planejada e ser promovido depende de uma conjunção de fatores. Bruno Formigoni, candidato a revelação do São Paulo desde a categoria sub-15, vem sentindo isso na pele.

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Wellington e Oscar já estão nos profissionais, mas ainda esperam pelas oportunidades que a geração de Sérgio Mota e Aislan também não teve com Muricy Ramalho. Ele, Bruno, ainda está com os juniores e, quer tanto chegar ao time de cima, que se dá ao luxo de deixar a seleção brasileira sub-20 em segundo plano. 

Nesta entrevista ao Olheiros, Bruno Formigoni explica o que passa pela cabeça nesse momento da carreira ainda incipiente. Capitão das categorias de base do São Paulo desde sempre, ele sabe que está sendo observado de perto. E lista os objetivos para 2009.

Olheiros: Depois da Copa São Paulo e as férias, quais seus projetos para a temporada?

Bruno Formigoni: Estou treinando forte aqui na base. Temos a Dallas Cup, nos Estados Unidos, que é uma competição muito importante e onde espero fazer um bom torneio. Esse é por enquanto meu principal objetivo. Após o torneio, vamos esperar e treinar forte para que, se os profissionais precisarem, eu esteja bem e pronto. Esse é o próximo passo. 

Olheiros: Wellington e Oscar já treinam entre os profissionais. Por que você acha que ainda não foi acionado também?

BF: No ano passado, fui convocado para a seleção sub-20 e nesse tempo em que estive por lá, precisaram de um volante nos profissionais e chamaram o Wellington. E ele agarrou com unhas e dentes, pois é muito bom e o elenco do São Paulo tem muitos bons jogadores. Principalmente volantes, que é a minha posição. Após a Copinha, ele retornou para lá, mas é só ter calma e fazer o meu aqui. Trabalhando forte, será inevitável. Tudo tem sua hora.

Olheiros: A tua personalidade e o fato de ser capitão nos juniores pode te ajudar a chegar aos profissionais?

BF: Acho que sim. Sempre acompanho alguns jogadores e principalmente alguns que são capitães de suas equipes. Vejo tudo o que fazem num jogo e tento passar, dependendo dos jogos, o que tenho de melhor pros meus companheiros. Então fui criando essa personalidade, que é muito importante para mim.

Olheiros: Hernanes e Jean, que vieram da base como volantes, são inspirações para você?

BF: Eles saíram daqui da base também e gosto muito do Hernanes, do estilo de jogo, de marcar bem e ter boa visão. O Jean também não é aquele volante que só marca e agora está saindo bem ao ataque, fazendo jogadas e até gols. Ambos são excepcionais dentro e fora de campo, dois grandes amigos. 

Olheiros: Mas você é de sair menos para o ataque que eles, não é?

BF: Realmente eu fico mais, mas sei sair para o jogo e chego bem. Hoje o jogador tem que se aprimorar em outras posições.

Olheiros: Você ficou chateado por não jogar o Sulamericano Sub-20?

BF: Não, porque eu queria jogar a Copa São Paulo. A seleção é muito importante, mas queria disputar a Copinha com o São Paulo. Mas fiquei feliz por terem sido campeões e tenho muitos amigos lá, como o Diogo.

Olheiros: O Sulamericano não seria mais importante para sua carreira?

BF: Não, porque quero subir para os profissionais e tenho que mostrar isso para o São Paulo. A Copinha é a maior vitrine.

Olheiros: E você acha que ainda tem chances de jogar o Mundial?

BF: Para mim, o mais importante é chegar aos profissionais. A seleção vem com o trabalho, se você estiver bem será inevitável. Mas tenho muita vontade, sim.

Olheiros: O Juvenal Juvêncio diz que há um plano para ter um time só de garotos da base em 2010. Como você acha que seria isso?

BF: Muito bom, pois seria a grande chance de a base mostrar o seu melhor, que tem condições de jogar no São Paulo.

Olheiros: Quais as diferenças entre o Zé Sérgio e o Vizolli?

BF: Gosto muito dos dois, são excelentes técnicos e nunca tive problemas com eles. Fui capitão no juvenil e agora nos juniores, mas o modo de trabalho é diferente, o que é normal. Mas são grandes amigos, principalmente o Vizolli, em quem tenho muita confiança.

Olheiros: Com os investimentos altos em Cotia, aumenta a pressão pelo aproveitamento dos jogadores?

BF: Claro, temos que provar porque fazem esse alto investimento na gente. Temos mais obrigações, o que é normal.

Olheiros: O que você achou de o São Paulo enviar tantos jogadores para o Toledo? Como reagiria se fosse emprestado dessa forma?

BF: Isso é para ganhar experiência. Seria normal, disputar um Campeonato Paranaense é muito bom. Alguns jogadores ficam parados e isso é uma chance de mostrar futebol.

Olheiros: Mas é desmotivante?

BF: Acho que não, mas é que nunca estive desse lado. Estou desde os 11 anos no São Paulo, não sei responder bem (risos).

Olheiros: O que passa pela cabeça do jogador nesse momento em que é decisivo para chegar aos profissionais?

BF: Vai afunilando cada vez mais, mas o que tiver que ser, vai ser. É trabalhar forte para estar bem quando precisarem. Só depende de nós.


* Agradecimento: Jonatan Androwiki



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