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Renovação com data marcada

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Gabriel Dudziak - 03/06/2009

Além de todo o significado futebolístico da conquista do maior torneio de clubes do mundo e a coroação de uma campanha fantástica, o título da Liga dos Campeões também significou para o Barcelona a consagração de uma geração de talentos formados nas categorias de base do clube. Contudo, a conquista pode não ter sido um marco apenas para o Barça, mas também para o derrotado Manchester United. No dia em que Matt Busby, treinador que tem mais jogos no comando do clube mancuniano e que é um dos símbolos da aposta em jovens talentos, completaria cem anos de nascimento, os Red Devils podem ter visto o fim de um ciclo e o início de uma renovação.

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A própria temporada 2008/09 já sinalizava nesse sentido, com o Manchester em diversas oportunidades preterindo  os consagrados Ryan Giggs, Paul Scholes e Gary Neville para dar espaço aos atletas mais jovens, mas também formados no clube, casos de John O’Shea e Darren Fletcher. Ainda assim, a partida contra o Barcelona foi uma ocasião bastante representativa deste fenômeno, com o treinador Sir Alex Ferguson optando pelo jovem Anderson, e não pelo experiente Scholes, para substituir Fletcher, suspenso da partida final.

Difícil dizer se Ferguson acertou a mão nessa jogada, mas a conclusão mais evidente é de que essa não foi uma mudança ocasionada por convicções táticas, mas sim pela queda de rendimento físico do meia central inglês, algo normal para atletas que já passaram dos 33 anos de idade e que se estende a outros companheiros. A “sorte” do Manchester foi que a autonomia e o prestígio de Alex Ferguson no clube possibilitaram que os Red Devils chegassem a esse momento de decaída de seus grandes jogadores com um elenco até certo ponto preparado para a missão. Isso era algo que o técnico escocês já tinha em mente há bastante tempo.

Em 2007, Ferguson pediu a contratação de Anderson e Nani justamente para substituir Scholes e Giggs. Ao mesmo tempo, decidiu firmar John O’Shea na lateral-direita e trouxe no ano passado o brasileiro Rafael para substituir Gary Neville, algo que ocorreu em uma boa quantidade de jogos nesta temporada. O planejamento também incluiu a contratação, ainda em 2005, do goleiro Ben Foster, trazido com 22 anos para o clube e hoje considerado pronto para substituir Van der Sar. Destes, apenas Nani parece ainda não estar pronto para chegar aos 11 titulares, motivo pelo qual Ferguson contratou em 2009 o sérvio Zoran Tošic, 22 anos, que também atua como meia aberto pela esquerda.

Esta coluna obviamente não será categórica para dizer que Giggs, Scholes, Neville e Van der Sar serão definitivamente relegados ao banco de reservas a partir de agosto, mas parece claro que Fletcher, Anderson, O’Shea, Foster e Rafael irão ganhar ainda mais espaço entre os titulares. Da mesma forma, se mostra cada vez mais provável que jogadores mais jovens terão mais chances na temporada que vem. Além de Jonny Evans, que espantou as desconfianças e se firmou como reserva imediato de Vidic e Ferdinand, o lateral-esquerdo Fábio, o próprio Tošic, o meia-central Darron Gibbs, e a dupla de atacantes Federico Macheda e Danny Wellbeck deverão aparecer mais ao longo da temporada, a princípio como opções para o banco de reserva.
 
Com atletas experientes que ainda podem render frutos, jogadores no auge de sua forma, como Cristiano Ronaldo e Wayne Rooney, e a qualidade e garra dos mais jovens, Alex Ferguson mostra, mais uma vez, que se preparou bem para outra reformulação do elenco mancuniano. Ainda é cedo para fazer qualquer projeção a longo prazo, mas, se depender dos prognósticos, o Manchester já tem elenco para disputar títulos importantes pelo menos por mais uma década.



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