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Cara ou coroa

A base pode salvar o Vasco?

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Equipe Olheiros.net - 21/12/2009

Já virou rotina dos clubes grandes que caem à Série B e se repetiu com o Vasco. Jovens de primeira ajudaram e muito a vida de Dorival Júnior, agora comandante da caravela santista. O momento já é outro: Vagner Mancini chegou em São Januário, ganhou reforços modestos e precisará se virar com o que der.

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A valorização da base, em contrapartida, está clara. Alex Teixeira jogará no Shakhtar Donetsk por uma grana alta. Mas até que ponto os outros jovens poderão ajudar? Quem conhece as equipes menores vascaínas avalia que há pouca gente boa para subir em 2010, a despeito do título na Taça OPG. Willen, uma das poucas esperanças, vem em má fase.

Nas linhas abaixo, os amigos Raphael Zarko e Flávio Dilascio, dois grandes jornalistas do Jornal do Brasil, debatem acerca do tema: a base pode salvar o Vasco em 2010? Confira e tire suas conclusões. (Dassler Marques)

Sim, a base pode salvar o 2010 do Vasco, por Raphael Zarko, do Jornal do Brasil e do Yougol.com.br

Em 1974, Alcir (Portela), Roberto Dinamite e Jorginho Carvoeiro, autor do gol do título. Isso sem falar em Miguel e Alfinete, que chegaram da base do Olaria direto para a zaga do Vasco. Todos com raízes em São Januário, a preço baixo e retorno altíssimo. Em 1989, Acácio, o sensacional Mazinho, Bismarck, o baixinho Willian e o herói Sorato. Carlos Germano, Edmundo, Felipe e Pedrinho, em 1997. Esses dois últimos também fizeram parte do título de 2000 (decidido somente em janeiro de 2001), com a companhia do jovem goleiro Hélton e do experientíssimo gênio chamado Romário. Citei somente autênticos pratas da casa, responsáveis por quatro títulos inesquecíveis vascaínos.

Agora, a realidade é outra. Atualizando nossos conceitos sobre pratas da casa, hoje basta que eles cheguem até mesmo nos juniores, porque a garotada se transfere cada vez mais cedo. É mais fácil chamá-los hoje de "ouro de tolos". Ou seja, boa parte deles pertence a empresários gananciosos, como foi o caso de Pablo, o polivalente garoto que jogou de tudo que é jeito no Vasco, no primeiro semestre de 2008, e foi embora logo, depois de pouquíssimos e belos jogos pelo Gigante da Colina.

Em outras proporções, mas seguindo o mesmo caminho, vai a estrela da nova companhia de boas revelações de São Januário. Refiro-me a Philippe Coutinho, que até 12 de junho de 2010 pertence ao Vasco. Isso porque vai completar 18 anos e, por contrato, terá que deixar o Colégio Vasco da Gama, o lugar onde "nasceu", cresceu, treinou...tudo isso sem ter completado pouco mais de 20 jogos com a camisa profissional do clube.

Aos vascaínos, resta neste momento outras esperanças para o futuro do clube que tem novo patrocinador, tem dezenas de milhares de novos sócios e, mesmo assim, parece sem força para investir pesado, como a torcida espera. No time que foi campeão brasileiro da Segunda Divisão em 2009, destacaram-se, principalmente, Souza, Alex Teixeira, e Allan (ex-base do Olaria). Ouso dizer que esses três podem vir a formar um grande meio campo no Vasco. Mas Alex não é atacante? Pode até ser, mas o passe perfeito dele é característica de meia, e assim teria que ser aproveitado. Os outros dois são bons com a bola no pé e na marcação.

Mas falta mesmo ao Vasco voltar a apresentar um grande goleador para o time principal. Os últimos nomes não agradaram muito (embora Alan Kardec seja bem quisto em Porto Alegre...). Ninguém está pedindo um novo Romário ou Edmundo, mas também não precisa abrir os cofres, já tão combalidos, para trazer Kleber Pereira e Dodô, embora o último sempre tenha me encantado. Rodrigo Caetano, o coordenador de futebol do clube, segue no belo trabalho de garimpagem. Trouxe recentemente alguns garotos direto para a base.

O resultado bem ou mal já aparece: os juniores acabaram de vencer o Otávio Pinto Guimarães, um torneio entre os clubes cariocas da categoria. Vamos ver como se sai o Expressinho na Copa São Paulo de Futebol Júnior.

Não, a base não pode salvar o 2010 do Vasco, por Flávio Dilascio, do Jornal do Brasil

O Vasco colheu, este ano, bons frutos vindos de sua categoria de base, mas ainda pode ir muito além.  Souza e Allan despontaram no time principal, enquanto Alex Teixeira e Vilson aproveitaram o ano de 2009 para consolidarem seus nomes junto à torcida. Sem contar no menino prodígio Phillipe Coutinho, que entrou bem alguns jogos, mas que, infelizmente deixará o clube em breve. Os cinco jovens valores, porém, são muito pouco diante do que o Vasco pode produzir. E pouco também para o que a equipe precisa para ter um ano de 2010 conforme os planos da diretoria – títulos de expressão e, no mínimo, uma vaga para a Libertadores.

O Vasco historicamente é um dos maiores produtores de grandes jogadores do futebol brasileiro. Vale lembrar que em São Januário “nasceram” nomes como Romário, Edmundo, Roberto Dinamite, Carlos Germano, Hélton, Felipe, Pedrinho, Jardel, Valdir Bigode, Geovane, Barbosa e Ipojucan. O elenco deste ano cumpriu bem suas metas, mas ainda está em um nível um pouco abaixo das equipes que disputam o título brasileiro deste ano.  Precisamos de uns cinco ou seis jogadores de qualidade para ter um elenco capaz de brigar pelo título do Carioca, da Copa do Brasil e do Brasileiro. Vale lembrar que, em nossa última fase de grandes conquistas – de 1997 a 2000 –, contávamos com grande aporte de jogadores vindos da base.

No time base que conquistou o Brasileiro de 1997, quatro jogadores considerados titulares foram formados na Colina (Carlos Germano, Felipe, Pedrinho e Edmundo), sendo que diversos outros integravam o elenco, tendo participações muitas das vezes decisivas, casos de Maricá, Filipe Alvim, Alex Pinho, Luiz Cláudio, Brener, Fabrício, Fabrício Carvalho, Mauricinho e Sorato. Em 1998, a base foi mantida e vieram os títulos da Libertadores, Carioca e o terceiro lugar na Copa do Brasil.

Nesta época, surgiram novos nomes vindos da base, como Fabiano Eller, Géder e Richardson. Em 1999, título do Rio-São Paulo, boas campanhas no Carioca e Brasileiro e a esperança de um 2000 melhor ainda. Base mantida e novos reforços chegando foram suficientes para tornar o time campeão brasileiro e da Copa Mercosul, com uma marca de cinco finais na temporada.

Para 2010, infelizmente, o Gigante da Colina não terá muitas opções de grandes jogadores vindos da base.  Resta à diretoria atual – que assumiu o clube no meio do ano passado – voltar a investir na base, através de um novo centro de treinamento, fazendo assim um trabalho a longo prazo.



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