Lincoln Chaves - 25/12/2009
Uma das características mais marcantes da Copa São Paulo, além da quantidade de participantes, é a variedade dos locais de onde procedem os clubes. E para 2010, dentre equipes de todo o País, há um “forasteiro”: o Al-Hilal, da Arábia Saudita, que estará ao lado de Paulínia (vice-campeão paulista sub-17), Remo e Atlético-PR (atual vice-campeão da Copinha). Participação inusitada, mas que marca o retorno dos clubes estrangeiros à competição, após 13 anos.
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A volta dos “forasteiros” já havia sido parcialmente anunciada pelo presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF), Marco Polo Del Nero, no ano passado. A lista, em tese, prometia ser maior. Além do Al-Hilal, estavam com vagas marcadas um representante da África do Sul, sede da próxima Copa do Mundo; e o inglês Portsmouth. O Pompey, aliás, foi o primeiro estrangeiro a ser anunciado para a edição 2010 da Copinha, mas também foi o primeiro a desistir da competição. Recentemente, a federação sul-africana foi outra a abrir mão da vaga na Copa São Paulo.
A vinda de times estrangeiros não é novidade na Copinha. Ao todo, 11 equipes de fora já disputaram o torneio, e até mesmo nomes badalados, como Bayern de Munique e Boca Juniors, já deram as caras na competição paulista. Sem esquecer, claro, das seleções sub-20 de Japão e China. Em comum, no entanto, está o fracasso. Nenhum dos gringos conseguiu avançar à segunda fase da Copinha até hoje.
O Olheiros entrou em contato com a FPF para ouvir o presidente Del Nero sobre o retorno dos estrangeiros ao torneio, mas, até o fechamento da reportagem, não obteve resposta. Confira abaixo um resumo sobre a passagem dos 11 times estrangeiros na Copa São Paulo.
1980 – Providência (México)
“Ué, mas não diziam que o primeiro clube estrangeiro a jogar a Copa São Paulo foi o Bayern?” Não é o que mostra o histórico da competição. Em 1980, o Providência, de Guadalajara, foi convidado para a 12ª edição do torneio. Logo de cara, duas pedreiras: o Santos, sempre forte e que, naquele ano, revelaria o ex-comandante do sub-20 santista, Márcio Fernandes; o Internacional, que seria campeão pela primeira vez da Copinha alguns jogos depois; e o Marília, que, anos antes, levantara o caneco da competição.
A estreia foi complicada, com uma goleada por 5 a 1 sofrida para o MAC. Nas partidas seguintes, o Providência melhorou, engrossando o jogo contra o Colorado e vendendo muito caro a derrota por 1 a 0, e dificultando o trabalho dos santistas, que ganharam dos gringos por um apertado 2 a 0. A eliminação precoce, ao menos, não foi tão vexatória para o clube de Guadalajara, hoje uma agremiação social, mas com bela estrutura futebolística, usada por equipes que se preparam para duelos contra o Chivas.
1981 e 1982 – Vélez Sarsfield (Argentina)
O Vélez foi o primeiro clube de um dos países estrangeiros com mais participações na Copinha a tomar parte, e entrou para a história ao obter os primeiros pontos gringos no torneio, arrancando um surpreendente empate com o então campeão Inter, em 1981. Em seguida, engrossou, mas caiu para a Portuguesa por 2 a 1. Na rodada final, precisando vencer para seguir na Copa São Paulo, o Fortín ficou no 1 a 1 com o Botafogo de Ribeirão Preto, e acabou eliminado.
Em 1982, o clube argentino voltou a participar da Copinha, e, novamente, chegou perto da vaga e fracassou. Logo no início, o Vélez foi superado pelo Palmeiras, e, no confronto seguinte, sofreu nas mãos do Matsubara, perdendo por 5 a 3. Os empates dos rivais mantiveram os hermanos na disputa, mas a determinação argentina não foi suficiente para bater o Guarani, que segurou um empate em 1 a 1. Com um ponto em três jogos, o time de Liniers terminou o grupo na lanterna.
1985 – Bayern de Munique (Alemanha)
Primeiro (e até agora único) representante da sempre competitiva escola europeia na Copinha, o Bayern é o nome mais alternativo dentre todos os gringos que já tomaram parte do torneio. Na ocasião, os bávaros foram escalados no mesmo grupo de Santos, então [campeão; Pinheiros e o América, do Rio de Janeiro. E se o nome dava peso aos alemães, o desempenho foi, ao mesmo tempo, histórico e vergonhoso. Histórico porque marcou a primeira vitória de um estrangeiro na Copa São Paulo. Vergonhoso porque o time acabou eliminado ainda na primeira fase, com duas goleadas nas costas.
Logo na estreia, o Bayern não foi páreo para o Santos, que aplicou um sonoro 4 a 0 nos gringos. Após o sacode inicial, os germânicos entraram para a história da Copinha, em uma partida equilibradíssima contra o Mequinha. Uma suada vitória por 3 a 2, em 7 de janeiro, foi a primeira de um estrangeiro na competição e reacendeu as esperanças de uma histórica classificação. Esperanças que foram para o ralo após a goleada sofrida para o Pinheiros (3 a 0), que custou a vaga na fase seguinte.
1988 – UAG Tecos (México)
A Universidad Autônoma de Guadalajara, mais conhecida como Tecos, foi a segunda equipe mexicana a disputar a Copinha. E a equipe não fez feio. Responsável por, alguns anos depois, revelar Duilio Davino e Pavel Pardo, o Tecos foi o primeiro gringo a vencer na estreia do torneio, batendo ninguém menos que o São Paulo. O triunfo marcou também a primeira vez que um estrangeiro assumiu a liderança de uma chave na história.
Será que essa era a vez deles? Não, não seria. Sempre forte na base, e com uma equipe principal que, no final do mesmo ano de 88, se sagraria campeã brasileira, o Bahia não deu sopa para o azar e fez tranquilos 2 a 0 nos mexicanos. Na rodada final, o desafio era contra o XV de Jaú. E os interioranos também não tiveram dificuldades para afugentar o “cavalo paraguaio” mexicano. Vitória do XV por 3 a 1, e lanterna do grupo para o Tecos, que, ao menos, fez mais “bonito” do que o compatriota Providencia.
1993 – Boca Juniors (Argentina)
Equipe mais temida da América do Sul — e, provavelmente, a mais respeitada do continente no exterior —, o Boca Juniors passou longe de mostrar todo seu poderio na principal competição de futebol de base brasileira. Pelo contrário: teve uma das piores campanhas de times estrangeiros na história da Copinha, deixando o torneio sem marcar um mísero gol, perdendo todos os jogos disputados e, ainda, sofrendo um sonoro 4 a 0 do Juventus — também eliminado, junto com os argentinos, ainda na primeira fase.
Logo na estreia, uma pedreira: o Vasco, atual campeão e que vinha de conquistas na base, como o bicampeonato da Taça BH e o título carioca sub-20. O belo time cruzmaltino, que contava com Valdir, Yan, Pimentel e Jardel, poderia ter aplicado uma sonora goleada nos xeneizes, mas perdeu muitos gols e ficou “só” no 2 a 0. Contra a sempre perigosa Portuguesa, os argentinos deram trabalho, mas também saíram derrotados: 1 a 0. O “vexame” ficou para o último embate, quando, sem chances de classificação, o Boca sucumbiu facilmente para o Juventus, sofrendo um impiedoso 4 a 0.
1993 – Peñarol (Uruguai)
Outra equipe com tradição no cenário sul-americano, o Peñarol, assim como o Boca Juniors, não deu para o cheiro na Copa São Paulo de 1993. Os uruguaios, que já revelaram muitos valores no futebol charrúa, como Diego Forlán (que iniciou a carreira na base aurinegra), Paolo Monteiro e Pedro Rocha, não vieram com um time que fizesse jus à tradição do clube, e, em um grupo teoricamente acessível, com Botafogo, São Caetano e Corinthians, amargaram a lanterna da chave.
Logo na estreia, tropeço para o então jovem Azulão, por 2 a 0, resultado que já deixou as circunstâncias para classificação bastante complicadas, haja visto que o time do ABC era o adversário mais “fácil”. A esperança até se reacendeu no empate em 1 a 1 com o Botafogo, que havia superado o Timão na abertura. Uma vitória contra os corintianos e, por conseguinte, um empate entre cariocas e paulistas, poderia render a histórica classificação aos uruguaios. No entanto, a esperança foi por água abaixo, com a derrota por 2 a 1 para os maiores campeões da Copinha.
1994 e 1997 – Cerro Porteño (Paraguai)
Ao lado do Vélez, o Cerro é o clube estrangeiro com mais atuações na Copa São Paulo. No entanto, tal como os argentinos, os paraguaios nunca passaram muito perto de obter sucesso na competição: conquistou apenas uma vitória em seis jogos. Logo na estreia, em 1994, uma recepção “esquecível”, com uma goleada de 4 a 0 sofrida para o São Paulo. Em seguida, o Ciclón também não teve chances contra o Londrina, e, com a derrota por 3 a 1, estava matematicamente eliminado. Ao menos, na despedida, fez 3 a 1 no Volta Redonda, e deixou a lanterna da chave para os cariocas.
Na segunda participação, em 1997, justiça seja feita: os paraguaios estiveram em uma chave das mais complicadas, que apresentava o Corinthians (que conquistaria o vice-campeonato) e o então atual campeão América-MG, além do Botafogo da Paraíba. Aliás, a estreia do Cerro, nessa edição, foi justamente um empate, em 1 a 1, com os nordestinos. Em seguida, o time sofreu um sonoro 4 a 0 do América, e, mais uma vez, viu-se com chances quase nulas de avançar. Na rodada final, um empate sem gols com o Timão, onde rolou uma triste pancadaria, selou o novo fracasso paraguaio.
1994 – Nagoya Grampus (Japão)
Ao lado da Argentina, o Japão é o país estrangeiro com mais representantes, até hoje, na Copinha, com três participações, seja com equipes ou seleções de base. E o primeiro representante nipônico foi o Nagoya Grampus, clube que, à época, contava, em seu elenco profissional, com o inglês Gary Lineker. Aliás, a participação marcou a entrada da Ásia na competição, no que perdurou até 1997, por motivos mercadológicos e de imagem, aliados ao interesse asiático em fazer pré-temporadas e preparações em território brasileiro.
A campanha do Grampus começou deprimente, com duas goleadas sofridas para Guarani (3 a 0) e Flamengo (7 a 2). Isso porque o rubro-negro havia sido surpreendentemente derrotado pelo Corinthians de Presidente Prudente — e que seria o primeiro time a ser superado por uma equipe de fora da América do Sul na Copinha, com vitória japonesa por 4 a 3. Triunfo esse que não foi suficiente, até em virtude do saldo de gols, para levar o time de Nagoya à próxima fase da competição.
1995 – Seleção japonesa sub-20
O gringo que tomou parte da edição 1995 da Copa São Paulo foi, no mínimo, inusitado. Pela primeira vez, uma seleção de base adentraria o torneio, mantendo o que se tornou frequente até 1997, que foram as participações asiáticas na competição. Destaque para um dos maiores ídolos do futebol japonês, Hidedoshi Nakata, principal nome do combinado nipônico, que até não fez tão feio na competição, mesmo caindo em um grupo complicado, com Grêmio, Guarani e Capivariano.
Na estreia, a seleção japonesa acabou derrotada pelo Guarani, por 3 a 1. Porém, o que pode ser considerado surpreendente — e, talvez, uma das grandes zebras envolvendo clubes estrangeiros na Copinha — é a inesperada vitória dos samurais sobre o Grêmio, por 4 a 3. O triunfo deu esperanças aos japoneses, que, caso superassem o Capivariano no jogo final, poderiam avançar à fase seguinte. Porém, como se mostrou costumeiro, o estrangeiro em questão não deu sorte: o tropeço, por 2 a 1, para o time do interior, aliado ao empate bugrino contra o Grêmio, tirou a vaga dos asiáticos.
1996 – Verdy Yomuri Kawasaki (Japão)
Último representante japonês a tomar parte na Copa São Paulo, o Verdy — também um dos times mais tradicionais do país — foi um verdadeiro saco de pancadas em sua curta passagem pela competição. É verdade que o grupo era bastante difícil, com Cruzeiro e Palmeiras, além do Paulista de Jundiaí, que, como Lousano Paulista, conquistaria o torneio no ano seguinte. Ainda assim, os nipônicos chegaram a dar trabalho na estreia, contra os mineiros, perdendo por 3 a 2.
A força do time de Kawasaki (que hoje está sediado em Tóquio e disputa a segundona japonesa) ruiu, porém, logo após o jogo inicial. A equipe não resistiu ao Palmeiras e foi goleada por 4 a 0. O pior ainda estava por vir: eliminado, o Verdy levou um passeio do Cruzeiro, levando 4 a 1 e classificando a Raposa para a fase seguinte da Copinha. Nessa ocasião, vale lembrar, o Japão entrou em complicada crise financeira, que coincidiu com o término das participações nipônicas na competição.
1997 – Seleção chinesa sub-20
Sob o comando de Écio Pasca, campeão da Copinha em 1991 com a Portuguesa, a inusitada seleção chinesa sub-20 foi a grande surpresa dentre os participantes da edição 1997 do principal torneio de base do Brasil. À ocasião, Pásca, desde 93 treinando os chineses e com um título obtido na Argentina em 95, comandava um estágio de treinamentos dos asiáticos no País, com amistosos e treinos feitos em parceria com São Paulo e mesmo a Lusa. Algo que ganhou destaque até na mídia européia na época.
A disciplina e força de vontade dos meninos chineses, no entanto, não foi suficiente para classificar o combinado à segunda fase da Copinha. Logo na estreia, porém, os comandados de Páscoa mostraram que os treinamentos vinham fazendo efeito, e o elenco vendeu caro a derrota por 1 a 0 para o São Paulo. Em seguida, no entanto, veio a goleada sofrida para a Portuguesa por 5 a 2 e a eliminação. Ao menos, os chineses não voltaram para casa zerados, fazendo história ao vencerem o União São João por 3 a 1.
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