Olheiros | porque o mundo do futebol se renova

Coberturas especiais

A Copa São Paulo mudou a vida deles

Assine nosso RSS

Pedro Venancio - 29/12/2009

A Copa São Paulo de Juniores é, atualmente, a única competição realmente democrática da base no futebol brasileiro. Entre os 92 clubes inscritos na competição em 2010, estão representantes de 63 cidades de todos os 26 estados brasileiros, mais o Distrito Federal, além do Al Hilal, da Arábia Saudita. O tamanho do torneio, porém, é alvo de diversas críticas feitas inclusive por quem o cobre.

>>> Conheça história de penetras da Copa SP
>>> Página especial da Copa São Paulo

As principais recaem sobre o fato da Copinha ter “perdido o charme”, seja lá o que isso for, e ter se tornado um “balcão de negócios”. O amigo Mozart Maragno, em coluna no início de 2008, abordou o tema e salientou também o que muitos desses críticos fazem questão de esconder: a Copa São Paulo, além de ainda revelar craques, representa, em muitos casos, a única possibilidade de mudança de vida para jogadores de times pequenos.

O roteiro dessa história é conhecido: sem oportunidades em times grandes, os garotos se amontoam em equipes formadas por empresários – ou de centros menos desenvolvidos – para mostrar serviço e chamar a atenção de algum observador técnico. É necessário, para isso, se sobressair uma faixa de idade onde o equilíbrio predomina, jogando em campos ruins e, possivelmente, contra alguns “gatos”.

A maioria fica pelo caminho, mas não são tão raras assim as histórias de garotos que passaram por esse “pente fino” e conseguiram espaço em clubes maiores por causa do desempenho nos gramados paulistas. Para que você, leitor, conheça alguns casos recentes, o Olheiros fez uma lista com 10 histórias que já se mostram ou podem se revelar bem-sucedidas no futuro. Confira:

Lelê - São Bernardo > Coritiba

Baixinho e habilidoso, Lelê já havia tentado a sorte, sem sucesso, no São Paulo, e chegava ao São Bernardo no início do ano passado como principal aposta da equipe, que acabou não se classificando para a segunda fase do torneio. Mas o Coritiba, um de seus adversários, viu qualidades nele, contratou-o e não se arrependeu: Lelê rapidamente virou titular e foi um dos jogadores mais importantes do time na conquista do Campeonato Paranaense Sub-20, além de ter tido um excelente desempenho no Brasileiro da categoria. Está cotado para subir aos profissionais em 2010.

Sandro – Londrina > Internacional

Sandro pertencia ao Astral, clube de empresários do Paraná, e foi emprestado para o Londrina para a Copa São Paulo de 2007. O bom futebol apresentado nos gramados paulistas abriu as portas para o Internacional, e o volante se mudou para Porto Alegre logo depois do torneio. Depois de um belo Brasileiro Sub-20 no mesmo ano, ele subiu para os profissionais em 2008. A afirmação veio em 2009, com a titularidade nos profissionais e na seleção sub-20, além da estreia na seleção principal, contra o Chile, pelas Eliminatórias para a Copa do Mundo.

Rômulo Maranhão – Marília-MA > Atlético Mineiro

Em 2008, o então desconhecido Marília-MA protagonizava uma das maiores surpresas da competição ao eliminar Atlético Mineiro e Barueri logo na primeira fase do torneio. O jogador mais badalado daquele time era Bruno Chocolate, que foi para o Cruzeiro e vive sendo emprestado para equipes do interior mineiro. Seu principal coadjuvante era o lateral esquerdo Rômulo, então com 16 anos. Rápido, habilidoso e dono de um bom cruzamento, ele acertou a ida para o mesmo Galo logo depois da competição e hoje, além de titular, já se credencia como candidato a uma vaga no Mundial Sub-20 de 2011. Fez belo Brasileiro Sub-20.

Rômulo  – Porto-PE > Vasco

Apontado por Olheiros como uma das principais promessas do Porto no Preview da Copinha de 2008, o volante Rômulo se destacou no torneio e chamou a atenção do então supervisor do Grêmio, Rodrigo Caetano. Um ano e meio depois, e Caetano, já no Vasco, conseguiu contratá-lo por empréstimo de um ano. Alto, forte e com boa qualidade técnica, Rômulo vive a perspectiva de repetir a performance dos tempos de Caruaru e, em breve, ser aproveitado pelo técnico Vagner Mancini nos profissionais do clube da Colina.

Santos – Porto-PE > Atlético Paranaense

Quando ainda era conhecido como Aderbar, seu primeiro nome, Santos defendeu o Porto na Copinha de 2008. Se destacou e, dois meses depois, desembarcava na Baixada como novo reforço dos juniores do Atlético Paranaense. Alto, seguro e pegador de pênaltis, ele foi um dos principais jogadores na belíssima campanha do Furacão, vice-campeão em 2009, e acabou sendo eleito pelo Olheiros para a seleção do torneio. Com a saída de Vinícius e a inconstância de Neto, é provável que Santos comece a figurar nos profissionais em um futuro não muito distante. 

Marcos Bambam – Fortaleza > Internacional

Destaque de duas Copinhas consecutivas, o atacante Bambam teve várias chances nos profissionais do Fortaleza antes mesmo de completar 18 anos, mas, prejudicado pelo mau momento do time, não conseguiu repetir o desempenho dos juniores. Após se transferir para o Internacional, Bambam foi novamente integrado aos juniores, mas foi inscrito com o número 28 para a Copa São Paulo, o que indica que ele será aproveitado na equipe B, que representará o Colorado no início do Campeonato Gaúcho enquanto os profissionais recuperam a forma na pré-temporada.

Nathan – Flamengo-PI > Sport

O Flamengo-PI não teve muita sorte na Copinha de 2009: foi derrotado nas três partidas que disputou, marcando apenas um gol e sofrendo nove. Ainda assim, o meia Nathan, então com 16 anos, conseguiu mostrar serviço e chamar a atenção do Sport Recife, que o contratou em fevereiro desse ano. Habilidoso e eficiente nas bolas paradas, ele logo mostrou talento com a perna esquerda, se tornou titular dos juvenis e, com 12 gols marcados, ajudou o Leão a conquistar o Campeonato Pernambucano da categoria em cima do rival Náutico.

Nikão – Mirassol > Palmeiras > Santos

Em 2008, um então desconhecido meia do Mirassol de apenas 15 anos roubou a cena na Copinha, a ponto de fazer frente ao já badalado Neymar na precocidade, e mesmo no talento. Ele atendia pelo apelido de Nikão, e logo depois foi parar no Palmeiras, onde continuou se destacando e chegou a ser convocado para a seleção brasileira sub-17. Nesse ano, trocou o Verdão pelo Santos, onde é dono da camisa 8. Após se envolver em algumas confusões, ele busca recuperar o prestígio perdido na Copinha de 2010, e tem idade para jogar o torneio novamente em 2011.

Felipe – Rio Branco > Palmeiras

Habilidoso, canhoto e decisivo, Felipe foi um dos principais responsáveis por levar o Rio Branco à final da Copa São Paulo, contra o Figueirense, em 2008. No mesmo ano, mudou-se para o Palmeiras, onde logo assumiu a titularidade. Nesse ano, ele não teve boa performance na Copinha, mas chegou a atuar nos profissionais e foi importantíssimo na conquista do Campeonato Paulista Sub-20, marcando sete gols na competição. Foi emprestado ao mesmo Rio Branco, de volta à elite do Paulistão.

Denis Neves – Rio Branco > Atlético Paranaense > Coritiba

Denis tem em casa duas medalhas de prata da Copinha. Isso porque, assim como Felipe, também se destacou no vice-campeonato com o Rio Branco, em 2008, e chamou a atenção do Atlético Paranaense, que o contratou. Titular do Furacão no ano seguinte, perdeu novamente a final, desta vez contra o Corinthians. Mas mostrou a mesma velocidade e desenvoltura no apoio que o caracterizaram no ano anterior. Ainda em 2009, ele mudou-se junto com o técnico Marquinhos Santos para o Coritiba, onde integra atualmente o elenco de juniores.



Colunas anteriores:

Todos direitos reservados olheiros.net | Copyright reserved 2008

Triares