Pedro Venancio - 03/01/2010
A grande surpresa do primeiro dia da Copa São Paulo foi, indubitavelmente, a atuação do CFZ-DF, que mostrou uma equipe bem organizada taticamente e com bons valores individuais no jogo contra o Vasco. Comandados pelo meia Elvis, os candangos chegaram a estar vencendo por 3 a 1 e 4 a 3, mas acabaram cedendo o empate em um gol irregular marcado pelo zagueiro cruzmaltino Felipe.
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O gerente de futebol do clube, Pedro Viana, garante que a atuação não veio por acaso, mas é, sim, fruto de um trabalho consistente que vem sendo realizado desde janeiro de 2009, quando assumiu o cargo. Ex-jogador formado no Flamengo, ele tem no currículo uma passagem pela seleção brasileira sub-15 junto com o fenômeno Ronaldo e o zagueiro William, do Corinthians. Além disso, ele passou pelo Goiás e por clubes da Hungria e da Alemanha, além do próprio CFZ, onde fez parte, dentro de campo, da conquista do título estadual de 2002 invicto em cima do Brasiliense, então vice-campeão da Copa do Brasil.
Para se tornar gerente de futebol, Pedro fez estágios no Flamengo, no Santos e na Traffic, e afirma gostar da nova função. Em entrevista ao Olheiros, Pedro fala um pouco mais sobre a estreia da equipe, a preparação para a Copinha e o trabalho realizado pelo CFZ. Confira!
Olheiros - Mesmo depois de estar em vantagem por 3 a 1 e 4 a 3, o CFZ acabou permitindo o empate contra o Vasco. O que houve naqueles dois minutos em que o time tomou dois gols e, principalmente, o que faltou para vencer a partida?
Pedro Viana - Acho que o time se acomodou, por ter o resultado supostamente garantido. Nos faltou um pouco de experiência para conduzir o jogo quando estávamos na frente.
Olheiros - Qual foi a reação do grupo após a partida? Pesou mais a frustração pelo empate ou o orgulho pela boa exibição?
Pedro - O empate teve sabor de derrota, pelas circunstâncias do jogo e porque sabíamos das nossas condições. Mas, por ser estreia e pela qualidade do Vasco, creio que cumprimos um bom papel.
Olheiros - Mesmo com 3 a 1 no placar, o técnico Toninho Kajuru colocou o time para a frente no segundo tempo, visando matar o jogo. A atitude revela um treinador ousado, desses que muita gente pede na base, mas o resultado acabou não sendo o previsto. Você acha que ele acertou ou não?
Pedro - Ele (o Kajuru) tem esse grupo na palma da mão, pois trabalha com esses mesmos atletas há quatro anos, e confiava nos jogadores que entraram para ampliar o placar. Mas os garotos não conseguiram, e isso foge da alçada do treinador.
Olheiros - Além do Elvis, apontado como principal destaque do time antes da Copinha, outros jogadores se destacaram na estreia, como Ronaell, Carlyle e Marcos Fernando. Fale um pouco sobre eles.
Pedro - São atletas com uma certa experiência profissional, que já jogam um bom futebol há algum tempo. Para nós, não é surpresa, mas quem ainda não nos conhecia viu que realizamos um bom trabalhos e temos jogadores com capacidade de atuar em grandes clubes brasileiros.
Olheiros - Há a expectativa de quantos desses meninos serem aproveitados no time principal?
Pedro - Nós somos um clube formador, e não consumidor. Apesar dos citados acima já terem atuado entre os profissionais, mas agora não temos mais espaço para eles no CFZ. Chegou a hora de eles respirarem novos ares e, quem sabe, firmarem bons contratos em outras equipes.
Olheiros - Qual a relação entre as bases dos CFZ´s de Brasília e do Rio de Janeiro? Existe intercâmbio e troca de jogadores?
Pedro - Somos filhos do mesmo pai (Zico), temos o mesmo sobrenome, mas a administração dos dois é completamente diferente. Mas, como coirmãos, temos um ótimo relacionamento.
Olheiros - O CFZ concluíu a preparação para a Copinha no CT da Traffic, em Porto Feliz. Até que ponto você acha que esse período foi benéfico para os jogadores?
Pedro - Ficamos lá durante seis dias, que foram fundamentais por vários motivos. O primeiro deles é que pudemos ser observados pela maior empresa do ramo “business football” no Brasil. A adaptação ao clima do interior de São Paulo também foi importante além do fato de termos usufruído da maior e melhor estrutura montada para a prática do futebol hoje no país.
Olheiros - Qual a expectativa da equipe para o restante da Copinha?
Pedro - Queremos muito mais do que só os 15 minutos de fama desse sábado. Queremos ir longe para consolidar um trabalho sério que é feito em Brasília há muitos anos.
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