Leandro Stein - 06/01/2010
O futebol nos municípios de Promissão e Santiago há vários anos começa a temporada bastante agitado. Tudo porque, logo em janeiro, acontecem nas duas cidades os principais torneios de futebol juvenil do país.
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A Copa Promissão será iniciada no próximo dia 20 e contará com 18 equipes, divididas em três grupos. Dentre elas, Atlético Mineiro, Corinthians, Cruzeiro, Fluminense, Inter e Vasco. Já a Copa Santiago começa um pouco antes, no dia 15, e terá em seus gramados clubes como Grêmio, Peñarol, Inter, atual campeão, e Vasco, separados em duas chaves com seis times cada.
O grande problema é que ambos os campeonatos acontecem na mesma época do ano que a Copa São Paulo, maior competição de categoria base do Brasil. Como consequência, aqueles que disputam dois destes torneios acabam privilegiando um e seguindo desfalcados para outro. E, como se não bastasse, há ainda clubes que disputam os três simultaneamente, como é o caso, neste ano, de Internacional e Vasco.
A história do conflito
Em um passado não muito distante, a coincidência de datas entre a Copa São Paulo e Santiago e Promissão não afetava os últimos dois. Afinal, a Copinha era disputada por jogadores menores de 20 anos, enquanto a Copa Santiago e a Copa Promissão abrangiam a categoria sub-17. Os elencos que seguiam para o torneio de juniores só desfalcavam os juvenis caso acontecesse algum imprevisto.
No entanto, o torneio paulista reduziu o seu limite de idade para 18 anos em 2006. A partir de então, os times que viajam para São Paulo têm que contar com os atletas mais bem preparados dos juvenis, além daqueles que atuam entre os juniores e que são menores de idade.
Por conta da coincidência, tanto o torneio de Promissão quanto o de Santiago acabam recebendo times B. Geralmente são enviados para estes campeonatos aqueles que não vêm sendo utilizados recorrentemente na equipe titular, bem como os jovens que subiram recentemente da categoria sub-15.
Há ainda a possibilidade que, caso seja eliminado mais cedo na Copinha, o clube reforce seu elenco na outra competição. No ano passado, por exemplo, o Fluminense foi eliminado apenas nas semifinais da Copa São Paulo. Mesmo assim, enviou alguns jogadores deste grupo para Promissão e acabou campeão. Um deles, Wellington Silva, ainda foi eleito o melhor jogador do campeonato.
Existem ainda alguns clubes que disputam no mesmo ano, além da Copa São Paulo, a Copa Promissão e a Copa Santiago. Um destes casos aconteceu em 2009 com o Internacional, que se desdobrou entre as três competições. Por fim, o Colorado optou por selecionar três grupos diferentes e não integrar nenhum novo atleta, mesmo que uma das equipes fosse eliminada. A Copinha acabou contando com os principais jogadores, enquanto a Copa Santiago foi privilegiada em relação à Copa Promissão e recebeu o segundo elenco.
Para evitar esse tipo de situação, a organização do torneio gaúcho estuda até mesmo a redução do limite de idade. Como a mudança de data é inviável, já que faz parte dos festejos do aniversário da cidade de Santiago, tal possibilidade está sendo analisada. Há, porém, a preocupação que a alteração não faça com que a Copa entre em conflito com o Efipan, tradicional competição gaúcha da categoria infantil e que também é disputada em janeiro.
Copa Santiago: tradição no Sul
Realizada pela primeira vez em 1989, a Copa Santiago foi nomeada inicialmente como Torneio Internacional Romeu Goulart Jacques, homenageando o fundador do Cruzeiro, clube gaúcho que ajuda a organizar a competição. Com o passar dos anos, devido à projeção trazida à cidade na qual as partidas são sediadas, a competição foi rebatizada para a denominação atual.
Fazendo jus à alcunha de “Internacional”, logo em sua primeira edição o torneio já teve um campeão estrangeiro. O Nacional, do Uruguai, foi o autor do feito, ao bater o Grêmio na decisão. Os uruguaios ainda repetiriam o feito em 1994, na única final a reunir duas equipes internacionais. A vice-campeã foi a seleção juvenil da China.
Historicamente, a Copa Santiago conta com a participação de, em média, quatro clubes de fora do país. Dentre eles, são mais frequentes as presenças de times do México e de países do Mercosul. Para a próxima edição, por exemplo, foram confirmados os argentinos do Belgrano, os paraguaios do Guarani e os uruguaios do Peñarol, além do Koge, da Dinamarca.
Contudo, exceção feita ao Nacional, os títulos ficam normalmente com os clubes brasileiros. E, mais especificamente, com a dupla Gre-Nal. Em 21 edições, os dois clubes venceram nada menos que dois terços dos títulos. Os colorados, no entanto, seguem em vantagem com oito triunfos, contra seis dos tricolores. A diferença ainda foi ampliada no último ano, com a vitória do Internacional sobre o América Mineiro na decisão.
Com tantas conquistas, é natural que muitos dos jogadores revelados pelas frutíferas divisões de base de Inter e Grêmio tenham se destacado na Copa. Do lado vermelho, os primeiros nomes a aparecer foram o de Argel e Caíco, campeões em 1992. Além deles, na última década, Daniel Carvalho, Nilmar, Rafael Sóbis e Alexandre Pato surgiram no torneio.
Já no Olímpico, três campeões da Libertadores em 1995 jogaram em Santiago: Danrlei, Roger e Carlos Miguel. Depois deles, surgiu ainda Ronaldinho Gaúcho e, em 2008, Douglas Costa recebeu o prêmio de melhor jogador do torneio e levou o título.
Fora do “eixo Gre-Nal”, as principais revelações da competição são Emerson, que jogou pelo Brasil de Pelotas; Anderson Polga, nascido em Santiago e oriundo do Cruzeiro local; Luisão, vice-campeão com o Juventus em 1999; e Vagner Love, que curiosamente vestia, na época, a camisa do São Paulo. Nos últimos anos, Renan Oliveira, do Atlético Mineiro, e Zezinho, do Juventude, foram eleitos os melhores do torneio, enquanto Rafael Tolói e Tabaré Viudez, da equipe sub-20 do Uruguai, foram escolhidos para a seleção do campeonato.
Das equipes nacionais, além de Grêmio e Inter, já venceram a Copa Santiago o Cruzeiro (por duas vezes), o Matsubara, o Fluminense e o Atlético Mineiro. A participação de clubes de outros estados, porém, não é muito numerosa e, geralmente, empata em quantidade com os times do Rio Grande do Sul. Destes, o anfitrião Cruzeiro é figura garantida no torneio.
Copa Promissão: 10 anos de revelações
A edição de 2010 é histórica para a Copa Promissão: será a décima vez que a pacata cidade do interior sedia a já tradicional competição.
Em sua primeira edição, 15 times participaram do campeonato e, dentre estas, apenas três eram profissionais: Corinthians, Portuguesa e União São João. No final, a preparação e o trabalho destas equipes acabaram refletindo na classificação final, na qual o União São João se sagrou campeão. A única “intrusa” no grupo dos quatro primeiros foi a Portuguesa do Rio Pequeno, que acabou na terceira posição.
Além disso, a primeira disputa foi a única que contou com equipes sub-16. Nas competições posteriores o limite de idade foi alterado para 17 anos, abrangendo os elencos juvenis dos participantes.
O número de clubes profissionais também aumentou a partir da segunda edição. Como reflexos dessa mudança, as “zebras amadoras” acabaram extintas da briga pelo título e o número de representantes da elite do futebol nacional no topo da tabela cresceu.
E, desde a primeira edição, equipes estrangeiras também disputam o campeonato. A pioneira foi o Maebashi Ikuei, time tradicional do “High School” japonês. Depois dela, jogaram o Mekom Silistra, da Bulgária, e o Chivas Guadalajara, do México, que veio a Promissão por cinco anos consecutivos. Também já participaram times de imigrantes, o CEE Nakazawa e o CT Korea, e a filial brasileira do Royal Liège, da Bélgica. Entretanto, os estrangeiros nunca passaram de uma terceira colocação conquistada pelo Chivas em 2006.
Os brasileiros dominam o ranking feito pela organização e Corinthians e Cruzeiro, ambos tricampeões, são os maiores vencedores da Copa. A partir de 2002, os dois clubes polarizaram entre si o troféu e somente em 2008 tiveram a hegemonia quebrada pelo Figueirense.
Na última edição, como já mencionado, quem se deu bem foi o Fluminense, que bateu na final o Cruzeiro, nos pênaltis, e ficou com o título. Em seu caminho, os tricolores passaram por PAEC, Rio Preto, Avaí e Internacional.
Quanto às maiores revelações que passaram pelos gramados de Promissão, destacam-se Jô, Abuda, Bobô, Lulinha e Dentinho, todos campeões com o Corinthians. Além deles, brilharam jogadores como Kerlon e Guilherme, ambos do Cruzeiro; Lenny, Marcelo e os gêmeos Fábio e Rafael, do Fluminense; Alexandre Pato, do Internacional; e Diego Tardelli, ainda na União Barbarense. Dos estrangeiros, o nome mais conhecido é o do mexicano Carlos Vela, atualmente no Arsenal e que, no mesmo ano em que disputou o torneio no Brasil com o Chivas, se sagrou artilheiro do Mundial Sub-17 de 2005.
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