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O futuro não é o bastante

As categorias de base na Argentina

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Marcus Alves - 10/01/2010

Projetar o futuro. Não há outra saída para os argentinos. Depois de ver a sua seleção se classificar para a Copa do Mundo na bacia das almas, acompanhar o fracasso de seus garotos com a camisa albiceleste e se chocar com a ausência de Boca Juniors e River Plate na próxima Libertadores, manter a esperança de que dias melhores virão é o que resta. Nesse sentido, conhecer o panorama das categorias de base no país e o que ela pode vir a oferecer é fundamental.

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Antes de indicarmos a sua situação, é recomendável mostrar como funcionam os campeonatos para os jovens jogadores do outro lado da fronteira. No total, são seis categorias, divididas pela faixa de idade: a nona divisão (até 14 anos), a oitava (até 15), a sétima (até 16), a sexta (até 17), a quinta (até 18) e a quarta (até 20). Os clubes, distribuídos de acordo com a sua posição entre os profissionais, disputam a Copa Pedro J. Pompilio e a Copa Challenger.

Após consolidar o seu domínio em 2008 e conquistar quatro das seis divisões, o River Plate perdeu espaço na última temporada e passou em branco. Melhor para o Boca Juniors, que, com dois títulos, desbancou os Millonarios e assumiu o seu posto. Entre os atletas revelados pelos xeneizes, o destaque ficou por conta do atacante Francisco Di Franco e do meia Leandro Paredes, principais referências da equipe nas categorias sub-20 e sub-18, respectivamente.

Com 31 gols, Di Franco foi o artilheiro da quarta divisão e teve em Yamil Romero, responsável por outros 19 gols, o seu grande parceiro na vitoriosa campanha boquense. Sob o comando de Roberto Pompei, o clube sofreu apenas uma derrota– para o San Lorenzo, fora de casa – e encerrou o campeonato dois pontos à frente do River. O time manteve-se invicto até a 25ª rodada e teve uma média de mais de três gols por jogo.

Na quinta, Leandro Paredes foi a estrela. Um dos pilares da seleção sub-15, já vem sendo chamado pela imprensa de “novo Riquelme” e é considerado a maior promessa das categorias de base argentinas. Ao lado de Francesco Celeste, outro meio-campista, conduziu a equipe ao título com uma campanha quase irrepreensível. O grupo comandado por Jorge Rodriguez atingiu a marca de 15 vitórias consecutivas, marcando 46 gols e sofrendo apenas três no período.

A exemplo do Boca, o Vélez Sarsfield é outro clube que vem dando espaço para as suas promessas em seu elenco principal. A próxima revelação de Liniers pode vir de sua categoria 1993, que se sagrou campeã nacional e revelou o atacante Jorge Correa na última temporada. Em sua caminhada, o Fortín perdeu apenas três vezes e não deu chance para River Plate, Newell's Old Boys e Lanús, segundo, terceiro e quarto colocados.

Desde 1965 sem conquistar o título da sexta divisão, o Huracán rompeu com a marca e mostrou que a boa campanha entre os profissionais, sustentada por atletas revelados em sua base, não foi por acaso. O zagueiro Leonardo Villán, capitão do time, despontou bem. O campeonato ficou marcado ainda pela surpreendente campanha do Belgrano, que não tomou conhecimento da maior tradição de seus adversários e garantiu o terceiro lugar.

Outra prova do bom momento celeste foi a sua campanha na quarta divisão, coroada com a volta olímpica após a vitória nos pênaltis na partida de desempate contra o Lanús. Foi a primeira conquista de uma equipe de Córdoba em competições de base nacionais. Os atacantes Luis Silba e Diego Pereyra foram os destaques. Maximiliano Quinteros, do Racing, também chamou a atenção.

Vice-campeão, o Lanús encerrou a temporada com o título da quinta divisão. É o nono na base nos últimos 12 anos. No comando do clube, esteve o ex-zagueiro Gabriel Schurrer, em sua primeira experiência como treinador. A expectativa é de ele que siga os passos de Luis Zubeldia, atual técnico granate, e assuma o elenco profissional no futuro. Sob a sua responsabilidade, está uma safra que, durante o ano, venceu também a edição nacional da Copa Nike.

Como alento para o River Plate, restou a Copa Challenger, que premia a equipe que somou mais pontos ao longo do ano em todas as categorias. Não foi o suficiente, no entanto, para segurar Gabriel Rodriguez no cargo de coordenador geral. O novo presidente do clube, Daniel Passarela, o demitiu e apresentou para o seu lugar Juan José López, ex-meio-campista da seleção.



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