Dassler Marques, Leandro Stein e Marcus Alves - 11/01/2010
Com 11 dos seus 32 classificados vindos do interior paulista, a Copa São Paulo deste ano relembra a edição de 2006, que reuniu Comercial-SP e América-SP em sua decisão. Os grandes do estado também não decepcionaram e, com relativa facilidade, garantiram seus lugares na próxima fase. São Paulo, Palmeiras e Corinthians sobraram em seus grupos, enquanto Santos e Portuguesa enfrentaram dificuldades e conquistaram a classificação apenas no saldo de gols.
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A exemplo do que acontece todos os anos, os pequenos também tiveram vez e, dentro do espírito democrático que costuma caracterizar a competição, estarão representados nos mata-matas. Garotos como o goleiro Jerfesson, do Confiança-SE, responsável por segurar o Grêmio, e o meio-campista Carlyle, do CFZ-DF, chamaram a atenção e devem seguir, em breve, os passos de nomes como Sandro, volante do Inter que surgiu no Londrina e está prestes a se transferir para o Tottenham-ING.
Grêmio e Inter, aliás, foram as decepções da primeira fase. Sempre badalados quando o assunto é categorias de base, os rivais gaúchos não mostraram a mesma força de outros campeonatos e se despediram surpreendentemente de forma prematura. Mesmo caso do Atlético-MG, atual campeão da Taça BH e que repetiu o roteiro dos últimos dois anos ao não superar a sua chave. Pior para o técnico Vanderlei Luxemburgo, que, ao assumir a equipe, afirmou que pretendia aproveitar a garotada.
A Copa São Paulo foi marcada também pelas fortes chuvas que castigaram os gramados principalmente em seu início. Confrontos, que deveriam ter sido adiados, não puderam ser atrasados em virtude da falta de datas no calendário. Assim, ficou comprometido o desempenho de clubes como Cruzeiro e Fluminense-RJ, prejudicados ainda pelas condições precárias oferecidas pelos organizadores em sedes como São Bernardo do Campo e São Bernardo. (Marcus Alves)
A força dos grandes
Assim como no ano passado, o São Paulo repetiu a dose e foi o melhor time da primeira fase. Os são-paulinos marcaram apenas um gol a menos em relação à última edição, terminando na liderança do grupo com três vitórias, 15 tentos anotados e nenhum sofrido. O tricolor passou com facilidade por todos os adversários e venceu as três partidas com goleadas. Em campo, a grande estrela foi o atacante Lucas Gaúcho, que chegou à marca de cinco gols anotados. Além dele, cabe ressaltar também o goleiro Richard, o volante Casemiro e o meia Jeferson.
Com a segunda melhor campanha, o Palmeiras também passou com nove pontos. As vitórias amplas sobre Rio Branco e o Sorriso, além da virada sobre o São Carlos, confirmaram a qualidade do time campeão paulista sub-20. Confundindo as defesas adversárias trocando os lados do campo pelos quais atuavam, os laterais Gabriel Silva e Luís Felipe foram os destaques. Já os rivais corintianos, atuais campeões, fizeram o esperado e garantiram a classificação sem maiores dificuldades, com 100% de aproveitamento e boas atuações do meia William e do atacante Taubaté.
Dos grandes de São Paulo, o Santos foi o único que enfrentou um pouco mais de dificuldades, mas também passou em primeiro. Em um grupo no qual três clubes alcançaram seis pontos, a classificação só veio no saldo de gols.
O Cruzeiro repetiu o retrospecto dos últimos anos e fez boa campanha. Além dos adversários, enfrentou o péssimo gramado do estádio José Ferrez e se classificou, muito graças ao oportunismo do atacante Élber e à visão do jogo do meia Dudu. Quanto aos cariocas, os quatro grandes clubes passaram de fase, não sem antes enfrentar alguns percalços.
O Flamengo bem que passou por Taubaté e Shallon, mas apenas empatou com o Paulista e acabou na segunda posição do grupo por conta do saldo de gols. Além dos rubro-negros, Fluminense e Vasco viveram situação parecida. Ambos ficaram em desvantagem no critério de desempate e nem mesmo a habilidade de Wellington e Wellington Silva, pelo Flu, e os gols de Jonathan e Willen, pelo Vasco, foram suficientes para que superassem Primeira Camisa e CFZ-DF, respectivamente. Por fim, o Botafogo também não conseguiu três vitórias, mas ao menos ficou no topo da tabela no grupo X, em virtude de um empate alcançado apenas no último minuto.
Além destes, vale também destacar a bela campanha do Guarani, outra equipe que alcançou 100% de aproveitamento e que foi vazado apenas uma vez. Com o ataque bastante positivo, a Portuguesa se classificou com bom retrospecto, assim como o Vitória, e o Paraná. América de São José do Rio Preto e Figueirense, campeões recentes da Copinha, também passaram invictos em seus respectivos grupos. (Leandro Stein)
Decepções e surpresas
Grêmio e Internacional, apesar de suas tradições em divisões de base, se despediram cedo e foram as grandes decepções da Copinha. Os tricolores, campeões brasileiros sub-20 e contando jogadores badalados como o zagueiro Gérson e o atacante Bergson, não passaram de uma vitória conquistada. Já o Inter teve parte de seus jogadores afetados por uma intoxicação alimentar e ficou na modesta terceira colocação do grupo. Nem os promissores Lucas Roggia e Felipinho conseguiram reverter a situação, atingida muito em consequência da fragilidade da defesa, vazada por oito vezes em apenas três jogos.
Outra equipe tradicional que já foi eliminada é o Atlético Mineiro. Campeão da Taça BH, o Galo repetiu as fracas campanhas recentes e não passou da primeira etapa. Sua chave, contudo, era considerada a mais complicada da primeira fase e a equipe ficou de fora ao lado de Fortaleza e Olé Brasil, campeão paulista sub-17. Seu xará paranaense, vice-campeão em 2009, também ficou abaixo das expectativas e acabou eliminado, mesmo tendo atingido duas vitórias e a segunda colocação de sua chave. E, como de praxe, o convidado estrangeiro acabou fazendo um papelão. O Al-Hilal só fez um ponto e voltou mais cedo para a Arábia Saudita. Ao menos conseguiram impor alguma dificuldade em suas duas derrotas, perdendo ambas pelo placar mínimo.
Em relação às maiores surpresas, sobressaem-se Confiança e Inter de Limeira que, mesmo empatando os seus jogos contra Grêmio e Inter, contaram com as vitórias de Nacional-AM e Mogi Mirim e conseguiram a “proeza” de eliminar os dois gigantes gaúchos. Já o América-MG repetiu o retrospecto do último ano. Um dos poucos clubes a atingirem três vitórias, balançou as redes apenas quatro vezes, mas contou com uma defesa segura e não levou um gol sequer. O principal homem do time é o meio-campista Túlio, capitão e autor de dois tentos.
Estreante na Copinha, o Primeira Camisa tornou-se uma zebra ao superar o fortíssimo Fluminense. As atuações do bom goleiro Pedro Henrique e do eficiente atacante Yago contribuíram bastante na classificação da equipe. O CFZ-DF, comandado pelo “maestro” Carlyle, também fez bom papel e ficou à frente do Vasco, enquanto o Paulista surpreendeu ao ultrapassar o Flamengo. O time de Jundiaí, aliás, impressionou por conta da eficiência de seu ataque, que fez 15 gols em apenas duas partidas. Por fim, o Remo repetiu o feito do Nacional-AM e transformou-se na segunda equipe da região Norte a se classificar para a segunda fase da Copinha. (Leandro Stein)
Deixando o anonimato para trás
Nas categorias de base, é comum falar que projetar jogadores é mais importante do que conquistar títulos. Talvez esse pensamento não valha tanto para alguns clubes, mas, para garotos de equipes desconhecidas, ele é considerado uma verdade absoluta. A Copa São Paulo, com a sua dimensão nacional, representa um prato cheio para jovens, que se encontram escondidos em centros menores, mostrarem seu futebol numa vitrine que, no passado, já provou a sua eficiência ao catapultar a carreira de atletas que se consagrariam mundo afora.
Nesta edição, foram vários os jogadores que se destacaram na primeira fase e entraram no radar de clubes e empresários que acompanharam as partidas. O meio-campista Tarcísio, do Atlético Pernambucano, é certamente um desses nomes que, nessa altura, já figuram na pauta de agentes. Após se despedir ainda na primeira fase, a promessa, que, em sua equipe, reúne boas condições de trabalho, passa a administrar a ansiedade pelo contato de possíveis interessados em seu futebol.
Mais competentes, os garotos de outro representante da região Nordeste, o Confiança-SE, terão ao menos mais uma chance para comprovar o seu valor. Os sergipanos surpreenderam em sua caminhada ao empatar com o Grêmio e garantir o primeiro lugar do grupo. Com a campanha, jogadores como o goleiro Jerfesson, o zagueiro Valdo, o meia Thomas e o atacante Valdo deixaram a obscuridade a que estavam relegados até então e despontaram no mercado.
A mesma situação é experimentada pelo elenco do CFZ-DF, primeiro colocado numa chave que contava com o Vasco e que, ao retornar para o Distrito Federal, irá se deparar com uma triste realidade: com problemas financeiros, o clube pode ficar de fora do estadual. A possibilidade é acompanhada com apreensão por Victor Hugo, Elvis, Carlyle e Marcos Fernando, promessas que chamaram a atenção na fase inicial da Copa São Paulo e que enfrentarão o Flamengo nos mata-matas. (Marcus Alves)
Muita chuva e comida estragada
A mediocridade de vários gramados paulistas foi evidenciada pelas fortes chuvas dos primeiros dias de janeiro. Em Taboão da Serra, a talentosa garotada do Cruzeiro precisou fugir dos adversários e da grande lama para somar nove pontos. Pior que por lá, foi a situação em São Bernardo do Campo.
No Baetão, os dois primeiros jogos do Fluminense, contra XV de Jaú e Primeira Camisa, precisaram ser paralisados por mais de meia hora, o que é contra as regras do futebol. Com muita chuva, a grama sintética do estádio do ABC Paulista foi arrasada e os jogos se tornaram lamentáveis. A situação evidenciou os problemas de calendário da Copinha, que de forma alguma pode ter jogos adiados.
Em São Bernardo do Campo, aliás, delegações reclamaram das condições oferecidas. O trajeto ao estádio foi feito por peruas Kombi e a quantidade de água potável disponibilizada ficou aquém do necessário. As comissões técnicas interpelaram para que o volume fosse aumentado, mas ouviram como resposta que haviam poços artesianos disponíveis para a coleta. Pouco amador?
Houve confusão também em Jundiaí. As delegações de Guarani, Funorte-MG, Rio Preto e Fluminense-BA, hospedadas no Hotel Dinastya, foram infectadas por comida estragada, num total de 91 pessoas, entre atletas e comissão técnica, tiveram intoxicação alimentar. Boatos deram conta de que o Internacional, eliminado na primeira fase, passou pelo mesmo problema antes da derrota contra o Mogi Mirim. (Dassler Marques)
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