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Professores da base

Osmar Loss: o mago do Beira-Rio

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Dassler Marques - 31/01/2010

A convivência colorada com o rebaixamento foi íntima no Campeonato Brasileiro de 2002. Só mesmo gols de Fernando Baiano e Mahicon Librelato, que morreria em acidente de carro pouco tempo depois, para salvar o Internacional da queda na última rodada, em Belém, contra o Paysandu. Era a senha para a reconstrução de um clube esfacelado, que elegeu o tratamento para suas categorias de base como prioridade.

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Fernando Carvalho, já presidente colorado naquele ano, sempre teve o cordão umbilical ligado ao departamento amador, e passou a olhar na base a solução para os problemas. Ali já estava Osmar Loss, uma das principais engrenagens nesse processo que tornou o Internacional referência em todo o mundo no que diz respeito à formação. Foram mais de 30 títulos como treinador.

Osmar, que deixou o Internacional em dezembro de 2009 após 15 anos de Beira-Rio, é agora treinador de time profissional. Depois de percorrer todos os quadros na base colorada e chegar até a equipe B, ele topou o desafio de reconduzir o Juventude, hoje na Série C, até a elite nacional, de onde saiu em 2008.

O mago da base colorada é o primeiro treinador a estrelar a nova seção do Olheiros. A “Professores da Base” trará, quinzenalmente, um perfil de algum comandante que tenha sido ou ainda seja referência na formação de atletas.

Da UFRS ao Beira-Rio

Ao contrário da maioria dos treinadores, a carreira de Osmar Loss não teve início como atleta. Foram poucas as tentativas dele como jogador – “a bola não gostava muito de mim”, brinca. Ele então optou pela formação acadêmica como caminho para viver do futebol. Assim, no fim da adolescência, ingressou no quadro de alunos do curso de Educação Física na Universidade Federal do Rio Grande Sul.

Foi durante o período acadêmico que Osmar Loss se tornou colega de um profissional que lhe acompanharia ao longo de toda a trajetória no futebol. Julinho Camargo, hoje treinador do Caxias e ex-juniores do Grêmio, também cursava Educação Física na UFRS e enxergou potencial no então jovem Loss. Coordenador das categorias de base coloradas, Julinho então tratou de levar o amigo ao Beira-Rio e certamente não se decepcionou.

Seu primeiro trabalho, em 1994, foi como recreacionista da equipe sub-10, passando no ano seguinte a preparador físico e, três meses depois, como treinador. E assim como os garotos da base colorada, Osmar Loss também foi crescendo até seu trabalho passar a ser devidamente reconhecido no universo das categorias de base.

Quando Alexandre Pato já era motivo de badalação na base colorada, Osmar Loss teve uma participação importante na formação do atleta, que estrearia nos profissionais com 17 anos, em 2006. Pato ainda tinha idade para atuar no time sub-15, mas o fato de ser um extraclasse fez com que as etapas fossem queimadas para ele, que passou a ser comandado por Loss nos juvenis. “Ficou seis meses e já foi para os juniores”, lembra.

Nos juniores, campeão de tudo

A primeira grande conquista de Osmar Loss como treinador dos juniores do Internacional foi em 2006, na edição inicial do Campeonato Brasileiro Sub-20, disputada em junho e com vitória sobre o Grêmio na final. Alexandre Pato brilhou como craque da competição e já anunciava que era um grande talento. Nessa equipe ainda alinhavam Muriel, Ramon, Rodrigo Possebom, Luiz Adriano e Wellington, ao lado de foguetes molhados como Taianan, Abu e Cauê. 

No total de uma galeria com mais de 30 títulos, Osmar Loss também arrematou o bicampeonato estadual de juniores, em 2008 e 2009 e dois troféus internacionais na Itália, entre eles o Torneio Città di Torino. Recentemente ainda levou a Copa Arthur Dallegrave, sua última competição no Beira-Rio, quando já dirigia a equipe B.

Nessa função, Osmar Loss ajudou no desenvolvimento de um projeto até então sem grandes resultados no Beira-Rio. O time B, último estágio entre a base e o profissional, passou definitivamente a ser um espaço útil para testar os garotos em torneios com exigência adulta, como foi a Copa Arthur Dallegrave, mais conhecida como Copa FGF.

Nomes prospectados pelo Internacional, como Leandro Damião, ex-Atlético de Ibirama, puderam provar sua real capacidade para integrar o elenco principal. Loss foi essencial para que o projeto do Inter B apresentasse um resultado real. O sucesso foi reconhecido pela direção colorada, que destacou o elenco para iniciar a participação no Campeonato Gaúcho de 2010.

De partida para Caxias

Osmar Loss, que é natural de Passo Fundo, assim como Felipão, cresceu em Camargo, no noroeste do estado, e foi para Porto Alegre aos 10 anos de idade. A mudança para Caxias do Sul, aos 34 anos, em dezembro de 2009, não foi então uma grande novidade para o multicampeão treinador do Internacional.

Osmar Loss estava pronto para sua grande chance no Beira-Rio quando recebeu um convite difícil de se recusar. Apesar da chance de dirigir o Inter B durante o Gaúcho, assumir o Juventude era o trabalho ideal para um técnico iniciante entre os profissionais. O Colorado tentou mantê-lo e ofereceu um aumento salarial, mas Loss resolveu se mudar para o Alfredo Jaconi.

Assim como acontece com os jogadores, Osmar precisará provar que não é bom só para as categorias de base. As referências, segundo ele, são Abel Braga, Paulo Autuori, Vanderlei Luxemburgo e Luiz Felipe Scolari. Dado seu desempenho em 15 anos de Internacional, será difícil que as glórias não prossigam nessa nova etapa.

Ficha técnica

Nome: Osmar Loss Vieira

Idade: 34

Local de Nascimento: Passo Fundo (RS), Brasil

Clubes que dirigiu: Internacional e Juventude

Principais títulos: Campeonato Brasileiro Sub-20 de 2006, Campeonato Gaúcho de Juniores 2008 e 2009 e Copa Arthur Dallegrave de 2009



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