Dassler Marques - 03/02/2010
Normalmente se diz que desde a Holanda de 1974 não há inovação tática no futebol, mas até nisso a Copa São Paulo está aí para quebrar os chavões. Quando se viu dois laterais quase 100% ambidestros trocando de lado e confundindo a marcação várias vezes durante uma só partida? Raramente. Na direita, Luís Felipe e, na esquerda, Gabriel Silva. Mas bastava uma troca de olhares e eles invertiam o posicionamento, no que foi fundamental para a bela campanha do Palmeiras.
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Gabriel já treina entre os profissionais, Luís Felipe tentará seguir o mesmo caminho nos próximos meses. Durante as férias, ele atendeu o Olheiros para falar sobre a disputa da Copa São Paulo, a alegria pela boa campanha e também a tristeza por não conseguir o título. Luís cita Jorginho, agora no Goiás, como sua principal referência, e elogia Wendel e Figueroa. Mas também surpreende: “muita gente quer ver coisa nova no Palmeiras”.
Fardando o alviverde desde meados de 2007, ele tem uma trajetória curiosa e já vestiu a camisa dos outros três grandes paulistas em rápidas passagens, além de ser, efetivamente, revelação do Nacional-SP, de onde saiu Dodô, por exemplo. Curiosamente, agora tem sido especulado no Grêmio.
Olheiros – Ficou o sabor de alegria pela bela campanha ou de tristeza de deixar o título escapar?
Luís Felipe - Foi minha primeira e última Copa São Paulo e gostei muito de ter disputado. Muita gente me elogiou, mas fiquei muito triste por deixarmos escapar. Pênalti é loteria e odeio esse momento do futebol. A gente sabia que tinha capacidade de ganhar, nosso grupo era unido demais. Tínhamos todos o pensamento de entrar para a história do clube com o primeiro título na Copinha.
Olheiros – Como foi ver o Gabriel Silva já atuando no time de cima?
Luís Felipe - Fiquei feliz pra caramba em vê-lo jogando quarta. É um orgulho fazer o campeonato do lado do cara, passa dois dias ele e já está no profissional. Eu me coloquei no lugar dele, fiquei muito triste quando vi que saiu lesionado (contusão muscular, previsão de ficar um mês fora). A Copa São Paulo foi muito puxada, com só dois dias de descanso de uma partida para a outra. E também jogo de profissional é mais puxado. Somos garotos, mas tudo tem seu limite.
Olheiros – Como surgiu o entrosamento com o Gabriel Silva para inverter de lado durante os jogos?
Luís – A gente vinha treinando fundamento com as duas pernas, sempre juntos, e no treinamento de cruzamento a gente trocava de lado na hora de bater na bola. Fomos levando esse espírito para dentro de campo e às vezes acontece, como contra o Santos: eu é que estava na esquerda, dei o passe para o meio e ele fez o gol.
Olheiros – Dificulta demais para o adversário? O treinador que mandava vocês trocarem?
Luís – Sim, é muito difícil de marcar. Às vezes o marcador já pegou meu jeito, e quando a gente troca, ele fica perdido. Mas fica no nosso critério, ele dá muita liberdade. Um olha para o outro e já sabe o tempo de mudar, já sabe quem vai voltar marcando por qual lado.
Olheiros – Como você vê o fato de ter passado por vários clubes em tão pouco tempo?
Luís – Não sei (risos). Até brincam comigo como se eu fosse gato. A gente tem que passar por experiências na vida, penso pelo outro lado. Se tivesse ficado até hoje no São Paulo, será que teria a mesma possibilidade de seleção, seria treinado pelo Jorginho e pelo Julinho?
Olheiros – Seria mais difícil atuar pelos profissionais no São Paulo?
Luís – Não sei, porque quando na época só pensava em jogar com a base.
Olheiros – E como está essa expectativa de jogar nos profissionais do Palmeiras?
Luís – Muita gente tem falado bem de mim, me elogiado. O Palmeiras tem bons laterais como o Wendel e o Figueroa, mas como muita gente quer ver coisa nova, não sei... Agora estou de férias por 20 dias, mas talvez possam me ligar antes.
Olheiros – Como foi trabalhar com o Jorginho?
Luís – Ele trabalhou comigo no Palmeiras B e me indicou para a seleção em um torneio no Mediterrâneo. Foi uma experiência boa, aprendi muito com ele. Como foi jogador, sabe o que o jogador quer e pensa. Ele vai fazer muita gente feliz como treinador.
Olheiros – Você jogou junto com o Leonardo, filho dele que morreu em acidente de trânsito em 2008?
Luís – Jogavamos juntos em 2008. Perdemos ele no meio do campeonato, ele era titular do time. Foi tudo do nada e sentimos muito. Mas colocamos na cabeça que ele estaria rezando por nós.
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