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Talento não tem idade

Em busca do prestígio perdido

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Pedro Venancio - 05/02/2010

Depois de faturar o Campeonato Brasileiro de 2009, o Flamengo tentou, na medida do possível, manter a base vencedora e contratar novos jogadores para fortalecer o grupo em quantidade e qualidade. Dois desses reforços vieram do CSKA Moscou, e um deles é Vagner Love, que já parece completamente adaptado ao grupo e já demonstra belo entrosamento com Adriano na dupla de ataque batizada de “O Império do amor”. O outro, bem menos badalado, é Ramon, meia que brilhou na seleção brasileira sub-17 de 2005, mas não mostrou serviço em lugar nenhum até agora nos profissionais.

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Ao olharmos para o presente, é difícil imaginar que, há quatro anos, Ramon foi alvo de uma disputa feroz por seus direitos federativos, vencida pela MSI. Alto, forte, criativo e bom finalizador, ele fez um belíssimo Sul-Americano Sub-17 de 2005, repetiu a dose no Mundial da categoria do mesmo ano e, promovido ao time principal do Atlético Mineiro, participou da trágica campanha do rebaixamento. Mas se salvou em meio ao desastre e era tido como uma das principais promessas do clube para os anos seguintes, mas acabou sendo vendido.

O primeiro destino dele foi o Corinthians, que, já naquele momento, passava por um caos interno que culminaria com o rebaixamento do ano seguinte. Sem espaço no time titular – a concorrência era com Roger e Carlos Alberto -, Ramon jogou muito pouco durante o ano, foi prejudicado pela má fase da equipe e não correspondeu nas oportunidades que recebeu. A prova disso é que pouca gente notou o momento em que ele se mudou novamente, desta vez para o CSKA Moscou.

No Exército Vermelho, mais um fiasco. Em três anos de clube, o meia disputou apenas 25 jogos e marcou um gol. As lesões, o bom momento de Daniel Carvalho no início e, principalmente, a afirmação de Alan Dzagoev, prejudicaram a afirmação do ex-atleticano, que foi emprestado para o Krylia Sovetov em 2009 para poder jogar mais e tentar recuperar o bom futebol dos tempos da base. Mas a tentativa também não deu certo e Ramon disputou apenas uma partida pela nova equipe.

A volta para o Brasil pode ser encarada sob a perspectiva de que o meia assumiu o próprio fracasso no futebol europeu. E quer usar a fama adquirida nos tempos de juvenil para recuperar o prestígio perdido ao longo dos últimos quatro anos. Resta saber se, no Flamengo, ele terá a possibilidade de se recuperar, pois a posição em que atua tem Petkovic como titular. O reserva, Vinícius Pacheco, teve um bom início de temporada e parece contar com a confiança do técnico Andrade. E ainda há a possibilidade de Michael, outro reforço para 2010, atuar no setor.

Para os rubro-negros, fica a esperança de recuperar um jogador que um dia mostrou potencial e torná-lo útil para a equipe durante a maratona de jogos que será enfrentada em 2010. Mas é necessário ter a consciência de que, tendo em vista as quatro últimas temporadas, as dúvidas sobre o futuro de Ramon são inevitáveis.  



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