Leandro Stein - 05/02/2010
Os resultados obtidos pelas divisões de base do Internacional na última década são obviamente positivos. Valores como Nilmar, Rafael Sobis e Alexandre Pato foram lançados pelo clube, que acumula títulos em diferentes categorias. No entanto, há sempre aqueles prodígios que não vingam e pesam do outro lado da balança.
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Um destes casos é o do atacante Rodrigo Paulista. Franzino e habilidoso, o atleta impressionava pela velocidade e pelos dribles desconcertantes. Deslumbrados pela sua técnica, os colorados logo trataram de prendê-lo ao clube por cinco anos, em 2005. Porém, com uma queda brusca de rendimento, Rodrigo acabou somando idas e vindas nas temporadas seguintes. Hoje, tenta a sorte na China.
Craque de um Gre-nal
O atleta teve seu primeiro sucesso na base do Inter em meados 2000, quando integrava o elenco na conquista da tradicional Nike Premier Cup. Três anos depois, já atuando entre os juvenis, emplacou mais um título importante quando foi campeão da Copa Santiago.
Suas primeiras chances na equipe principal começaram a surgir no início de 2004 e o jogador nem mesmo passou pelos juniores. Ao lado de Rafael Sobis e de outros quatro garotos, foi promovido pelo técnico Lori Sandri e fez a pré-temporada com os profissionais. Rapidamente começou a ter oportunidades de entrar em campo no Campeonato Gaúcho. Além disso, jogou também uma vez pela Copa do Brasil.
Rodrigo ainda participaria do jogo de estreia do Internacional no Brasileirão daquele ano antes de ser relegado à equipe “B”, que disputava a Copa RS. Com boas atuações no torneio, entretanto, foi chamado novamente ao elenco principal. Por conta de uma suspensão sofrida por Rafael Sobis, foi relacionado para um clássico ante o Grêmio.
Aquele Gre-nal foi certamente a grande participação de Rodrigo Paulista com a camisa colorada. Entrou no intervalo, quando o placar ainda estava zerado e deu show. Em seu primeiro lance de perigo, desviou uma bola para o travessão que originou o primeiro gol. Depois, infernizou a defesa adversária e ainda balançou as redes. Além desmoralizar os inimigos com a vitória por 3 a 1 no Olímpico, o Inter afundou ainda mais os gremistas na tabela de classificação daquele Brasileiro, no qual acabaram rebaixados.
Idolatrado pela torcida e com a confiança do técnico Muricy Ramalho, o meia foi utilizado na Copa Sul-Americana e em mais sete jogos do Campeonato Brasileiro, ganhando até mesmo a condição de titular no fim da disputa. Ao término de sua temporada de estreia, somou cinco gols.
Ainda em 2004, também começou a ter as suas primeiras oportunidades na seleção sub-20, que se preparava para o Mundial da categoria. Rodrigo foi convocado para disputar a Copa do Mediterrâneo logo em março. Depois, seria novamente listado para o Torneio de Toulon, em junho, e para o Torneio de Miami, em novembro. Contudo, depois disso, não foi mais chamado pelo técnico René Weber.
Sequência de empréstimos
Vindo do banco na maioria dos jogos, Rodrigo Paulista ainda era figura de presença marcante do Internacional no início de 2005. No título colorado no Campeonato Gaúcho, somou 12 jogos.
Vislumbrando a joia que tinham em mãos, os dirigentes do Inter decidiram, então, ampliar o contrato do atacante ainda durante o Gauchão. O novo documento estipulava vínculo por mais cinco anos, até março de 2010, além de uma multa rescisória relativamente alta.
O restante da temporada, no entanto, não foi prodigioso para o atleta. Prejudicado por uma lesão no púbis, só jogou três vezes nas competições nacionais. Enquanto o Inter se consagrava vice-campeão do Campeonato Brasileiro, o meia atuava com o segundo grupo na relegada Copa FGF.
Permaneceu ainda na equipe B no primeiro semestre de 2006, disputando a segundona estadual. Apenas em junho Rodrigo ganhou a sua primeira oportunidade longe do Beira-Rio, cedido por empréstimo ao Figueirense. No clube catarinense, no entanto, não manteve a regularidade. Participou de sete jogos no Brasileirão, sempre vindo do banco e não marcou um gol sequer.
Fora do Figueira em 2007, foi novamente emprestado, desta vez ao América de Natal. Jogando como titular em grande parte do Campeonato Potiguar, foi bem na campanha do vice-campeonato, anotando seis gols. Balançou as redes mais duas vezes na Copa do Brasil, mas não teve o seu vínculo prorrogado.
Voltou no meio do ano ao Inter e ainda jogou por algumas semanas na segunda equipe. Contudo, foi emprestado pela terceira vez consecutiva, agora para o Barueri. Fez poucas partidas e marcou só uma vez no Brasileirão da Série B de 2007, no qual o seu clube ficou na modesta 13ª posição. Já no Paulistão do ano seguinte, foi tão discreto quanto, mas ao menos faturou o Troféu do Interior.
Retornando novamente ao Beira-Rio em julho de 2008, desta vez Rodrigo Paulista ganhou apoio expresso do poderoso dirigente colorado Fernando Carvalho. Tendo boas participações nos treinos, foi reintegrado ao grupo principal e participou de três jogos no Brasileirão. Todos sem sucesso algum para o atleta.
Sorte na China
Nos primeiros meses de 2009, Rodrigo teve o seu nome vinculado ao Náutico, mas o negócio não vingou. Também foi cotada, sem se concretizar, a sua cessão ao Brasil de Pelotas. Por fim, em março, acabou indo ao futebol chinês, emprestado até outubro.
Seu destino foi o Shenyang Dongjin, promovido à segunda divisão chinesa na temporada anterior. Na China League One, enfim, conseguiu atingir as expectativas entorno de seu futebol. Com 11 tentos marcados em 14 partidas, foi o artilheiro de sua equipe e o terceiro na tábua geral do certame. Mesmo atrapalhado por uma contusão na clavícula na reta final da competição, contribuiu bastante na campanha, ficando a uma vitória da promoção para a Chinese Super League, a primeira divisão do país.
Ao menos, parte da história
Findado o seu contrato com o Dongjin, Rodrigo voltou à Porto Alegre. Seu vínculo com o clube gaúcho termina, após cinco longos anos, em março de 2010 e, a partir de então, ele deverá retornar ao futebol chinês, em que deseja permanecer. Somando-se suas passagens, o meia-atacante fez 40 jogos com a camisa colorada e anotou somente seis gols. Pouco para quem era considerado uma valorosa promessa.
No entanto, enganam-se aqueles que pensam que Rodrigo não teve um papel importante na história do Inter. Ainda em 2004, o atleta foi fundamental para as conquistas da Libertadores e do Mundial de Clubes.
Como? Na época, a então preciosidade entrou na negociação de Fernandão com o Olympique de Marseille. Em conjunto com o pagamento de uma quantia em dinheiro, os gaúchos deram aos franceses 25% dos direitos de Rodrigo e conseguiram a liberação do futuro ídolo colorado.
Ficha Técnica
Nome Completo: Rodrigo Paixão Mesquita
Data de nascimento: 02/03/1985
Local de nascimento: São Paulo, Brasil
Clubes: Internacional, Figueirense, América-RN, Barueri e Shenyang Dongjin (China)
Seleção de Base: Brasil sub-20
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