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Dassler Marques - 09/02/2010

Ribeirão Preto e Belo Horizonte são cidades separadas por 520km e uma viagem de quase 6 horas de carro. Mas para jogadores de talento e um pouco de sorte, esse caminho do interior paulista à capital mineira é muito mais prático. Essa ponte feita sucessivas vezes já leva grandes promessas dos clubes ribeirãopretanos ao Atlético-MG há mais de uma década, em um negócio que recentemente se fortificou ainda mais com a chegada do Banco BMG.

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No centro de todas essas negociações está uma empresa chamada Football Business, que abriu suas relações intermediando negociações de Comercial e Botafogo com o Atlético-MG. Com os dois clubes paulistas quebrados nos profissionais e nas categorias de base, ambas as partes se fortaleceram com o negócio, cujo primeiro grande fruto foi Cicinho, profissionalizado com a camisa atleticana em 2001.

A relação foi se fortificando pelos anos seguintes e, em 2005, vários jogadores oriundos de Ribeirão Preto já compunham o elenco profissional atleticano. Na temporada que culminou com rebaixamento para a segunda divisão, foram nomes como o goleiro Diego Alves, o zagueiro Lima, o volante Zé Antônio e o atacante Éder Luís os responsáveis por tentar livrar o Galo da queda que acabou sendo inevitável. Todos eles chegaram até a Cidade do Galo pela mesma via.

Atenta ao sucesso do negócio, a Football Business resolveu não ser mais uma mera intermediária. Com a boa relação com o Atlético-MG, independente de qual fosse o presidente, e dinheiro no bolso, tirou a dupla Come-Fogo da jogada e passou a ela própria captar os jogadores pela região de Ribeirão Preto e levar para o Galo, se tornando então parceira na divisão dos direitos econômicos. O lucro cresceu.

Na volta à elite, o Atlético-MG já exibia mais jogadores com o sotaque caipira do interior de São Paulo. Apostas de Emerson Leão, o volante Renan e o atacante Eduardo acabaram por não vingar, mas eram novos sinais, no time profissional, de que a relação vivia uma fase de amadurecimento e consolidação. Negócios bons para a empresa, melhores ainda para o Galo.

Apesar de toda a sua atitude normalmente radical e de ter mexido em vários setores do clube, Alexandre Kalil, eleito presidente do Atlético-MG no fim de 2008, não ousou alterar a parceria que leva jovens craques para a Cidade do Galo. É também de Ribeirão Preto que vem Renan Ribeiro, goleiro que esteve no Mundial Sub-20 com a seleção brasileira e se prepara para estrear entre os profissionais com Vanderlei Luxemburgo.

Atrás dessa promoção também está Wendel, destaque do Atlético-MG no título da Taça BH e do vice-campeonato do Brasileiro Sub-20 no último ano. Ele tinha 14 anos e atuava pelas escolinhas do Botafogo de Ribeirão Preto quando foi descoberto pela Football Business e agora já está há cinco anos com a camisa atleticana. É, da geração /91 do Galo, de longe o atleta com maior potencial. Um ano mais novo que ele, o volante Danilo também aguarda sua oportunidade.

Apesar dessa rede de sucesso, a empresa de Ribeirão Preto não tem um clube próprio, então vive de parcerias. É comum disputar competições com a camisa de outras equipes: nos Paulistas Sub-15 e Sub-17 do ano passado, o Comercial era, na verdade, a Football Business. Já na Copa São Paulo, a empresa era o Rondoniense.

Já neste ano, disputou a Copa São Paulo com a camisa do Vila Aurora-MT, adversário do Corinthians na primeira fase. O confronto com os corintianos abriu portas para três negociações: João Marcelo, Diego e Vítor - atleta mais novo da Copinha, com 15 anos - preparam mudança para o Parque São Jorge. Elder e Leonardo vão para o Fluminense.

Vila Aurora também está bem distante de Belo Horizonte, mas disputou a Copa São Paulo com o patrocínio do BMG na camisa. A negociação foi fruto de um acordo para o banco, agora também fundo de investimento, comprar direitos econômicos dos atleticanos Danilo, Renan Ribeiro e Wendel.  A partir de agora, toda promessa descoberta pela Football Business, tem prioridade de compra do novo parceiro. Não custa lembrar que o BMG é o banco de propriedade de Ricardo Guimarães, ex-presidente do Atlético-MG, e ligado ao mensalão.

Se você pensou em criticar os empresários que lucram com esse baita negócio há mais de 10 anos, pense de novo. Pense e critique os dirigentes que sucatearam as categorias de base de Comercial e Botafogo, das mais tradicionais e prolíficas do estado de São Paulo. Onde há crise, incompetência e corrupção, sempre há também quem saia ganhando.

Firula

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