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Cara ou coroa

Oscar é ingrato?

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Equipe Olheiros.net - 14/02/2010

Muito se comenta sobre o imbróglio Oscar, estourado no início de janeiro e que provocou uma grande discussão em torno das divisões inferiores do São Paulo e mesmo sobre o futebol de base no Brasil de uma forma geral. Mas como analisar o comportamento do jogador? Ingrato, problemático, submisso, presunçoso... Quase de tudo foi taxada a maior promessa tricolor desde Kaká.

>>> Relembre o início de carreira de Oscar
>>> Veja mais sobre o polêmico caso

Nesta nova edição do Cara ou Coroa, o Olheiros traz dois ponto de vistas naturalmente antagônicos a respeito de Oscar. Analisamos o comportamento do jogador, a interferência das pessoas envolvidas e o rumo que pode tomar sua carreira, entre outros aspectos.

Para isso, participam nosso editor Marcus Alves, também da Revista ESPN, e seu companheiro de redação e consagrado Luís Augusto Símon. Confira as duas partes e tire suas próprias conclusões. (Dassler Marques)

Sim, Oscar é ingrato, por Luís Augusto Símon, da Revista ESPN

O caso Oscar-São Paulo está na Justiça. E é difícil para um jornalista que gosta de boa finalização, lançamento, volante que sabe passar e zagueiro que faz cobertura de lateral sem mandar o adversário para o hospital, dar palpite. Que a Justiça resolva. Que os advogados usem os seus argumentos. Advogados conseguem provar que a bola é quadrada e que o sol não aquece.

O que dá para falar é sobre a Lei Pelé e sobre Oscar. A lei é inquestionável. Trouxe modernidade ao futebol. O capitalismo substituiu a quase escravidão anterior, quando, através do passe, essa deformidade, o clube poderia dispor da vida do jogador por quanto tempo quisesse.

O jogador de futebol passou a ser tratado como um jogador comum. Bom para eles. Fica, entretanto, para o torcedor, algo triste. Já não há paixão. Não há amor ao clube. O jogador só pensa em sair de onde está e ir para a Europa. Ou então, para um adversário. É justo? É. Mas é chato também.

Para o torcedor, é melhor ficar de olho no jogador da base que não brilha tanto. Ele pode chegar ao time de cima e dar sua colaboração por cinco anos pelo menos. O astro, não. Faz um monte de gols na Copinha e toma o primeiro avião. Nem que seja para o Tridhcazacostão do Norte, ali perto de onde o mundo acaba.

Quanto ao Oscar, uma de suas queixas só depõe contra ele. Diz que não foi devidamente aproveitado. Foi sim. Na Sul-Americana de 2008, perdeu um pênalti e saiu chorando. Ora, se um jogador quer ter lugar no time, ele tem de mostrar que é melhor do que o atual titular. E ele nunca mostrou que fosse melhor que Jorge Wagner, Hugo ou outro.

A competição é dura e ele deseja vários jogos para mostrar o seu futebol? Ora, um técnico está sempre com o cargo em risco. E não existe ninguém que aceite arriscá-lo ainda mais por um garoto imberbe. Diego e Robinho fizeram sucesso no Santos com a mesma idade – ou mais novos – do que Oscar. Sem choro. Com futebol. Essa queixa de Oscar parece mais a de um menino mimado e não a de um jogador pronto a brigar por seus direitos, já com a cabeça na Europa. Se não jogou aqui, vai jogar lá?

Não, Oscar não é ingrato, por Marcus Alves, do Olheiros e da Revista ESPN

“Pra atuar no São Paulo, tem que aguentar jogar numa La Bombonera lotada, em final de Libertadores”. Quantas vezes você não ouviu essa frase durante a passagem de Muricy Ramalho pelo tricolor paulista? Uma dezena de vezes, com certeza. O discurso, que, a princípio, soa muito bonito e comprometido com a equipe, na verdade, sempre destoou na prática.

Éder Robocop, Michel, Jean Rolt, Jadílson, Fredson… Alguém em sã consciência acredita que esses nomes preencham mesmo as condições de Muricy? É claro que não. Nunca fizeram a diferença por onde passaram e, ao serem contratados pelo ex-técnico, negaram aos garotos o espaço que eles naturalmente poderiam ocupar no banco de reservas.

Não é difícil, portanto, imaginar por que Oscar, ainda que pelo caminho errado, tenha se rebelado contra o clube. Deve ser frustrante ver a base ficar de fora do planejamento do profissional a cada início de temporada. E pior: ter a sua qualidade contestada por um treinador que se mostrava indiferente ao que vinha sendo feito em Cotia e, ainda assim, assumia o crédito pelas poucas revelações que despontaram sob o seu comando.

Hernanes? Milton Cruz bancou, Marco Aurélio Cunha segurou e Juvenal Juvêncio lançou. Breno? O mesmo roteiro. Jean? Adivinha... Neste ano, a equipe voltou a investir em reforços duvidosos, como Carlinhos Paraíba e Leo Lima. Enquanto isso, as promessas Bruno Formigoni e Juninho caminham para a obscuridade, representada talvez pela criação de um time B que ainda suscita discussões internas.

Um cenário de incertezas que, como não poderia deixar de ser, desanima qualquer jovem jogador. Com Oscar, não é diferente. Ou melhor, é, sim. O meia-atacante de 18 anos tem um futuro imenso pela frente. Não por acaso, foi escondido pelo clube na Espanha antes de assinar seu primeiro contrato. Quer apenas jogar e ser valorizado. Nada mais.



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