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O futuro não é o bastante

A Quinta de Canales

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Marcus Alves - 18/02/2010

A Liga das Estrelas sempre teve espaço para a garotada. Não é como acontece em outros países pelo continente europeu. A história está aí para provar isso. Quantas gerações de ouro você não viu surgirem na Espanha ao longo das últimas décadas? Foram tantas, e que só agora, por ironia do destino, parecem estar finalmente mostrando a razão de tanta badalação.

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Essa moda, mais uma vez em vigência na terra das touradas, ganhou força nos anos 80 com a chamada Quinta del Buitre, assim batizado pelo jornalista Julio César Iglesias o grupo de canteranos formado por Emilio Butragueño, Miguel Pardeza, Manolo Sanchís, Míchel e Rafael Martín Vázquez que conduziu o Real Madrid a vários títulos naquela época – quanta diferença para o momento atual, não?

Na sequência, veio a resposta do rival Barcelona e a sua Quinta del Mini, com jovens promessas, observadas pelo então técnico da equipe principal, Johan Cruyff, que acompanhava a distância o sucesso daquele time B blaugrana. Faziam parte da fornada nomes como Roger, Celades, Javi Moreno, Arnau, Quique Álvarez e, claro, a estrela maior, Ivan de La Peña.

O mesmo Barça mostraria a força de sua base ao ceder poucos anos depois o líder de uma geração que ficou marcada no país como a Quinta de Cobi. A mesma que, sob o comando de um Guardiola que já encantava por sua classe e leveza, ganhou em casa a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos. O nome, que homenageava o mascote do evento, seguiu pela carreira jogadores como Juanma López, Lasa, Solozábal, Abelardo, Guardiola, Luis Enrique, Ferrer, Amavisca, Kiko e Alfonso.

Por fim, na ordem de gerações que ajudam a explicar essa relação dos espanhóis com as categorias de base, estão os Garotos de Ouro, hoje representados pelos atuais campeões europeus e favoritos na África do Sul. Casillas, Marchena, Xavi... Todos eles integraram o grupo que conquistaria o Mundial Sub-20 em 1995 e estabeleceria os pilares para a formação do time de Vicente del Bosque.

Depois dessas quatro safras, uma ou outra maior animação foi identificada aqui ou acolá com alguma turma de garotos. Nenhuma talvez tão forte como essa que estamos vendo pintar nesta temporada do Campeonato Espanhol. Mais do que nunca, a propagada Liga das Estrelas prova que, em meio às “carteras”, há, sim, espaço para as “canteras”.

De Gea, Muniesa, Botía, Álvaro Domínguez, Javi Martínez, Camacho, Iker Muníain, Thiago Alcántara, Bojan... Todos esses são membros de um grupo de promessas que tem tudo para sedimentar seu espaço nos próximos anos e levar a Fúria a uma condição que já vem sendo experimentada, mas que nunca se mostrou estável. É mais uma Quinta surgindo no país, a Quinta de Canales.

Sim, estranho ver um jogador de um clube pequeno como o Racing Santander ser apontado como a referência de outros que atuam em times dez vezes maiores. Porém, essa é a realidade. O barulho que Sergio Canales vem fazendo na liga espanhola não é comparado nem mesmo com aquele feito por Bojan em seu tempo. Que outro jovem conseguiu com cinco gols em seus quatro primeiros jogos como titular entre os profissionais atrair ofertas concretas – sim, concretas – de equipes como Barcelona, Real Madrid, Sevilla, Manchester United, Chelsea e Arsenal?

Poucos, muito poucos, se é que há, na bem da verdade. Canales não é nenhuma surpresa para os fãs de base. Hoje tem 19 anos, mas aos 12 já era badalado. Com 16, já havia sido envolvido em um negócio com o Deportivo que resultou no retorno do ídolo Pedro Munitis à Cantábria e esteve perto de ser repassado ao Valencia – que pretendia submetê-lo a um projeto semelhante àquele realizado com Angulo em seu início de carreira.

Mas o destino reservava algo melhor para Sergio – há controvérsias em se tratando de garotos – e ele foi parar no Real, que, mesmo tendo um jogador com características parecidas e assediado pelo Arsenal (Dani Sarabia), investiu em sua contratação. A chegada ao Santiago Bernábeu é aguardada para julho e o empréstimo na primeira temporada, como ocorreu com o seu ex-colega Ezequiel Garay, já praticamente descartado. O próximo passo? A África do Sul, até mesmo Del Bosque admite. É só o começo de uma era, a Quinta de Canales.



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