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Pedro Venancio - 05/03/2010

Em uma semana cheia de amistosos entre seleções que vão à Copa do Mundo, a Dinamarca também atuou contra a Áustria e, desfalcada, perdeu por 2 a 1. Muito mais do que o resultado do jogo, porém, chamou a atenção a entrada, aos 12 minutos do segundo tempo, de um meia que estreou nos profissionais do Ajax em janeiro, mas já se candidata ao posto de jogador mais jovem da Copa do Mundo de 2010. Trata-se de Christian Eriksen, de apenas 18 anos, apontado como o melhor jogador a surgir no país desde Michael Laudrup.

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O rebuliço criado em torno do meia é surpreendente. Afinal de contas, ele atuava até janeiro no  Jong AFC, time de juniores do clube para o qual se transferiu em 2008. E comandou a equipe em várias partidas, como, por exemplo, a goleada por 7 a 3 contra o PSV pela Copa Nike, em dezembro de 2009. Esperava-se, portanto, que Eriksen entrasse uma ou outra vez na equipe e tivesse alguns lampejos, mas ele, obviamente, já derrubou esses prognósticos e foi titular nas últimas três partidas da equipe, incluindo o empate sem gols com a Juventus, em Turin, pela Liga Europa.

O resultado eliminou os holandeses da competição, pois eles haviam perdido o jogo de ida, em Amsterdã, por 2 a 1. Mas Eriksen não tem do que reclamar, afinal de contas foi apontado como um dos melhores jogadores da partida e, mesmo tendo atuado pelo lado esquerdo do campo – posição que o “prende” um pouco às obrigações defensivas -, mostrou do que é capaz. Ele exibiu um repertório incrível de arrancadas e belos passes, além da capacidade de chutar com os dois pés. O primeiro gol como profissional já amadurece, e parece ser apenas uma questão de tempo.

Nas duas partidas em que foi titular na Eredivisie, ele atuou como winger no 4-3-3 armado por Martin Jol, e em ambas os Godenzonen venceram por 4 a 0. Na última delas, contra o Ultrecht, o dinamarquês foi substituído pelo uruguaio Nicolás Lodeiro, que chegou cheio de badalações à Holanda, mas por enquanto observa do banco de reservas a evolução de Eriksen. Em princípio, a tendência é que essa situação se inverta, mas o dinamarquês já mostrou, dentro de campo, que não gosta muito de respeitar tendências ou previsões.

As comparações, inevitáveis, já surgem com força total, além da anteriormente feita com Michael Laudrup, quando Eriksen ainda atuava no Odense. Para alguns, ele é o “novo Dennis Bergkamp”, enquanto, para outros, o futebol dele se parece muito com o de Rafael Van der Vaart, ou ainda Wesley Sneijder, os dois últimos ídolos recentes do clube e titulares absolutos da seleção holandesa. Bergkamp, inclusive, já o viu jogar e o indicou para Arsène Wenger, que já busca um sucessor para Fábregas, cotado para sair do Arsenal no fim da temporada.

O contrato de Eriksen também acaba no meio do ano, e o Ajax se apressa em renová-lo, pois tudo indica que tem uma pérola escapando das mãos. Especula-se também sobre o interesse de clubes como Barcelona, Chelsea e Manchester United em contar com os serviços do meia, que já demonstrou publicamente a intenção de permanecer na Holanda por mais um tempo. Quem acompanha futebol, porém, sabe que, por vários motivos, essa vontade poderá mudar nos próximos meses, ainda mais se ele for um dos 23 escolhidos por Morten Olsen.

O meia, por enquanto, só quer saber de aproveitar o momento que vive e está certíssimo. Afinal, estrear antes dos 20 na seleção principal de um país que vai à Copa do Mundo não é para qualquer um, e indica que se trata de um jogador muito talentoso. Mas, paralelamente, pode gerar perspectivas desproporcionais e prejudicar uma carreira que se desenha muito promissora. É necessário ter muita maturidade emocional para encarar tantas mudanças em um curto espaço de tempo, mas, até agora, Eriksen mostrou que está preparado para enfrentar todos esses desafios. A Dinamarca agradece.



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