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Lincoln Chaves - 08/03/2010

Três das quatro vagas italianas para a Liga dos Campeões da próxima temporada estão ocupadas por clubes que já se candidatavam a elas desde as primeiras rodadas: Inter, Milan e Roma. O último posto, inicialmente "guardado" para a Juventus, porém, conta com um "intruso": o Palermo, de boas campanhas nos últimos anos, mas que volta a surpreender na Serie A, aproveitando-se da irregularidade da Vecchia Signora para se colocar como forte pretendente à próxima LC.

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Ao se observar o elenco que vem entrando em campo pelos rosaneri, nota-se uma interessante mescla de jogadores sem tanto impacto, mas de boa experiência e, principalmente, rodagem no campeonato, com jovens promissores. Uma política que às vezes é arriscada, especialmente para equipes que desejam brigar por algo na temporada, mas que, depois de um começo cambaleante, tem se mostrado bastante proveitosa no Renzo Barbera.

Como dito, o início não foi fácil. Anteriormente comandado pelo ex-goleiro da seleção italiana, Walter Zenga, o Palermo demorou para embalar. Trazido da Argentina com muitas expectativas, ao lado de outros garotos sul-americanos promissores, como já comentado pelo amigo Dassler Marques, o jovem Javier Pastore não conseguia efetivamente fazer a diferença no meio-campo. O atacante Edinson Cavani, por sua vez, também não repetia as boas atuações da última temporada.

O empate no clássico contra o Catania resultou na saída de Zenga e na chegada de Delio Rossi para comandar o esquadrão rosanero. Rossi teve uma interessante passagem pela Lazio, onde, com poucos recursos, conseguiu levar os romanistas ao título da Coppa Italia e às competições europeias. A habilidade em lidar com um time sem estrelas e jogadores com salários abaixo do hall dos candidatos à LC seria colocada à prova em uma equipe que, após tantas boas campanhas, queria almejar patamares maiores.

Rossi chegou e arrumou a casa: o Palermo pegou o elevador e começou a subir na tabela, entrando de vez, nas últimas rodadas, na briga pela Liga dos Campeões. Na barca da boa fase, a mescla entre experiência e juventude se mostrou eficaz, e jovens antes irregulares evoluiíam na hora certa. Caso do goleiro Salvatore Sirigu, prata da casa antes continuadamente emprestado, mas que desbancou Rubinho, de boa temporada 2008/09 no Genoa, e assumiu com autoridade as redes.

A zaga também viu o crescimento do dinamarquês Simon Kjaer, que no atual campeonato passou a figurar com maior frequência como titular. Ele, que já foi sondado por Chelsea e Real Madrid quando ainda era do Midtjylland, já começara a alcançar o onze na última temporada, mas tem na presente Serie A, ao lado de Cesare Bovo, seu melhor rendimento desde a chegada à Itália. O bom momento o ajudou também a se firmar na seleção de seu país, e a ser um nome forte na lista de Morten Olsen para a Copa do Mundo.

E Pastore? Com Rossi, o meio-campista ex-Huracán começou a assumir o papel preponderante que dele se esperava no clube siciliano, distribuindo o jogo para a dupla Cavani-Fabrizio Miccoli — que, por sua vez, também cresceu na competição. A ascensão do jovem argentino chamou, enfim,  a atenção de Diego Maradona, que por muito tempo o ignorou, mas que, incentivado pelo crescimento do Palermo (e, consequentemente, de Pastore), levou-o para a seleção. Deve ser convocado para a Copa.

Mais jovem dos "Meninos da Sicília" com 19 anos, Abel Hernández, por sua vez, já dá sinais que não tardará a chegar à titularidade inquestionável. "La Joya" sofreu com uma lesão e com suspeitas de problemas cardíacos no princípio da carreira, e acabou estreando já com a equipe formada. Antes, ajudou o time Primavera do Palermo a conquistar o título nacional da categoria. Ainda assim, o atacante mescla partidas como titular e suplente, sendo quase sempre colocado em campo, agradando bastante à torcida e ao treinador.

Por sua vez, Delio Rossi tem conseguido juntar a qualidade e vitalidade dos jovens com a experiência de jogadores com boa rodagem no futebol italiano. É o caso de Fabio Liverani, que aos 33 anos, tem uma vitoriosa passagem pela Lazio e, desde 2008, é peça importante no grupo rosaneri, tal como Mark Bresciano, com 30 primaveras nas costas e quase dez anos de cancha nos gramados da Bota. Por fim, claro, há Micolli, também 30 anos, que detém hoje a faixa de capitão da equipe, além de ser atualmente o artilheiro do time na temporada.

Outros garotos atualmente no elenco pintam como bons nomes para as próximas temporadas. Caso do lateral direito suíço Michel Morganella, atualmente na seleção sub-21 de seu país, e que está desde janeiro do ano passado na equipe. O zagueiro italiano Marco Calderoni também tem boas referências, e embora ainda não tenha estreado, tem no currículo uma interessante temporada no limitado Piacenza, que lhe resultou a ida para a Sicília, e a participação no Mundial Sub-20 do ano passado. Outro destaque é o meia Nicola Rigoni, emprestado ao Vicenza.

Atualmente, o Palermo soma 46 pontos, apenas dois a frente da Juventus, e com 11 jogos por vir — inclusive contra a Inter e Milan, ambos em casa. Não chega a ser tão utópico, inclusive em virtude da dificuldade do time de Turim em recuperar a forma do início da temporada, ver os rosaneri na próxima LC. E é nessas horas que a experiência de Micolli, Bresciano e Liverani deverá ser mais aliada do que nunca à qualidade de Pastore, Hernández e dos demais jovens, para que a proximidade do feito histórico não seja prejudicada por uma eventual pressão, principalmente do presidente Maurizio Zamparini, que muito já interferiu, nos últimos tempos, no trabalho de outros técnicos da equipe.



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