Pedro Venancio - 08/03/2010
A grave lesão do zagueiro luso-brasileiro Pepe, ocorrida em dezembro de 2009, evidenciou uma deficiência no elenco galáctico do Real Madrid: com o deslocamento do destro Sergio Ramos para a zaga, os merengues ficaram sem nomes para atuar nas laterais, pois Manuel Pellegrini já decidiu que Marcelo deverá jogar como extremo esquerdo, posição em que poderá utilizar melhor os atributos ofensivos que possui. Será necessária outra solução, e os dirigentes do clube já buscam reforços para a próxima temporada.
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Uma das alternativas é o jovem Sergio Escudero, que, aos 20 anos de idade, surge como um dos principais destaques da Liga Adelante, segunda divisão espanhola, mesmo atuando pelo Murcia, que atualmente ocupa a 19ª posição e luta contra o rebaixamento. Escudero já é titular da seleção espanhola sub-21 e, ao que tudo indica, tem potencial para ascender à seleção principal em médio prazo e postular a vaga que atualmente pertence ao eficiente, mas já veterano, Joan Capdevilla.
Início longe dos holofotes
Nascido em Valladolid, Escudero não começou a jogar futebol no clube mais tradicional da cidade, mas sim no Betis Valladolid. O time atualmente milita na Primera División Provincial, equivalente à sexta divisão espanhola, mas é relativamente famoso pelo trabalho que realiza nas divisões de base, oferecendo uma boa estrutura aos garotos, que inclui um campo com gramado artificial. Os resultados da equipe adulta, porém, “expulsam” os jovens mais talentosos e ambiciosos que aspiram pelo sucesso profissional e se veem obrigados a mudar de ares para continuar a carreira.
Escudero era um deles, e, aos 18 anos, acabou se transferindo para os juvenis do Murcia, onde tinha perspectivas maiores e poderia ser visto por algum clube da primeira divisão a qualquer momento. Logo de cara, assumiu a titularidade nos juvenis e passou a figurar entre as principais promessas da equipe, arrancando, em 2009, uma convocação para a seleção espanhola sub-20 que se preparava para a disputa do Mundial da categoria, no Egito. Ele acabou preterido da lista final por José Ángel, destaque do Sporting Gijón na Série A 2008/09.
O fato de não ter sido convocado por Luis Milla não parece ter abalado o garoto, que, nessa temporada, tomou de assalto a titularidade dos profissionais do Murcia, e precisou de apenas oito partidas para chamar a atenção dos grandes do país. Destaque absoluto da equipe, Escudero já começa a pensar sobre qual será sua nova cidade, pois uma transferência é dada como certa para o verão de 2010. E tudo leva a crer que a disputa para contar com os serviços dele será bem acirrada e envolverá vários clubes grandes do país.
Disputado pelos “gigantes”
Além do supracitado Real Madrid, que já tentou levá-lo para a equipe B no ano passado, o Barcelona enviou alguns de seus observadores técnicos para assistir ao garoto mais de perto. E comenta-se que eles voltaram satisfeitos com o que viram. Valencia, Atlético de Madrid e Sevilla também mostraram interesse no jovem, cuja multa rescisória é de 15 milhões de euros. O dono do Murcia, Jesús Samper, já adiantou que não irá reduzir o valor da transferência.
Escudero foi chamado para integrar a Fúria sub-21 que jogou na última semana contra Liechtenstein, pelas Eliminatórias para a Euro da categoria. Mas ficou na reserva de Roberto Canella, que poderá ser um de seus concorrentes na seleção principal em um futuro bem próximo. A estreia, porém, parece ser apenas uma questão de tempo, assim como a afirmação em um clube da primeira divisão que se disponha a pagar a pequena fortuna da multa rescisória ou tenha muita habilidade nas negociações com Samper.
O oposto do homônimo
No Brasil, quando se ouve falar de Sergio Escudero, e inevitável a associação com o lateral esquerdo argentino que chegou no ano passado ao Corinthians e ganhou mais fama por colecionar cartões amarelos do que propriamente pelo futebol jogado. Canhoto, alto e limitado tecnicamente, o corintiano parece ser, dentro das quatro linhas, a antítese de seu homônimo espanhol.
Leve, canhoto e habilidoso, o garoto não tem medo de partir para cima dos marcadores adversários e geralmente leva a vantagem no mano a mano, fazendo bons cruzamentos para a área. Rápido e resistente, ele também consegue voltar bem para a defesa, embora as deficiências na marcação ainda saltem aos olhos de quem o vê atuar. O físico franzino faz com que ele seja frágil no jogo aéreo e perca algumas divididas contra jogadores mais robustos.
Também pesa a favor de Escudero o fato de atuar em uma posição onde há uma grande carência mundial e, justamente por isso, é cada vez maior o número de técnicos que colocam zagueiros para proteger o lado esquerdo e liberar o avanço de extremos. Fato que, por consequência, anula uma opção ofensiva do time e torna-o mais pesado dentro de campo.
A possibilidade de Escudero migrar para o meio-campo, assim como fizeram Marcelo e Royston Drenthe – para ficar só nos exemplos recentes -, também já foi cogitada e poderá se concretizar em caso de transferência. Mas, a não ser que haja uma adaptação instantânea, a mudança poderá ser um tiro no próprio pé. Afinal de contas, a concorrência no meio-campo é muito maior, e a carência na lateral esquerda não seria suprida.
Um trabalho intensivo de aprimoramento nos fundamentos defensivos faz-se, portanto, necessário para que Escudero evolua e possa jogar de fato em alto nível na Liga Espanhola. E também é importante, como em todos os casos de jogadores jovens, não queimar etapas desnecessariamente e, com isso prejudicar a carreira do lateral, que, se mantiver o bom nível demonstrado nos últimos meses e conseguir se transferir, poderá surpreender o mundo do futebol em breve.
Ficha técnica
Nome completo: Sergio Escudero Palomo
Data de nascimento: 02/09/1989
Local de nascimento: Valladolid, Espanha
Clubes que defendeu: Betis Valladolid e Murcia
Seleções de base que defendeu: Espanha Sub-21 e Sub-20
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