Dassler Marques - 09/03/2010
Para uma jovem promessa, é raríssimo haver uma segunda chance em clube grande quando não se vinga entre os profissionais. O atleta fica estigmatizado e só mesmo por três caminhos essa nova oportunidade pode ocorrer: um lastro muito grande pelo que foi feito na base, muita sorte, ou um empresário competente e influente. Por algumas dessas vias, Santos e Flamengo redescobriram jogadores que, em outros momentos, foram dados como descartados.
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O caso mais emblemático na Vila Belmiro é o de Wesley, a quem é até difícil colocar em uma posição. Lançado por Vanderlei Luxemburgo em 2007 e xodó de Emerson Leão em 2008, ele retornou à Vila Belmiro credenciado por uma boa campanha com o Atlético-PR durante o último Campeonato Brasileiro. Um dos destaques do bom time santista nesse ano, parece um jogador completamente diferente.
Inicialmente atacante com Luxemburgo, jogava aberto pelos flancos com Leão no esquema 4-2-3-1. Wesley foi promovido em um momento de grande insatisfação da torcida com o time, que patinava na Copa Libertadores e caiu já nas oitavas. Essa tensão refletiu em seu futebol, que ficou marcado por grande nível de ansiedade e pouca qualidade técnica. Estava claro que não era o momento para uma jovem promessa se afirmar.
Hoje, acima de tudo, Wesley atua em um time bem arrumado. Joga como meia externo, no mesmo 4-2-3-1, mas prioritariamente como volante ou até como lateral, papel que realizou e bem nos clássicos contra São Paulo e Portuguesa. Seu futebol está nitidamente condicionado à confiança, o que tem até permitido fazer gols improváveis. Um desses ocorreu contra o Mirassol, com Wesley batendo de canhota e de fora da área.
Cria da base palmeirense, Zé Eduardo foi uma aposta do Santos que tem dado extremamente certo. Contratado por um acordo de três meses, com Dorival Júnior se tornou arma importantíssima de segundo tempo em meio a um elenco bastante concorrido. Autor do gol salvador contra a Portuguesa, é um jogador confiante e nitidamente sabedor de que tem, provavelmente, sua última boa chance na carreira. A tendência é que seu contrato seja renovado.
Em 2004, Zé Eduardo fez o caminho que extermina tantas promessas. Arrebentava entre os juvenis palmeirenses e, com 16 anos, foi promovido por Estevam Soares sem passar pelos juniores. Incumbido de substituir Vagner Love, de partida para a Rússia, durou três jogos nos profissionais. Não fez gol, nunca mais foi escalado e rodou por quase uma dezena de equipes até virar uma aposta do Santos. Acertada até aqui.
Também foi em 2004 que Vinícius Pacheco, um /85, foi lançado entre os profissionais do Flamengo. Ficou à margem do elenco pelos dois anos seguintes, exercendo um papel de coadjuvante na conquista da Copa do Brasil de 2006. No entanto, com a troca de Waldemar Lemos por Ney Franco, foi definitivamente esquecido. Desvalorizado, acabou passando por quatro empréstimos consecutivos: Paraná, Ipatinga, Belenenses e por fim Figueirense, clube que recebeu ainda Egídio, Paulo Sérgio e Rômulo, outros jovens esquecidos na base do Fla.
Resgatado para 2010, rapidamente se tornou um dos principais destaques do remodelado campeão brasileiro. Ofuscando Petkovic, Vinícius Pacheco foi atração no intrépido Fla-Flu da Taça Guanabara e não saiu mais do time de Andrade. Em uma equipe bem encaixada e mais maduro, ficou evidente que Vinícius, de fato, tinha qualidade, e hoje é difícil vê-lo de fora da equipe titular. Só foi vítima dos momentos ruins do clube e de sua própria juventude.
Outro que renasce neste ano é Bruno Mezenga. Considerado um craque já na adolescência, ganhou sua primeira chance entre os profissionais aida com 16 anos, em 2005. Era um momento tétrico para o clube como um todo e o Flamengo, em 2008, enviou Bruno ao Macaé. Mal, foi emprestado para a segunda divisão turca. É inacreditável, mas o jovem centroavante renasceu no Orduspor.
Marcou 21 gols e retornou para o segundo semestre do ano passado, tendo atuado em sete partidas do título brasileiro. Mesmo assim, pasme: só em 2010 é que Bruno Mezenga conseguiu seus primeiros gols com a camisa do Fla. Se mostra um centroavante mais frio e acima de tudo virou um bom finalizador. Tão diferente em relação àquele jogador de 2005.
Os casos de Wesley, Zé Eduardo, Vinícius Pacheco e Bruno Mezenga mostram que, muitas vezes, a aposta em um jogador desacreditado que era muito bom na base pode dar resultado. Mostram também, principalmente, o quanto o momento ruim de um clube pode exterminar rapidamente um atleta com capacidade.
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