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O futuro não é o bastante

Roth, o primeiro Dunga

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Marcus Alves - 11/03/2010

Ronaldinho quer ir à Copa do Mundo. Não só essa. Mas também a próxima, do Brasil. No entanto, tudo leva a crer que o jogador ficará apenas no desejo. Mais do que puro palpite. Dunga dá cada vez mais sinais de que o meia-atacante do Milan só será chamado em caso de uma catástrofe de proporções ainda maiores do que aquela que estamos acompanhando com Adriano. Sendo assim, salvo um imprevisto como esse, e olhe lá, dificilmente o veremos nos gramados sul-africanos.

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Não se trata de uma vingança pela forma como o craque humilhou o treinador da Seleção num Grenal em 1999. Nada disso. Chegaram a levantar essa tese – algo por mais ridículo que seja, válido, porque acontece, mesmo -, porém, a refuto. É mais fácil e prudente encarar a situação como ela pede. Ou seja, como um cenário natural em que um técnico tem preferência por esse ou aquele atleta. Simples assim. O próprio Ronaldinho sabe disso. Ou deveria.

Afinal de contas, não é a primeira vez em sua carreira que ele se depara com tamanha rejeição. Como esquecer Celso Roth, um treinador a quem tanta gente credita, com razão, o seu lançamento entre os profissionais, mas que, por outro lado, só teve coragem para fazê-lo a muito custo? Não dá. Foi uma das primeiras polêmicas que o jovem até então conhecido “apenas” como Ronaldo se deparou em seus primeiros passos no futebol.

E, convenhamos, por mais precoce que pudesse ser considerado naquela altura, era mais desconfortável do que agora. Vá lá, hoje em dia, podem ocupar a sua vaga na seleção nomes como Nilmar, Kaká, Julio Baptista e Elano. Não são jogadores, exceção feita talvez ao madridista, que encantem pela magia que exibem nos campos. De qualquer forma, conquistaram algo em suas andanças pelo mundo. Diferentemente de Itaqui e Zé Alcino.

Sim, era com essas duas nobres figuras do planeta bola que Ronaldinho precisava lutar em 1998 para conquistar o seu espaço no Grêmio. Os dois contavam com a simpatia de Roth, que fazia vista grossa na época a quem sugerisse a utilização do garoto dentuço entre os titulares. Foram apenas seis jogos naquela temporada. Ninguém entendia muito bem as razões do treinador para bancar aquela opção.

Ok, Ronaldinho não era o jogador mais maduro– as diversas broncas do técnico sobre ele falam por si só -, mas como evoluir se não jogando? Essa era uma das questões que recaíam sobre Roth. O comandante pulso firme, que mais adiante viria a trabalhar com Diego e Robinho no Santos, só foi ceder ao talento de Ronaldinho na temporada seguinte, após apresentações como aquela do dia da eliminação da Copa do Brasil, em que o meia-atacante, se contasse com alguém que realmente apostasse em suas credencias, teria levado o time adiante.

Ele ainda prendia demais a bola naquele fim de década. Era um fato. Hoje, não mais. As gordurinhas que acompanharam a sua viagem até Pequim também. Prender-se ao passado é sinal de conservadorismo. Um traço pouco conveniente para um treinador que, em sua primeira incursão pela profissão, acredita-se, pretende triunfar nessa nova área. Roth cedeu em 1999 ao potencial demonstrado por Ronaldinho. Dunga pode fazer o mesmo agora. Um exemplo do passado, dentre os tantos que ele busca para se espelhar, existe. É questão apenas de mirá-lo.

Curtas

- Devido a compromissos profissionais, o colunista foi obrigado a se ausentar nas últimas semanas e pede desculpas.



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