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Rafael: “Tenho chance de ir para a Copa”

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Rafael Reis* - 29/11/2008

O lateral-direito Rafael ainda não completou nem seis meses como atleta profissional, mas já sabe bem quais sãos os próximos passos que precisa dar. Arrogância? Que nada. O que sobra a ele é consciência de que fazer parte do grupo adulto do Manchester United com apenas 18 anos é algo para poucos.

Em entrevista concedida ao repórter Rafael Reis, da Folha Online, ex-colunista e um dos fundadores do Olheiros, a revelação brasileira fala da reviravolta na sua carreira após abandonar o Fluminense, da convivência diária com figurões como Cristiano Ronaldo e, principalmente, traça suas metas para o futuro: a chegada à seleção principal e o sonho de disputar uma Copa do Mundo.

Confira abaixo a entrevista:

Olheiros – Você ainda é um adolescente, mas já virou um adulto no mundo do futebol. Como é a sua vida aí em Manchester. Dá para continuar sendo um adolescente comum?

Rafael – Agora é mais difícil ter uma vida de adolescente, porque estou treinando e jogando. Mas, em casa, eu levo minha vida de sempre. Não sou um adulto. Quando é para brincar, eu brinco.

Olheiros – Como o Manchester United chegou até você e seu irmão? O assédio foi direto ou passou pelo Fluminense?

Rafael – A gente disputou um campeonato fora e o Manchester se interessou. Mas eles tiveram uma postura muito boa. Eles procuraram o Fluminense primeiro e só depois foram falar com a gente.

Olheiros – Antes dessa negociação com o Manchester, vocês foram procurados por outros clubes europeus?

Rafael – Teve sim. O Arsenal e o Real Madrid. O Arsenal veio diretamente a nós e o Real também, mas não diretamente.

Olheiros – Como é a sua convivência com o Cristiano Ronaldo. Como é estar ao lado de um cara que, até pouco tempo, era um ídolo para vocês?

Rafael – Eu considero ele um amigo hoje e ele também me considera um amigo. Isso é bom, não por ele ser o Cristiano Ronaldo, mas por ser mais um amigo. Ele não é nem um pouquinho arrogante, é uma pessoal normal como todas as outras.

Olheiros – Quais as recomendações que o Ferguson te passa?

Rafael – As coisas normais de futebol. O Ferguson não é muito específico. Ele pede as coisas que ele percebe que eu posso melhorar, não que preciso melhorar.

Olheiros – Quem são os seus melhores amigos dentro do grupo do United?

Rafael – Tem bastante gente que me ajuda: os portugueses, o Anderson, o Rodrigo [Possebon], o Rio Ferdinand, o Vidic.

Olheiros – Você e o Fábio são laterais brasileiros bem típicos, que apresentam um comportamento bastante ofensivo. Os dois atletas que disputam vaga com você, Wes Brown e Gary Neville, primam mais pela defesa. Como você está se adaptando a essa nova forma de jogar, priorizando a marcação?

Rafael – Está indo normal. Todos os técnicos que trabalharam comigo desde que eu comecei a jogar de lateral sempre falaram que eu tinha que ficar mais atento à marcação, porque sempre fui mais ofensivo. Não é só aqui que eles falam isso.

Olheiros – O Brown é um zagueiro de origem que atua improvisado pela lateral, enquanto o Gary Neville já é bastante experiente e não tem mais o fôlego de um jovem. Já dá para almejar o posto de titular do Manchester?

Rafael – Acho difícil nesta temporada, porque tenho só 18 anos e não jogo os jogos mais importantes. O Ferguson é um bom treinador porque sabe a hora certa de colocar um jogador. Mas, daqui um ano, acho que já dá, sem dúvida.

Olheiros – E como está o Fábio, que foi o melhor jogador brasileiro no Mundial sub-17 do ano passado? Ele esperava ter as mesmas oportunidades que você está recebendo?

Rafael – Meu irmão machucou na pré-temporada [precisou operar o ombro], até por isso não está jogando. Agora, ele voltou a correr e deve voltar a jogar em uma ou duas semanas. Ele também tem a dificuldade do setor dele, que é mais difícil do que o meu.

Olheiros – Você tem sido bastante elogiado pelo Ferguson e também pela imprensa brasileira. Já é possível pensar em uma convocação para a seleção brasileira principal?

Rafael – Eu acho que tenho que ter calma, porque sou novo. Penso em seleção, mas acho que vou ganhar meu espaço aos poucos. Todo mundo pensar em chegar à seleção, mas é uma coisa que acontece naturalmente. É lógico que fico feliz por todo mundo estar falando de mim. Fiquei sabendo que falaram que sou lateral para uma década.

Olheiros – Mas você acha que ainda dá tempo de conseguir uma vaguinha na seleção a tempo de jogar a próxima Copa?

Rafael – Chance eu tenho de ir para a Copa, é só trabalhar aqui. São 23 jogadores. Seria um sonho para mim, mas não posso ficar pensando nisso, porque se eu não for, vou acabar ficando mal.

Olheiros – Você pertence a uma geração que terá a oportunidade de disputar uma Copa do Mundo em casa. Já parou para pensar nisso?

Rafael – Já pensei bastante nisso. Vai ser sensacional. Vou ter 24, 25 anos, que é uma ótima idade para disputar a Copa.

Olheiros – E qual é essa história de que vocês foram procurados para jogar por Portugal?

Rafael – É verdade. É uma porta que se abriu, mas não penso muito nisso agora, porque sou bem brasileiro mesmo. Eu não penso nenhum pouco em jogar por Portugal, mas se daqui uns cinco ou seis anos eu perceber que [defender a seleção brasileira] é uma coisa que não vai acontecer...

Olheiros – O Manchester United ganhou tudo na última temporada. Há muita pressão dentro do clube para isso se repetir neste ano?

Rafael – Time grande tem pressão sempre. Não tem como não ter. A pressão vai existir hoje.

Olheiros – Às vezes, você pára e pensa o que teria sido de sua carreira se continuasse no Fluminense. Em algum momento já se arrependeu da decisão?

Rafael – Do jeito que estou aqui agora, não dá para bater arrependimento. Eu fiz tudo o que tinha para fazer lá. Só não joguei no profissional não sei por que. Estou feliz aqui.

*Repórter da Folha Online



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