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CSP'09: bizarrices da Copinha

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Lincoln Chaves - 29/01/2009

Todo campeonato que se preze tem seu lado B, e com a Copa São Paulo, não poderia ser diferente. É impossível que um torneio que reúne jogadores de todo o país, vindos de mais de 80 clubes, com atletas e mesmo diretorias que ainda estão a caminho da profissionalização, não tenha suas peculiaridades, que vão desde a composição das próprias equipes, em todos os sentidos que isso possa representar.

Com o término da Copinha, Olheiros foi buscar algumas das principais "bizarrices" da competição de base mais importante do Brasil. Relembre agora alguns dos nomes e apelidos mais diferentes, algumas das cenas mais curiosas, e algumas das lambanças mais curiosas dessas semanas que marcaram o início das atividades futebolísticas no Brasil em 2009.

Pode me chamar de...

Inquestionavelmente, a quantidade de nomes diferentes e até engraçados foi uma das marcas dessa edição da Copinha. Várias listas já rodaram a internet, com os apelidos mais curiosos de jogadores que estiveram no torneio. O Castanhal (PA), se não avançou à segunda fase da competição, certamente foi um dos vencedores no quesito nomes e apelidos diferentes. No mesmo time, era possível de encontrar São Miguel (cujo nome é Smayk), Bilau, Deybson e Pikachu. Esse último, aliás, fez um dos gols do clube paraense contra o Palmeiras. E era visível que o narrador da partida segurou uma manifestação mais animada (leia-se riso) quando citou o nome de guerra do artilheiro.

Mas não nos esqueçamos de alguns dos nomes famosos da música que também deram as caras na Copinha. O falecido John Lennon foi lembrado pelos pais de pelo menos quatro garotos, como Lenon (Flamengo) e John Lenon (Atlético Sorocaba), por exemplo. O Cuiabá (MT), pode-se dizer, foi o campeão, com dois xarás do inglês: João Lennon e Lennon. Na falta de mais gringos, una-se a eles Djavan (Ferroviária) e Dejavan (Marília). E se a memória não for tão curta, por que não recordar da banda Titãs e de uma de suas músicas de maior sucesso, remetida por Marvyn, do Maranhão?

Indo um pouco mais longe, pode-se chegar aos times e seus curiosos apelidos e histórias. A mais estranha, talvez, seja a do Taubaté, cuja alcunha é Burro da Central. Tudo porque, em 1954, após um jogador ter atuado sem as documentações necessárias na vitória da equipe frente ao Comercial de Ribeirão Preto, pela segundona paulista, a equipe perdeu os pontos ganhos em campo. Nisso, o jornal Gazeta Esportiva fez referência ao clube em uma charge com o desenho de um burro. Curiosamente, a piada foi adotada pelo então "Gigante do Vale", e hoje os próprios torcedores gritam "Burro" em prol do time. Vale também a menção aos "Tourões" do Norte (Araguaína, de Tocantins) e dos Canaviais (Sertãozinho).

Se contar, ninguém acredita

Não é só de lances bonitos que vive a Copinha. Alguns momentos da competição chegam a ser cômicos, para não dizer, em muitos casos, tristes, demonstrando que, no fundo, ainda há um grande caminho a ser percorrido no que diz respeito à profissionalização de jogadores, comissões técnicas e equipes. Vejamos alguns exemplos.

Grupo C, dia 6 de janeiro. Cruzeiro e Baré (RR) se enfrentam em Itu. E o time de Roraima surpreende ao adentrar o gramado com apenas nove atletas (!). Tudo porque parte dos demais jogadores, que era de outros estados, tinha acabado de chegar à cidade paulista, sem condições de jogo. No banco, o time do Norte tinha apenas três atletas. Em ritmo de treino, os mineiros fizeram 4 a 0, e viram o Baré protagonizar, talvez, o momento mais alternativo da edição deste ano da Copa São Paulo.

Oitavas de final, dia 18 de janeiro. Avaí e Goiás decidiam vaga nas quartas de final da competição. No entanto, o jogo começou com certo atraso por uma situação bastante inusitada. O médico da partida esqueceu o documento do Conselho Regional de Medicina (CRM), que o autoriza a trabalhar. Sua esposa trazia o documento para o estádio e, enquanto isso, nada da bola rolar. Se isso soa engraçado agora, não o deve ter sido para jogadores avaianos e esmeraldinos, muito menos para os demais envolvidos com a partida...

Tão desconcertante quanto isso foi a quebra da maca durante o jogo entre Atlético-MG e Juventus, em Americana, no meio do trajeto que levava Marcos Arthur, meio-campista do Galinho, para ser atendido na lateral do gramado. Com isso, o jogador acabou tendo que pular como um saci para sair de campo, devido à impossibilidade da maca – que, a bem da verdade, não teve a mesma sorte do atleta, que conseguiu voltar a campo, e acabou substituída após o incidente, sem previsão de retorno aos gramados.

Americana, aliás, também foi palco de três "frangos" incríveis, pela segunda rodada do grupo. O caso é bizarro pelo fato de todos terem ocorrido no mesmo gol, e por apenas um dos tentos assinalados neste lado ter saído, por assim dizer, de maneira natural. Na vitória dos mineiros sobre o Sergipe, o arqueiro nordestino Wallace foi o primeiro a cair na "maldição", ao se enrolar com uma bola despretensiosa e deixá-la limpa para o gol de Gabriel. Perón, do Juventus, foi o segundo da fila, ao se atrapalhar com a pelota e ajudar Jean a marcar para o Rio Branco. E o próprio Tigre, na etapa seguinte, também seria afetado, já que Pegorari aceitou cabeçada fraca de Johnatan para fazer o gol de honra do Moleque Travesso na partida.

E a imprensa não poderia ficar de fora! Uma confusão total de comunicação deixou dúvidas sobre quem, de fato, avançara às quartas-de-final da Copinha: Fortaleza ou Atlético-PR? Algumas emissoras, como Sportv e ESPN Brasil, que transmitiam a rodada ao vivo, e sites como o Terra, deram a informação de que o time cearense havia avançado à próxima fase da competição, nos pênaltis. Nisso, vem a notícia de que a partida ainda não terminara. Em seguida, novamente, ouve-se que o Leão foi o classificado. Apenas depois dessas rateadas é que veio à tona o fato: foi o Furacão que avançou, contra tudo que vinha sendo anunciado.

Mas nem tudo que é bizarro é, necessariamente, deprimente ou triste. Pode, por que não, ser algo até louvável (seja isso conscientemente ou não). O Internacional acabara de vencer o Araguaína (TO) por 3 a 0, pela segunda rodada da primeira fase, e o zagueiro Bregalda, que atuou na competição no ano passado, foi o autor do terceiro gol da partida. Até aí, nada demais, não fosse o fato que, quando entrevistado após o término da partida, o defensor se declarou à namorada, praticamente pedindo-a em casamento em rede nacional. Aparentemente, Bregalda não tinha muita dimensão do que falava, até por estar visivelmente sem jeito para se explicar. Resta saber se o romântico zagueiro colorado cumprirá o que proferiu aos jornalistas, e fará sua namorada (ou futura esposa?) feliz.

Times e jogos para esquecer (ou lembrar?)

Toda edição da Copinha tem aqueles times que ficam marcados pelas goleadas estrondosas que sofreram ao longo da competição. Muitos deles, há de se ponderar, por inúmeras razões, não têm a mesma preparação e estrutura das equipes que aplicam os massacres. Na edição desse ano, Jacareí e Juventus (AC) foram duas das vítimas dessa situação, sofrendo impiedosos 10 a 0 de Atlético-PR e São Paulo, respectivamente.

Vale lembrar, ainda, que o Jacareí entrou na partida com chances de classificação à segunda fase, já que vencera o Porto (PE), equipe que empatou no jogo anterior com o Furacão. Já o time acreano deu certo trabalho ao bom Rio Claro, que quase superou o tricolor paulista no último confronto da fase de grupos, antes de cair frente à equipe do Morumbi. O que torna ainda mais bizarras as goleadas da maneira que ocorreram.

Mas o campeão dessa vez foi o pobre Maranhão, cuja preparação foi retratada em Olheiros. Após uma exibição surpreendente contra o bom Pão de Açúcar, campeão paulista sub-17, na primeira rodada, perdendo apenas por 1 a 0, com um gol no final do jogo, a dura realidade veio a tona nos demais jogos. Goleadas de 7 a 0 para o Goiás e 8 a 0 para o Mirassol colocaram o time do Nordeste como o dono da pior campanha dentre os 88 participantes da edição deste ano.

Outro registro válido é que a partida com mais gols na Copa São Paulo 2009 também veio através de um massacre: em Barueri, o São José (RS) não tomou conhecimento do Londrina, despachando os paranaenses na última rodada da fase inicial com um sonoro 8 a 3. Placar próximo do que foram os 8 a 1 que o América (MG) aplicou no Ypiranga (AP), também na partida final da fase de grupos. Pois é... Os anos passam e a Copinha ainda tem resultados bizarros. O que, aliás, é outra de suas marcas registradas.

Embora não tenha sido massacrado por ninguém, o Atlético-MG, dono de três títulos da competição e reconhecida academia de talentos, também entra nessa lista bizarra. E como se está no clima da entrega do Oscar, o Galo, caso fosse um longa-metragem, seria o vencedor do prêmio Framboesa de Ouro. Afinal, em um grupo com um Rio Branco (SP) irreconhecível, um Juventus limitado e o Sergipe, ser eliminado ainda na primeira fase, com direito a um 3 a 0 para o time da casa que em nenhum momento repetiu o futebol vice-campeão em 2008, e nem passar perto da segunda etapa do torneio, ficando na terceira posição de sua chave, foi uma decepção total.

Seleção B(izarra)

Confira quem foram os jogadores que, para o Olheiros, deveriam figurar na seleção mais bizarra da competição. Olho neles (e alerta também!):

Busatto (Grêmio); Tiago Lopes (Santos), Guilherme (Corinthians), Tiago Souza (Vasco) e Bruno Collaço (Grêmio); Filipe Soutto (Atlético-MG) Fernando (Palmeiras) e Dico (Vasco); Fabinho (Internacional); Ronieli (São Paulo) e Rafael Rodolfo (Corinthians).

Colaboraram Dassler Marques, Gustavo Vargas, Maurício Vargas, Marcus Alves e Pedro Venâncio.



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