Olheiros | porque o mundo do futebol se renova

Ponto futuro

Camisas pesadas

Assine nosso RSS

Maurício Vargas - 04/04/2009

Se a Eurocopa é considerada por muitos a Copa do Mundo sem Brasil e Argentina, a edição 2009 do Europeu Sub-17 pode ser encarada como o Mundial da categoria sem os dois países sulamericanos. Após uma etapa eliminatória emocionante, a fase final do Juvenil do Velho Continente conheceu esta semana os grupos e os classificados para a disputa que acontece na Alemanha, de 6 a 18 de maio. Com seis vagas para o Mundial da Nigéria em jogo, a briga promete ser acirrada.

>>> Espanha foi a última campeã européia sub-17
>>> Olheiros falou com Bruno Formigoni, destaque dos juniores do São Paulo


Atual bicampeã, a Espanha chega com força para reafirmar seu domínio na categoria: é a maior vencedora, com oito títulos. Além disso, ninguém chegou mais vezes entre os quatro primeiros que a Fúria – foram 17 semifinais em 26 campeonatos. No Elite Round, apesar das dificuldades (empate com a Bélgica e vitórias magras contra o Casaquistão, de virada, e a República Tcheca), os destaques ficaram para quem se imaginava: Borja González, atacante do Juvenil A do Atlético de Madrid, que já tem sido observado por Abel Resino (marcou cinco gols em um treinamento com os profissionais, na semana passada), e Pablo Sarabia, meia canhoto do Real Madrid que já chama a atenção há algum tempo, a ponto de ser sondado pelo Arsenal ainda em 2007. Dos cinco gols espanhóis, González marcou três, e Sarabia dois.

No mesmo grupo, a França terá a chance de se vingar da humilhante derrota sofrida para a Espanha na final do ano passado. O forte da equipe é a defesa: os garotos com mais rodagem nas seleções de base do país são Darnel Situ (capitão do sub-17, do Lens), Dennis Appiah (AS Monaco) e Atila Turan (Grenoble). O meia Yeni Ngbakoto, do Metz, tem comandado o time ofensivamente, ajudado por Alexandre Coeff, do Lens, e Chris Gadi, promissor atacante do Olympique Marseille e um dos caçulas do elenco, ainda com 16 anos. Entretanto, por mais que sejam candidatos fortes à classificação, a sensação que se tem é que a geração não é tão promissora quanto as anteriores.

Sem tanta tradição na categoria, a Itália por pouco não ficou de fora do Elite Round, mas subiu de produção na hora certa. Classificada na primeira fase apenas entre os melhores segundos colocados, a equipe de Pasquale Salerno foi perfeita no quadrangular realizado na Áustria e eliminou a forte equipe dona da casa, além de Escócia e Geórgia, com três vitórias. O atacante Giacomo Beretta, do surpreendente Albinolefe (terceiro lugar no Grupo B do Primavera), foi o destaque com três gols. Como o torneio é para nascidos em 1992, o comentado Davide Petrucci, que no ano passado foi da Roma para o Manchester United, fica de fora, mas um nome diferente chama a atenção: Stephan El Shaarawi, lateral-esquerdo italiano de pai egípcio, estreou em novembro pelo time profissional do Genoa e é titular da seleção sub-17. 

Completa o grupo a surpreendente seleção suíça, que se classificou na bacia das almas na primeira fase mas bateu Grécia, Polônia e Eslovênia (esta última por 6 a 0) para conquistar sua segunda participação consecutiva, mostrando a força do sistema de revelação de talentos do país, responsável pelo título da categoria em 2002, que rendeu nomes como Philippe Senderos e Tranquillo Barnetta. O time atual deposita as esperanças de gol em Nassim Bem Khalifa, do Grasshoppers, e tem alguns garotos internacionais como o goleiro Benjamin Siegrist, do Aston Villa, o zagueiro Frédéric Veseli, do Manchester City, e o meiocampista Matteo Fedele, do Lille.

Laranja mecânica

Se Espanha e França repetem a última final no grupo A, no B é a vez de Turquia e Holanda medirem forças, após os turcos terem sido campeões em 2005. As duas seleções, aliás, foram derrotadas nas semifinais do ano passado, provando estarem em um ótimo momento. A Holanda foi o melhor time das Eliminatórias, empatando na estreia com o Chipre, mas depois passando por cima dos adversários: 3 a 0 na Letônia e 5 a 2 na Itália na fase inicial; depois, triunfos sobre Croácia, Azerbaijão e Luxemburgo sem sofrer um gol sequer, credenciando-a a favorita ao título. 

O grande nome dos Oranjes é Oguzhan Ozyakup, meia de origem turca que já defende as categorias de base do Arsenal desde 2007, quando deixou o AZ Alkmaar. Aos 15 anos, foi convocado diretamente para a seleção sub-17, o que mostra seu caráter precoce. Habilidoso e bastante rápido, é comparado muitas vezes a Luís Figo e Marc Overmars, ainda que possua características mais centrais do que verdadeiramente de um winger. Vale ficar de olho também na dupla do Feyenoord: Luc Castaignos, centro-avante de boa estatura que já tem contrato profissional, e Shabir Isoufi, artilheiro da sub-17 nas eliminatórias com cinco gols.

Pelos lados da Turquia, o atacante Muhammet Demir, que atua pelo sub-19 do Bursaspor, marcou seis gols na primeira fase, mas não fez parte do elenco que jogou o Elite Round. Em seu lugar, Hasan Ahmet Sari teve papel fundamental na classificação para a terceira participação no Europeu da categoria em cinco anos. Como todos os garotos atuam no futebol do país, fica mais difícil obter informações a respeito da equipe de Abdullah Ercan, lateral da seleção que se aposentou em 2006.

Fora da fase final do ano passado, após ter ficado com o vice em 2007, a Inglaterra chega com um time cercado de ótima expectativa. Encabeçados por Jack Wilshere, astro das bases do Arsenal (que já foi tema de Fique de Olho), os Young Lions apostam nos gols de Jose Baxter, do Everton, e Luke Freeman, que também já estreou pelo time profissional dos Gunners, e tem ainda sobrenomes conhecidos: Jacob Walcott, segundo o site da FA, é primo distante de Theo e Gary Gardner é irmão de Craig, fardando também no Aston Villa. Figuras como John Bostock e Ryan Tunnicliffe, além do já comentado Emmanuel Frimpong completam um elenco recheado de promessas. 

Finalmente, a anfitriã Alemanha sentirá muitas saudades da dupla de ouro do sub-17 de 2007. Kroos e Sukuta-Pasu já fazem parte do sub-19 e os gols agora ficarão por conta de Lennart Thy, atacante de 1,82m do Werder Bremen. A estatura é uma arma da equipe de Marco Pezzaiuoli: dos prováveis titulares, apenas o meia-atacante Yunus Malli, do Borussia Mönchengladbach, tem menos de 1,80m. O conjunto forte e o fator campo podem pesar, compensando o déficit técnico em relação a times como Espanha e Holanda.

Os dois primeiros colocados de cada grupo avançam às semifinais. O Europeu Sub-17 classifica para o Mundial da categoria, em novembro, na Nigéria, os seis melhores (os terceiros colocados também carimbam o passaporte). Com tantas camisas pesadas, a certeza é de jogos por demais interessantes. Só para se ter uma idéia, nomes como Wayne Rooney e Cesc Fàbregas foram estrelas do torneio nos últimos anos. Esperamos que a história se repita.



Colunas anteriores:

Todos direitos reservados olheiros.net | Copyright reserved 2008

Triares