Mozart Maragno - 05/04/2009
Quando falamos de seleção brasileira sub-17 aparece logo uma dualidade. Os grandes talentos canarinhos tem passado por ela, ao passo que tem sido, também, fonte dos famosos foguetes molhados. Especialmente no sulamericano da categoria, tivemos vários jovens que fizeram a diferença no torneio e depois não cumpriram nas equipes de cima a mesma prestação qualificada. Essa "infeliz coincidência" fez com que elaborassemos um especial de dez nomes nesse perfil, embora com ressalvas aos últimos garotos, pois ainda há possibilidade de vingar no futebol. No entanto, já chegam num estágio perigoso da carreira, onde poucos acreditam na volta por cima.
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Portanto, poderia citar Júlio César, Fábio Aurélio, Juan, Ronaldinho, Diego, Ederson, Anderson, Renato Augusto, Denílson, Marcelo, Fábio, Rafael, entre outros que estão num bom caminho para atestar que a seleção sub-17 é uma fonte de talentos. Porém, seria leviano esquecer o lado B, ou aqueles que ficam pelo caminho, na roda viva que o futebol profissional impõe. Em alguns casos, o destaque veio mais pela difirença física ou por atributos que não fariam a diferença quando subissem. Em outros, o fator psicológico parece determinante ao capitularem inapelavelmente diante das cobranças. São sete gerações, em 12 anos, que veremos representadas a seguir.
Kléber (1995)
O bom baiano Kléber era considerado mais uma jóia da camsa 10. Num estilo semelhante a Dener, com um pouco mais de cadência, conseguia se destacar nas categorias de base do Vitória, sendo requisitado por Toninho Barroso na seleção sub-17 de 1995. Naquela seleção era mais badalado que qualquer outro atleta de talento, que com sua ajuda foi campeã sulamericana e vice-mundial no Equador. Se Apiah e companhia não permitiram o título Mundial para Kléber, a vida futebolística seria ainda mais cruel. Desde que subiu no Vitória, incrivelmente não parou mais de descer e jamais atingiu o nível que encantou na Sub-17. Atualmente, tenta assimilar o ostracismo no pequeno Madre de Deus, na sua Bahia.
Marco Antônio (1995)
O prodígio tricolor sempre foi considerado um atacante rápido e moderno, como vemos hoje nos argentinos Lavezzi e Tevez, inclusive com capacidade goleadora. Acontece que o são paulino sempre ficou no quase. Na Sub-17, recebia os passes açucarados de Kléber e enchia as redes adversárias. A partir de então, o declínio foi tão avassalador, que sequer à seleção sub-20 chegou. Seu "auge" foi no futebol nordestino, sobretudo no Santa Cruz, quando teve papel importante no Estadual e na Série B. Vale lembrar que ele é cria do Botafogo de Ribeirão Preto, antes mesmo de ir ao Morumbi. Recentemente, retornou ao futebol do interior paulista, dessa vez para defender a Ferroviária.
Fábio Pinto (1997)
A potência de Fábio Pinto impressionava na seleção sub-17 de 1997. Talvez justamente por seu jogo ser baseado em força e velocidade é que não vingou entre os profissionais. Nem mesmo na base do Internacional fez tanto sucesso quanto naquela equipe de Carlos César, campeã sulamericana e mundial da categoria. Diferetemente dos companheiros Fábio (goleiro) e Ronaldinho, duas referências que tem uma carreira sólida, penou sempre a partir de seu ingresso no time de cima. No Inter e nem em times de ponta fez coisa alguma. A escolha pelo Oviedo, logo no início de carreira, também prejudicou. Não por acaso, restou militar no "poderoso" Pakhtakor Tashkent, do Uzbequistão.
Léo Lima (1999)
O Madureira forneceu a dupla inseparável Léo e Souza ao Vasco e à seleção sub-17 de 1999. Ingressaram em São Januário, levados por Nílson Gonçalves, à época supervisor da base da CBF. No Uruguai, Léo foi sublime, sobretudo na semifinal que classificou o Brasil ao Mundial da Nova Zelândia. Fez dois golaços diante dos argentinos no Estádio Centenário, o que denotaria uma promissora carreira para esse meia talentoso. Acontece que o extra-campo foi implacável com o garoto. Em 2001, teve alguns bons momentos no Vasco, bem como no título carioca de 2003, com direito ao famosos lance de letra. No Santos e Palmeiras espasmos, mas nunca se firmou. Tenta recuperar a carreira, mais uma vez, no Gigante da Colina.
Cacá (1999)
Lucas de Deus Santos, mais conhecido por Cacá, é irmão de Dedê, lenda do Borussia Dortmund, numa família de vários irmãos jogadores de futebol. Como o lateral, iniciou sua trajetória no Atlético-MG, alçado ao selecionado nacional sub-17 como referência técnica. Carlos César deu a camisa 10 a ele, com a responsabilidade de trazer o bicampeonato mundial. Até ali, cumpriu bem a missão. No Galo subiu com seu parceiro de base Kim, onde tiveram algum sucesso de início. A irregularidade fez com que precipitasse sua saída, e, com a ajuda do irmão, vestiu a camisa do Duisburg. Após um breve retorno ao Galo, cumpre carreira consistente no futebol dinamarquês desde 2006, pois atua no bom Aalborg.
Leandro Bonfim (2001)
Pelezinho era o apelido de Leandro na base do Brasil. Vejam bem a responsabilidade da coisa. Ele, de fato, parecia um talento fabuloso. Muita visão de jogo, aliada a extrema qualidade na batida de bola. No Vitória foi precoce ao subi-lo em um jogo contra o São Paulo no Morumbi, quando foi titular e logo transferido ao PSV. Início promissor, onde esteve em alguns jogos da Liga dos Campões com 18 anos e sendo destaque. A partir dali muita coisa atrapalhou, principalmente as lesões. Algo que o acomete até hoje, aliás. Leandro tentou Porto, São Paulo, Vasco e, agora, Fluminense. Essas mudanças constantes de clube só prejudicaram a eterna promessa, campeã sulamericana sub-17 de 2001.
Evandro Roncatto (2003)
Atacante rápido e rompedor, Evandro Roncatto seria mais uma jóia da base bugrina. Embora vice-campeão sulamericano na Bolívia, trouxe o caneco mundial e o troféu de segundo melhor jogador do torneio, só perdendo para o World Class Cesc Fàbregas. No Guarani, tentou muito e nada. O momento do clube, claro, não favorecia ninguém a se dar bem. Entretanto, o futebol é implacável com a falta de redimento. Começou a virar o tradicional "cigano da bola" para tentar se firmar em algum lugar. Parece que o lugar é o Belenenses, onde não empolga. Está longe do que prometia após o Mundial da Finlândia. Dificilmente escapará da pecha de foguete molhado.
Abuda (2003)
Parceiro de Roncatto no ataque da seleção sub-17 de 2003, Abuda teve começo bem promissor no Corinthians. Fez gol na sua estréia, diante do Gurani, no Pacaembu, ainda em 2003. Seu calvário começa a partir das noitadas e do deslumbramento. O maranhense, de família muito pobre, não segurou a cabeça e o clube mosqueteiro preferiu emprestá-lo ao Náutico. Desde então, evidentemente, tudo ficou mais difícil. Sua passagem pelo Wolfsburg foi obscura, bem como pelas divisões de acesso do futebol alemão. Pouco jogou. Recentemente, esteve até bem na volta do Avaí à Série A. Entretanto, após esse momento feliz, não conseguiu mais que ganhar uma grana no interior paulista, onde atua pelo Marília.
Kerlon (2005)
O Sulamericano sub-17 que o foquinha Kerlon fez na Venezuela é de almanaque. Atuações espetaculares, gols, e caneco. Além disso, sua jogada marcante ganhou as manchetes e matérias de TV. Um meia talentoso, goleador e ainda com uma marca registrada, em demonstração de habilidade. Não foi ao Mundial do Peru por lesão. Mal sabia que seria sua sina até aqui, mesmo, ainda, aos 21 anos. Duas lesões gravíssimas no joelho o deixaram quase dois anos no estaleiro. Nas poucas vezes que jogou pelo seu clube formador, o Cruzeiro, mostrou-se afobado demais. Conseguiu uma transferência para o Chievo Verona. Porém, não tem jogado. O motivo é o de sempre - mais uma lesão.
Lulinha (2007)
Um dos maiores artilheiros das categorias de base do futebol brasileiro. Essa é a credencial de Lulinha, campeão, artilheiro e MVP do Sulamericano Sub-17 de 2007. Chamado pela Conmebol de "presidente del gol", parecia que iria arrebentar no time de cima do Corinthians. Ledo engano. Em dois anos, acumulou frustrações, e viu amigos, como Dentinho, se firmarem, justamente, nesse período. Claro que ainda é cedo para afirmar se o menino vai vingar ou não. Sabemos, porém, que não conta mais com o carinho da fanática Fiel e seu clima em Parque São Jorge também não é dos melhores. Tem em Wágner Ribeiro um excelente suporte para conseguir um outro clube que permita seu crescimento, Caso contrário, será mais um jovem a sucumbir frente às expectativas.
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