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Submundo da bola

Uma perda quase irreparável

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Dassler Marques - 14/04/2009

Nada menos que 13 dos 33 integrantes do elenco do Grêmio, vice-campeão brasileiro de 2008, eram formados no próprio Estádio Olímpico. Entre esses, titulares como Léo, Rafael Carioca, Willian Magrão e Hélder, além de outros importantes como Thiego, Felipe Mattioni e Douglas Costa. Os créditos desse trabalho caíram principalmente na conta de Celso Roth, que desde sua passagem pelo Internacional, em 1997, provara confiar em jovens criados em casa. Ninguém, praticamente ninguém, se lembrou de Julinho Camargo.

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Dirigindo os juniores gremistas desde 2005, foi justamente pela falta desse reconhecimento, entre outros motivos, que Julinho pediu o boné na última semana. Na esteira da demissão de Roth, o competente treinador, com justiça, se sentiu desprestigiado. Sorte do Vitória, que no pacote montado por Paulo César Carpegiani, ainda ganhou um competente auxiliar técnico de presente de páscoa. 

Poucas vezes se observa os treinadores de categorias de base. Se esquece, entretanto, que nomes como Ney Franco e Mano Menezes, por exemplo, iniciaram na formação de atletas os seus caminhos no futebol. Julinho Camargo, pelo que fez em quatro anos de juniores no Grêmio, merecia um crédito muito maior. Ao menos, ser sondado para permanecer como interino até a chegada de um profissional de nome para comandar os profissionais. Ainda será um técnico de ponta.

Sob seu comando, o Grêmio conquistou, na temporada passada, dois dos três títulos mais importantes na categoria juniores: o Brasileiro Sub-20 e a Taça Belo Horizonte. No biênio 2005/06, venceu também a Copa FGF, além do tricampeonato gaúcho em 2005/06/07 e do Angelo Dossena do último ano. Cabe observar que, em quatro temporadas, diferentes gerações receberam as instruções de Julinho.

Como já prova a formação do elenco vice-campeão brasileiro, não só de títulos viveu o trabalho de Julinho Camargo. Em outros momentos, vale lembrar, o técnico participou dos crescimentos de Carlos Eduardo, Lucas Leiva e mesmo Anderson. E os jogadores, como Rafael Carioca, Léo e Willian Magrão, chegaram aos profissionais realmente prontos dos pontos de vista técnico, tático e psicológico. 

A saída de Julinho ainda serve para mostrar que a estrutura diretiva gremista, desde a saída de Rodrigo Caetano para o Vasco, está fragilizada. Ele chegou à Azenha em 2005, justamente, pelas mãos de Caetano, que assumia o departamento amador com a missão de provocar uma revolução em meio à queda para a Série B. A dupla tinha no currículo o trabalho realizado no RS Futebol, justamente com Carpegiani. 

Por lá, além de revelar Thiago Silva, Naldo e Éderson, hoje todos estabelecidos em grandes clubes europeus, Julinho Camargo comandou a grande campanha na Série C, de um clube ainda incipiente no futebol. Quinto colocado, o RS Futebol, hoje extinto, por pouco não chegou à segunda divisão nacional.

Com a ida de Julinho para o Vitória, o futebol de base perde, indiscutivelmente, um grande profissional. Ganham, porém, Anderson Martins, Victor Ramos, Wallace, Nill, Reina, Kleiton Domingues e Elkison, entre outros: todos meninos no elenco profissional do rubro-negro baiano. E quando Tiago Dutra, Róberson, Bruno Renan, Rafael Martins e outros, definitivamente, chegarem aos profissionais gremistas, poucos se lembrarão de Julinho Camargo. Uma grande injustiça.

Firula

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