Gustavo Vargas - 22/04/2009
As declarações do peruano Joazhiño Arroé chamaram a atenção momentos antes da partida entre Brasil e Peru, válida pela segunda rodada do Sulamericano Sub-17. Falastrão, o atacante do Siena, principal referência técnica da seleção comandada por Juan José Oré, insinuou que alguns atletas brasileiros teriam até mais que 20 anos, ou seja, seriam “gatos”. Uma acusação leviana, claro, mas que nos fez lembrar de outros casos recentes, todos revelados após o término das competições.
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O primeiro caso que vem à mente deste colunista é o do atacante Rodrigo Gral. Destaque do Sulamericano Sub-20 de 1999, o ex-companheiro de Ronaldinho Gaúcho, hoje sumido no Qatar, era tratado como joia rara, embora jamais viesse a comprovar isso como profissional pelos clubes que defendeu. No Mundial da categoria, meses depois, perdeu espaço para Fernando Baiano, em alta no Corinthians. Anos mais tarde, a revelação: Gral não nascera em 1979, mas, sim, em 1977, e disputara o torneio continental com 21 anos.
A adulteração de idade de Rodrigo Gral, no entanto, é ínfima se a compararmos com a de Carlos Alberto, volante que atualmente veste as cores do Atlético Mineiro. Em 2003, o jogador revelado pelo Figueirense sagrou-se campeão mundial sub-20 com inacreditáveis 25 anos. Sim, por incrível que pareça, um /78 fazia parte de um elenco composto por jovens nascidos em 83. A seleção de Marcos Paquetá só não perdeu o título porque a farsa foi descoberta apenas três anos depois.
Outro que sonegou a data de nascimento original foi o ex-palmeirense Cláudio, que apareceu como promessa em 2005. Considerado prodígio pelo então técnico Emerson Leão, o atacante disputou o Mundial Sub-17 do Peru (como José Claúdio) naquele ano. Era, supostamente, um dos únicos vice-campeões nascidos em 1989, juntamente com o zagueiro Sidnei. Hoje, enquanto o ex-colorado brilha com a camisa do português Benfica, vive o ocaso após ter revelado, no ano passado, ser /87.
Os casos não param por aí. Como esquecer de Michel Schmöller, peça-chave de Edgar Pereira no Sulamericano Sub-17 do Equador, em 2007? Nesse caso, especificamente, a farsa parecia óbvia até mesmo a olho nu, tamanha era a disparidade física entre o zagueiro/volante do Figueirense e os demais garotos. Pois ela, graças a uma confissão do pai do atleta, acabou sendo descoberta poucos meses mais tarde – Schmöller nascera em 1987 –, para a sorte da seleção brasileira.
Por fim, um “gato” que causou ojeriza a todos que torcem pelo Brasil em competições de base. Quem? Ponto para os que apostaram em Leandro Lima, ex-São Caetano. O tétrico Leandro Lima, titular da seleção sub-20 há dois anos, tanto no Sulamericano quanto no Mundial. O intragável Leandro Lima, atualmente no Vitória de Setúbal, cuja data de nascimento verdadeira foi revelada no início de 2008: George Leandro Abreu de Lima, suposto /87, viera ao mundo em novembro de 1985.
Mais nomes poderiam ser citados. Há, ainda, o caso do outrora promissor André Duarte, ex-atacante dos juvenis do Grêmio e campeão sulamericano sub-15 com a seleção em 2005. Tratava-se de um /90 que, na realidade, era /87, a exemplo de Schmöller. Alguém que, como todo “gato”, não vingou. Ou, se vingou, jamais comprovou ser tudo o que dele se esperava. Afinal, só é “gato” aquele que não tem condição alguma de sobressair-se na base de um clube e, diante disso, acaba alterando a idade para destoar em meio à garotada.
Arroé, que teve ótima atuação mesmo com a derrota por 3 a 0, tentou procurar motivos infundados para o sucesso do Brasil na categoria. Além disso, objetivou desestabilizar uma equipe que jamais será desestabilizada. Philippe Coutinho e companhia, conforme o próprio técnico Lucho Nizzo vem afirmando desde a preparação na Granja Comary, estão focados unicamente na busca pelo título. Aliás, Coutinho é um que com toda a certeza não é “gato”. Craque não é “gato”, caro leitor.
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