Maurício Vargas - 02/05/2009
Terminou abruptamente no último domingo a 14ª edição do Sub-17 de seleções da Concacaf, que serve também de qualificatório para o Mundial da categoria. As semifinais e final do torneio, que acontecia em Tijuana, extremo norte do México, na divisa com os EUA, foram canceladas por medida de segurança, devido à epidemia de gripe suína que assusta o mundo e tem seu epicentro no país. Ao menos a paralisação aconteceu ao final da etapa de grupos, e já pudemos conhecer os classificados para o campeonato da Nigéria, em outubro.
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Estados Unidos, México, Costa Rica e Honduras carimbaram o passaporte na última semana, mas a bola começou a rolar mesmo em julho passado, com a fase preliminar. Naquilo que não se pode chamar de grande surpresa, o Haiti, que disputou o último Mundial (e até arrancou um empate com a França), caiu ante a surpreendente seleção cubana, que bateu ainda Trinidad & Tobago para ficar com o título simbólico das prévias da zona caribenha.
Entretanto, na fase final Cuba até tentou endurecer, mas acabou perdendo de forma nada terna: 5 a 0 para os Estados Unidos, 6 a 0 para Honduras, e uma vitória de consolação sobre o Canadá na última rodada, já sem chances. O Canadá, aliás, que não passou pelas preliminares e tinha chances de classificação caso vencesse os cubanos, pois empataram com Honduras e venderam caro a derrota para os yankees.
O time hondurenho, por sua vez, vai se firmando como a quarta força do continente, não só na seleção principal como também nas bases. Prova disso é que, além de uma campanha sólida nas Eliminatórias para a Copa de 2010, tem suas duas seleções classificadas para os Mundiais de base deste ano – algo que o próprio México falhou em fazer. O destaque da equipe é Anthony Lozano, vice-artilheiro da fase final com quatro gols e autor de mais seis em dois jogos da etapa preliminar.
Com 16 anos recém-completados, é considerada a principal promessa do futebol catracho, e constantemente comparado com Carlos Costly, um dos maiores nomes da atual geração. Veloz, habilidoso e goleador, Lozano será a referência do time de Emílio Umanzor, que dirige também a equipe sub-20. É irmão de Luís Ramos, zagueiro da seleção principal, e já atua na liga profissional pelo Olímpia, maior clube do país, tendo estreado ainda aos 15 anos de idade.
Lozano só não marcou mais gols que Jack McInerney, garoto que faz mais barulho no futebol de base estadunidense desde Freddy Adu. Responsável por cinco dos doze gols estadunidenses na fase final, ele até já marcou contra a equipe de Lucho Nizzo, em amistoso realizado no final do ano passado, na Califórnia. O atacante de descendência georgiana abriu o placar em uma bela cabeçada, ao ganhar de Sidimar pelo alto. Eventualmente, o Brasil venceria com gols de Wellington e João Pedro.
McInerney certamente será um nome para se olhar na Nigéria, e os europeus já estão de olho nele: em excursão pela Europa com o Cobb FC, time onde atua, chamou a atenção de West Ham e Liverpool. Outro companheiro seu, Joseph Gyau, já tem até destino certo após o Mundial: irá treinar nas equipes de base do Bayern de Munique. Gyau tem uma história interessante. Seu personal trainer é o próprio pai, Phillip, que defendeu a seleção de 89 a 91. Desde os sete anos de idade, ele assiste quase que diariamente vídeos de jogadores como Maradona, Pelé e Ronaldo. Extremamente ofensivo e ágil, já é famoso por sua habilidade em ultrapassar os zagueiros com sua velocidade, formando uma interessante dupla com McInerney. Pode-se, ainda, montar um trio com o também hot prospect Stefan Jerome, igualmente habilidoso.
Si acabó la tequila
Enquanto os Estados Unidos lidera as forças do continente, o México parece viver uma crise de identidade que parte do time principal e atinge até as raízes mais profundas das equipes de base. Fora do Mundial Sub-20, os mexicanos sediaram a fase final do qualificatório e, apesar de três vitórias e nenhum gol sofrido, a equipe é bem inferior àquela campeã da categoria há quatro anos. O destaque ficou com quem se esperava: Martín Galván, atacante baixinho de 1,68m que tem atuado pelo Cruz Azul até mesmo na Champions League. Aos 13 anos, foi convidado para treinar no Barcelona, mas sua família não conseguiu arcar com a viagem e ele acabou perdendo a chance. Atualmente com 16, deve pular etapas e juntar-se já à equipe sub-20 após o Mundial da Nigéria, ainda que não seja tão promissor quanto era Giovanni dos Santos com a mesma idade.
Ao se tornar o jogador mais jovem a atuar pela liga profissional mexicana, Galván quebrou o recorde do companheiro de equipe Victor Mañon, já um regular pelo Pachuca. Mas apesar dos holofotes estarem virados para o ataque, o grande nome desta safra pode vir a ser Kristian Alvarez, zagueiro do time B do Chivas Guadalajara e capitão da sub-17. Com 1,82m, é considerado o sucessor de Rafa Marquez e, mais até que a fraqueza dos adversários, é o principal responsável pela defesa mexicana ter passado invicta neste classificatório. Fãs do futebol ofensivo como são, é de se entender porque os torcedores não estão muito contentes quando o grande nome é, na verdade, um defensor.
Por fim, a seleção costarriquenha por pouco não protagonizou o vexame de perder a vaga para a Guatemala. Ambos fizeram campanhas idênticas: empataram o confronto direto na estreia, venceram Trinidad & Tobago por 3 a 0 e foram derrotados pelo México. A classificação dos Ticos só veio porque a derrota foi menor: apenas 1 a 0, contra 3 a 0 dos guatemaltecas. O destaque de um time que deve fazer pouco na Nigéria é Joel Campbell, centro-avante que tenta imitar Paul Wanchope no porte físico. Além disso, conta com um goleiro reserva de nome idêntico a este colunista – e se o Maurício Vargas costarriquenho tiver futebol semelhante ao brasileiro, é melhor seguir outra carreira.
Gripe suína à parte, foi um Sub-17 interessante o disputado no México nas últimas semanas. Além da certeza de que os Estados Unidos deverão continuar com seu domínio continental, ficou também a impressão de que a Concacaf começa a definir outras forças ascendentes, como Honduras. Bom ficar de olho para sabermos, desde já, o que aguarda a seleção brasileira quando a bola rolar em breve nos gramados africanos.
Tempo-extra
Este colunista estreou na última semana em mais um espaço: a coluna semanal da Trivela sobre a Série B do Campeonato Brasileiro. Para conferir um preview da competição, clique aqui.
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