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Preview do Europeu Sub-17 2009

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Rafael Reis* - 05/05/2009

Nada de Escócia, Irlanda, Ucrânia, Bélgica ou Islândia. O Campeonato Europeu Sub-17 desta temporada, que começa nesta quarta-feira e vai até o dia 18 de maio, na Alemanha, não tem espaço para seleções de um segundo escalão do futebol continental.

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Das oito equipes classificadas para a fase final do torneio, seis são potências do esporte no planeta. As exceções ficam por conta de Suíça e Turquia, que, no entanto, vêm realizando bons trabalhos de base, venceram a competição nesta década e não podem ser consideradas surpresas.

Entre tantas potências, a maior, sem dúvida nenhuma, é a Espanha. Tradicional força na categoria juvenil, a Fúria busca seu nono título na competição e é a maior campeã da história do torneio.

Mas neste ano, há ao menos duas equipes que chegam à Alemanha com melhores credenciais. Holanda e Inglaterra foram os destaques das fases preliminares da competição e, curiosamente, fazem a partida de abertura deste Europeu, em Gera.

As duas favoritas têm também os dois maiores candidatos a craque deste torneio. Os holandeses atacam com o meia de origem turca Oguzhan Özyakup, das categorias de base do Arsenal. Já os ingleses apostam na maior rodagem de Jack Wilshere, que também atua no clube londrino, mas já entre os profissionais.

Özyakup e Wilshere, no entanto, não são as únicas atrações deste Europeu. Certamente, os olheiros do continente ficarão de olho em Pablo Sarabia, Borja Bastón, Stephan el Shaarawi, Lennart Thy e Muhammet Demir, entre tantos outros garotos.

O torneio continental deste ano vale ainda seis vagas para o próximo Mundial da categoria, que será realizado nos meses de outubro e novembro, na Nigéria. Desde 2001, quando a França foi campeã, nenhuma seleção européia fatura o principal campeonato sub-17 do planeta.

GRUPO A

Espanha

Conquistar o seu terceiro título consecutivo e consolidar ainda a hegemonia que detém na história da competição. Com oito conquistas continentais, a Espanha chega ao Europeu Sub-17 outra vez na condição de uma das maiores forças.

É verdade que a campanha até aqui não é nada de excepcional. Mesmo invicta, a equipe de Gines Meléndez só “passeou” diante de um adversário, a Estônia, goleada por 6 a 0. A expectativa, no entanto, concentra-se no farto material humano à disposição do treinador.

Os holofotes espanhóis estão focados no seu trio ofensivo. Seguido por Arsène Wenger há algumas temporadas, Pablo Sarabia (Real Madrid) atua ao lado do Isco Alarcon (Valencia) na armação das jogadas para o badalado centroavante Borja Bastón, considerado nas categorias de base do Atlético de Madrid o sucessor de Fernando Torres.

Juntos, os três homens de frente da Espanha marcaram 11 dos 14 gols do time e fecharam as portas para outra valiosa promessa. Iker Muniain, que ganhou fama ao ser convocado para a pré-temporada do Athletic Bilbao com somente 14 anos, faz sombra aos atacantes titulares no banco de reservas.

Técnico: Gines Meléndez
Artilheiro: Borja Bastón (Atlético de Madrid) – 5 gols
Campanha: 4V e 2E, 14GP e 4GC
Títulos: 8 (1986, 1988, 1991,1997,1999, 2001, 2007 e 2008)
Na temporada passada: Campeã

França

Sem grandes talentos individuais, a França aposta na força física, na solidez do seu conjunto e, principalmente, em um técnico com história de sucesso para surpreender e conquistar o seu segundo título europeu sub-17.

No banco de reservas, estará Philippe Bergeroo, que levou a geração de Nasri, Benzema e Ben Arfa à conquista continental em 2004. No ano passado, sob o comando de Francis Smerecki, os franceses ficaram com o vice.

Derrotados pela Espanha na decisão da última temporada, os Bleus vão reencontrar os atuais campões logo na primeira fase. Para mudar a história do confronto, apostam as fichas em um jogo coletivo, liderado pelo zagueiro Daniel Situ, do Lens, capitão da equipe, que já teve seu nome ligado ao Manchester United.

O meio-campo tem em Alexandre Coeff, também do Lens, seu principal armador de jogadas, enquanto Yeni Ngbakoto, do Metz, é o homem responsável por dar velocidade ao time. No ataque, sobram icógnitas. Apontado como mais promissor jogador ofensivo de sua geração, Chris Gadi, do Olympique de Marselha, passou em branco nas fases preliminares.

Técnico: Philippe Bergeroo
Artilheiros: Idriss Saadi (Saint-Etienne), Arnaud Souquet (Lille), Yeni Ngbakoto (Metz) e Alexandre Coeff (Lens) – 2 gols
Campanha: 4V e 2E, 12GP e 4GC
Títulos: 1 (2004)
Na temporada passada: Vice-campeã

Itália

Sem conquistar o título europeu da categoria desde 1987, a Itália é a única equipe classificada para as finais que já não está mais invicta na competição. Ainda na primeira fase, o time dirigido por Pasquale Salerno foi goleado por 5 a 2 pela Holanda.

Esse, no entanto, foi o único tropeço da Azzura, que venceu todos os outros jogos que disputou. A bem da verdade, não teve nenhum grande adversário pela frente, mas ainda assim tem um campanha que merece destaque.

O “hot prospect” dessa seleção italiana tem origem na África, assim como o interista Mario Balotelli. Lateral-esquerdo na equipe adulta do Genoa, pela qual já estreou, Stephan el Shaarawi, que tem pai egípcio, veste a 10 deste time sub-17 e é a grande esperança de Salerno.

Shaarawi terá a missão de fazer a bola chegar a dois artilheiros que mostraram ter faro de gol nas etapas preliminares do Europeu: Alberto Libertazzi, das categorias de base da Juventus, e Giacomo Beretta, que já está no grupo de cima do Albinoleffe na segunda divisão.

Técnico: Pasquale Salerno
Artilheiros: Alberto Libertazzi (Juventus) e Giacomo Beretta (Albinoleffe) – 3 gols
Campanha: 5V e 1D, 12GP e 8GC
Títulos: 2 (1982 e 1987)
Na temporada passada:  Eliminada na segunda eliminatória

Suíça

Exceção entre os gigantes que formam a fase final do Europeu Sub-17 deste ano, a Suíça se apega à tradição que possui na categoria - foi a primeira campeã continetal - e ao bom trabalho de base que vem realizando nos últimos anos.

Mantendo a tradição recente de defesas sólidas e ataques pouco operantes, o time comandado por Dany Riser tem a retaguarda menos vazada entre os finalistas, mas também o pior ataque, com dez gols, mais da metade marcado na goleada por 6 a 0 sobre a Eslovênia.

Se a defesa é o ponto forte suíço, grande parte deste mérito pode ser creditado a dois “ingleses”. O goleiro Benjamin Siegrist recentemente trocou o Basel pelo Aston Villa, enquanto o zagueiro Frédéric Veseli, do Manchester City, que também pode atuar como volante, é o capitão da equipe.

Na frente, a esperança de raros gols está concentrada em Nassim Ben Khalifa. Remanescente do time que disputou o Europeu na temporada passada, o atacante do Grasshoppers é bom no jogo aéreo, mesmo com 1,80m, e já marcou nove vezes com a camisa helvética sub-17.

Técnico: Dany Riser
Artilheiro: Nassim Ben Khalifa (Grasshopers) e Haris Seferovic (Grasshopers) – 3 gols
Campanha: 3V e 3E, 10GP e 2GC
Títulos: 1 (2002)
Na temporada passada: Fase de grupos

GRUPO B

Alemanha

Há dois anos, a Alemanha mostrou na categoria sub-17 um time leve, envolvente e de apurada técnica, que revelou ao país a entrosada dupla formada por Toni Kross e Richard Sukuta-Pasu. Desta vez, mesmo atuando em casa, a situação é bem diferente.

Por não ter participado das eliminatórias da Euro, é difícil analisar com detalhes o time comandado por Marco Pezzaiuoli. Mas dá para perceber que a leveza e a velocidade foram preteridas por um futebol mais sólido, baseado na força física, como manda a clássica escola alemã.

Destaque do time nos amistosos preparatórios para o torneio, Lennart Thy é uma das provas vivas desta filosofia. O atacante do Werder Bremen, que foi o artilheiro da equipe nesta fase, com seis gols, prima pela elevada altura (1,82 m).

Os responsáveis por levar a bola até Thy são dois meio-campistas que vêm pulando etapas nos seus clubes: Florian Trinks, também do Werder, e Mario Götze, do Borussia Dortmund. Junta-se a eles o lateral/estremo esquerdo Christopher Buchtmann, mais uma das pérolas garimpadas pelas categorias de base do Liverpool pelo mundo.

Técnico: Marco Pezzaiuoli
Artilheiro: não participou das eliminatórias
Campanha: não participou das eliminatórias
Títulos: 2 (1984 e 1992)
Na temporada passada: Eliminada na segunda eliminatória

Holanda

Dona da melhor campanha das eliminatórias, time com ataque mais eficiente e com defesa menos vazada. Não há motivos para deixar que acreditar que a Holanda chega à Alemanha em condições ideais para a conquista do seu primeiro título europeu.

Em toda a competição, foi apenas um tropeço: um empate sem gols contra o Chipre na estreia. Depois, a equipe se ajeitou e passou por Letônia, Azerbaijão, Luxemburgo, Croácia e Itália, única seleção que foi capaz de balançar as redes holandesas, mas que acabou goleada por 5 a 2.

O candidato a craque holandês é também um dos favoritos ao prêmio de revelação do torneio. O meia de origem turca Oguzhan Özyakup (e) é considerado uma pérola a ser lapidada desde que tinha 15 anos, idade em que debutou na seleção sub-17 e em que treinava com os profissionais do AZ Alkmaar.

Jogador de armação e que bate bem na bola, ele é uma das esperanças da base do Arsenal, clube que defende desde 2007. Na seleção, conta com o apoio da dupla do Feyenoord, Luc Castaignos e Shabir Isoufi (um /1993 que é artilheiro da equipe), para fazer os gols que podem dar o inédito título ao país.

Técnico: Albert Stuivenberg
Artilheiro: Shabir Isoufi (Feyenoord) – 5 gols
Campanha: 5V e 1E, 16GP e 2GC
Títulos: Nenhum
Na temporada passada: Semifinalista

Inglaterra

Se a experiência é fator decisivo para o sucesso de uma equipe de base, a Inglaterra larga no Europeu Sub-17 à frente de todas as outras seleções e já pode reservar um espaço na sala de troféus para a sua primeira conquista continental na categoria.

Nenhuma outra equipe possui tantos jogadores que já estrearam entre os profissionais quanto o time dirigido pelo técnico John Peacock, que passou invicto por uma dura chave nas eliminatórias – pegou Portugal, Sérvia, Hungria e Espanha, entre outros.

Jose Baxter (Everton), Jonjo Shelvey (Charlton), John Bostock (Tottenham) e o artilheiro Luke Freeman (Arsenal) são exemplos de atletas que já romperam os torneios inferiores e debutaram no futebol de adultos.

Nenhum deles, no entanto, tem ainda o mesmo prestígio de Jack Wilshere. O meio-campista é, provavelmente, o jogador mais conhecido da Euro sub-17. Pinçado por Arsene Wenger na última pré-temporada, ele subiu para o elenco profisisonal imediatamente, atuou em algumas partidas do Arsenal, inclusive na Champions League, e ganhou elogios de toda a Inglaterra.

Técnico: John Peacock
Artilheiro: Luke Freeman (Arsenal) – 3 gols
Campanha: 4V e 2E, 13GP e 2GC
Títulos: Nenhum
Na temporada passada: Eliminada na segunda eliminatória

Turquia

Ao lado da Suíça, a Turquia é a intrusa entre os grandes nesta edição do Europeu Sub-17. A seu favor, no entanto, a equipe vem de boa campanha na temporada passada, quando soube aproveitar o fato de atuar em casa para chegar às semifinais.

Repetir a campanha de 2008 é mais um sonho do que um objetivo. Não somente por estar no mesmo grupo das favoritas Inglaterra e Holanda, mas também pelos resultados apresentados nas eliminatórias.

A Turquia ainda está invicta, mas, diante dos adversários com um pouco mais de tradição, sempre empatou. Rússia, Romênia e País de Gales foram seleções que seguraram a equipe dirigida por Abdullah Ercan.

A esperança de Ercan para surpreender na Alemanha é Muhammet Demir. O centroavante do Busaspor jogou apenas três partidas das eliminatórias devido a uma contusão, mas marcou seis gols. Ele é o artilheiro entre os jogadores inscritos na fase final do torneio.

Técnico: Abdullah Ercan
Artilheiro: Muhammet Demir (Busaspor) – 6 gols
Campanha: 3V e 3E, 13GP e 8GC
Títulos: 2 (1994 e 2005)
Na temporada passada: Semifinalista

*Repórter da Folha Online e ex-colunista do Olheiros



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