Flávio Meireles - 25/05/2009
Os grandes times da história do Grêmio sempre tiveram importantes volantes no seu meio-de-campo. Foi assim com a equipe campeã mundial de 1983, que tinha China segurando o piano para Paulo César Caju, Renato Gaúcho e Mário Sérgio brilharem na frente. Também se repetiu com a formação que conquistou o título da Libertadores em 1995, defendendo com Dinho e Luís Carlos Goiano e atacando com Paulo Nunes e Jardel. Nos últimos anos, esse tipo de jogador tem surgido nas próprias categorias de base do clube. Eduardo Costa (2001), Lucas (2005) e Rafael Carioca e William Magrão (2008) são bons exemplos dessa leva. Nessa temporada o candidato a seguir com a tradição é o jovem Adílson Walker. A aposta para 2010, no entanto, pode nem estrear pelos profissionais do tricolor gaúcho. Destaque dos juniores, Tiago Dutra, de apenas 18 anos, está prestes a se transferir para o Villarreal, da Espanha.
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A história de Tiago Dutra entre os profissionais do Grêmio começou em setembro do ano passado, mês em que ele completou 18 anos. A expectativa à época era que de o volante de 1,74 e 78 quilos pudesse se juntar aos pratas da casa Léo, Rafael Carioca e William Magrão em talento e importância, acumulando experiência e maturidade para repetir os passos de seus colegas no futuro.
Garoto veloz e de presença constante no ataque, Dutra foi um dos jogadores do time júnior do Grêmio que conquistou o Campeonato Brasileiro Sub-20, em dezembro do ano passado, a ser trazido para o elenco profissional no início da temporada. Além dele, o então técnico Celso Roth e o vice-presidente André Krieger pinçaram o zagueiro Wagner, o também volante Paulinho e o atacante Roberson.
Antes da final do Brasileiro Sub-20, mas com a revelação Rafael Carioca já de malas prontas para o Spartak Moscou, o então treinador do time júnior, Júlio Camargo, já havia destacado as qualidades da dupla formada Tiago Dutra e Paulinho na base. “O futebol é muito momento e acho que o Paulo, pelo momento dele, também é candidato a essa reposição, porque está muito maduro. É um jogador de muita qualidade e acho que, juntamente com o Tiago Dutra, o profissional estará muito bem servido de dois jovens volantes de qualidade para tentar suprir a ausência do Rafael”, comentou.
E olha que Tiago Dutra nem pôde disputar o Brasileiro Sub-20. Ele ficou de fora do time que viria a se sagrar campeão nacional de juniores por causa de uma lesão na cabeça, sofrida na disputa da Copa Lupi Martins, disputada no segundo semestre do ano passado. A contusão, inclusive, o tirou da estreia do Grêmio na última Copa São Paulo, quando o volante foi obrigado a realizar os últimos exames médicos para verificar a recuperação da pancada.
Embora tenha perdido o debute na competição, Dutra foi titular nos outros três jogos do Grêmio no torneio. Considerado um dos grandes nomes da campanha do tricolor gaúcho, tornou-se ainda mais importante para equipe após ter conferido maio equilíbrio ao meio-de-campo da equipe, que se ressentia da ausência do também volante Marcus Vinícius.
O mesmo bom desempenho que o levou até a equipe profissional gremista foi responsável por garantir a Tiago Dutra uma vaga na seleção brasileira que disputou o Mundial Sub-17 de 2007 e acabou naufragando. De lá para cá, no entanto, o camisa 5 do tricolor na última Copinha evoluiu bastante, participando das principais campanhas do clube pelo país. De volta à seleção – desta vez, na sub-20 –, ele vestiu a camisa verde e amarela na Copa Internacional do Mediterrâneo e no Torneio de L’Alcudia.
Talento é só uma das semelhanças
Parece que há muito mais semelhanças do que se pode imaginar entre Eduardo Costa, Lucas Leiva, Rafael Carioca, William Magrão e Tiago Dutra. Além de serem formados nas categorias de base do Grêmio e de atuarem como volante, os cinco têm algo a mais em comum: o fato de terem chamado a atenção do exterior muito cedo.
Revelado pelo Grêmio em 2001, Eduardo Costa foi vendido ao Bordeaux, da França, um ano depois de ser lançado. O loirinho Lucas Leiva deixou o time júnior em 2005, ajudou o Grêmio a voltar à Série A do Campeonato Brasileiro, mas acabou sendo negociado com o Liverpool já em 2007, logo após a decisão da Copa Libertadores. Com Rafael Carioca, tudo foi ainda mais rápido: titular da equipe vice-campeã do Brasileirão do ano passado, o meia não completou um ano sequer entre os profissionais e foi vendido ao Spartak Moscou.
Da safra de bons volantes que permanece no Olímpico, restam William Magrão e Adílson Walker. O primeiro provavelmente só não foi negociado porque machucou gravemente o joelho e está longe dos gramados no momento. Ainda assim, ao fim do Campeonato Brasileiro, teve o seu nome ligado a especulações envolvendo a Fiorentina. Recebendo as primeiras chances no elenco profissional, Walker, por sua vez, não se destacou o suficiente para ser comentado em times do exterior.
Com Tiago Dutra, no entanto, a situação é diferente. Embora sequer tenha estreado pelo time profissional, desde o início de maio ele vê seu nome envolvido com uma possível transferência para o Villarreal. Se o negócio for confirmado, o volante do Grêmio estará seguindo para o clube espanhol que melhor trabalha com jovens talentos sul-americanos. Foi assim que o time dirigido por Manuel Pellegrini descobriu e lapidou jóias como o chileno Matías Fernandez e o argentino Gonzalo Rodríguez. Na companhia de talentos como Robert Pires, Santi Cazorla, Nihat e Giuseppe Rossi, esse processo torna-se ainda mais fácil.
Ficha técnica
Nome completo: Tiago da Silva Dutra
Data de nascimento: 19/09/1990
Local de nascimento: Gravataí (RS)
Clubes em que atuou: Grêmio
Seleções de base que atuou: Brasil Sub-20 e Sub-17
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