Gabriel Dudziak - 02/06/2009
Tem início nesta quarta-feira a 37ª edição do Torneio de Toulon, tradicional competição do futebol de base que traz seleções sub-21 do mundo inteiro. Disputado desde 1967, mas com alguns intervalos em sua realização e até mesmo edições que também tiveram a participação de clubes, a competição já mostrou ao mundo uma série de talentos que posteriormente tomariam conta do futebol mundial. Atletas como Zinedine Zidane, Alan Shearer (artilheiro em 1991), Thierry Henry (melhor jogador e artilheiro em 1997), Juan Román Riquelme (o melhor em 1998), Hristo Stoichkov e Cristiano Ronaldo foram apenas alguns deles.
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Em 2008 o torneio, normalmente sub-21, foi disputado com atletas de até 23 anos, em função da disputa da Olimpíada de Pequim alguns meses depois. Naquela ocasião a Itália foi a campeã, mas a grande surpresa do campeonato foi o Chile, que chegou à final mesmo sendo um dos azarões do torneio.
Para esta edição foram convidadas oito seleções entre grandes potências do futebol de base e locais de desenvolvimento incipiente nos ranques de juniores. São elas: França, Argentina, Chile, Holanda, Portugal, Emirados Árabes, Egito e Catar. As equipes estão divididas em dois grupos, onde se enfrentarão entre si em turno único. Os dois melhores se classificam então para as semifinais e os vencedores avançam para a grande final.
Apesar de normalmente servir de aquecimento para outros campeonato maiores, o Torneio de Toulon deste ano promete ser uma grande atração por si só. Isso porque teremos a oportunidade de ver confrontos entre seleções que não obtiveram a classificação para o Mundial Sub-20 do Egito, que será disputado em setembro, mas que têm grande tradição no futebol de base. É o caso dos escretes de França, Holanda, Argentina, Portugal e Chile, que deverão mesmo ser as maiores protagonistas desta edição.
Abaixo, Olheiros analisa cada um dos participantes, abordando desde a situação atual das seleções até a expectativa e objetivos para este ano.
Grupo A
A Argentina chega a Toulon como uma das favoritas à conquista. Entretanto, antes de aspirar à maior glória da competição, os comandados de Sérgio Batista terão que apagar a péssima campanha no Sulamericano Sub-20 deste ano, quando terminaram a fase final sem uma vitória sequer. Jogadores capazes disso a Albiceleste terá. Além de nomes importantes do futebol local, como o meia Diego Buonanotte, que apesar da temporada ruim já mostrou talento acima da média no River Plate, a Argentina poderá contar também com nomes que atuam no futebol europeu. São os casos do volante Ever Banega, do Valencia, e da dupla ofensiva do Sevilla; Lucas Trecarichi e Diego Perotti, sensação dos rojiblancos nesta temporada.
Tradição por tradição a Holanda também poderia ser apontada como séria candidata a faturar o caneco em Toulon. No entanto, os resultados dos últimos anos, que incluíram duas eliminações na fase de grupos do torneio francês em 2007 e 2008, e a ausência de grandes promessas despontando no futebol local e europeu colocam a Jong Oranje sob dúvidas. Mirando uma reformulação do grupo que falhou na conquista de uma vaga ao Europeu Sub-21 de 2009, o treinador Hans Schrijver procurou chamar garotos com potencial para crescer até a disputa do Euro 2011. Por conta disso a Oranje é uma grande incógnita em Toulon. Contudo, se jogadores como Erik Pieters, lateral-esquerdo titular do PSV, e Siem de Jong, meia do Ájax, tiverem um bom desempenho, pode surpreender.
Se os selecionados sub-21 de Argentina e Holanda ainda têm algo a provar, o mesmo não pode ser dito dos Emirados Árabes Unidos. Em euforia permanente depois de terem ganhado o Campeonato Asiático Sub-19 de 2008, os Al Sukoor vem a Toulon com grande moral e como “favoritos a zebra”. O treinador Mahdi Ali Hassan ainda precisa saber como seus comandados se comportarão frente às grandes forças do grupo, principalmente o atacante Ahmed Khalil, que se for convocado será a principal esperança dos Emirados Árabes para conseguirem um bom resultado. Ainda que não consigam a classificação para as semifinais, Toulon servirá como um ótimo laboratório e preparação para a disputa do Mundial Sub-20.
Outra seleção que busca na França uma melhor preparação para o Mundial é o Egito. Apesar de estarem automaticamente classificados por serem sede da disputa, os Faraós decidiram participar assim mesmo do Africano Sub-20, realizado este ano em Ruanda. A oportunidade era perfeita para o treinador Miroslav Soukup testar os egípcios em um torneio competitivo, mas a desclassificação ainda na fase de grupos levantou dúvidas sobre o potencial dos garotos egípicios. Mesmo assim, as atuações do goleiro Abugabal, cotado para substituir El Hadary na seleção principal, e do atacante Talaat Mohamed, tido como um dos principais nomes do Egito para o futuro, deram uma boa perspectiva para que em Toulon a confiança dessa seleção seja retomada.
Grupo B
Depois de quatro títulos seguidos de 2004 a 2007 e uma eliminação ainda na fase de grupos, a França chega à 37ª edição de Toulon com os objetivos de recuperar o troféu, deixar para trás a desclassificação para a fase final da Euro Sub-21 deste ano e começar a preparação do time que buscará garantir uma vaga no torneio continental de 2011. Por conta disso, os Bleus estão levando o campeonato bastante a sério, realizando uma preparação que incluiu amistosos contra as seleções da Dinamarca, Tunisia, Estônia e Inglaterra. Da mesma forma, o treinador Erick Mombaerts decidiu levar força máxima a Toulon, baseando sua equipe em uma sólida defesa, que conta com Mamadou Sakho e Armand Traore, titulares de Paris St. Germain e Portsmouth respectivamente, e um setor ofensivo de qualidade que tem em David N’Gog, do Liverpool, seu principal nome.
Se a França é favorita, o Chile ainda busca afirmação na categoria. Grande surpresa da última edição de Toulon, quando faturou o vice-campeonato, os sul-americanos pretendem realizar outra campanha acima das expectativas este ano. Para isso, o treinador Ivo Basay decidiu reformular o elenco que foi desclassificado na fase de grupos do Sulamericano Sub-20 de 2009. Dos 20 jogadores chamados para o torneio continental, apenas metade foi mantida no grupo que vai à França. Os destaques são o goleiro Cristopher Toselli, o zagueiro e capitão Carlos Labrin, de apenas 18 anos, e o centroavante Mauricio Gómez Rios, artilheiro dos chilenos no Sulamericano, em janeiro. Pensando em chegar às semifinais, mas também já objetivando um crescimento a médio prazo, a La Roja tem grandes chances de pelo menos chegar às semifinais.
Portugal também corre por fora na briga pelo título, mas suas apostas residem mais em uma boa preparação para superar os adversários do que no simples talento de seus jogadores. Os Tugas estão concentrados desde o dia 26 de maio para um período de treinamentos visando unicamente a disputa de Toulon. Antes disso, no entanto, grande parte dos jogadores que estarão na França realizaram outros amistosos contra as seleções da Espanha, Suíça e Finlândia, obtendo vitórias em todas as ocasiões. Poucas surpresas na seleção de Rui Caçador, composta de jogadores com boa experiência em clubes, casos do goleiro Rui Patrício, do zagueiro Daniel Carriço e do meia-direita Bruno Pereirinha, e apostas como o meia-central Stanislas Oliveira, francês de nascimento, mas que decidiu defender Portugal.
Já o Catar vai a Toulon com a única expectativa de dar mais experiência a seus jogadores e preparar os garotos para a formação de uma nova seleção principal nos anos seguintes. Com a ausência de uma liga forte e pouca rodagem pelos torneios sub-21, os catarianos podem até tirar pontos das outras seleções, mas o mais provável é que deixem a França ainda na fase de grupos.
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