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Preview do Europeu Sub-21 2009

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Rafael Reis* - 14/06/2009

Theo Walcott, Manuel Neuer, Mesut Özil, Bojan, Mario Balotelli. O Campeonato Europeu Sub-21 começa nesta segunda-feira, na Suécia, repleto de jogadores já conhecidos no cenário internacional, o que faz com que a alcunha de categoria de base recebida pelo torneio seja até mesmo contestada.

>>> Holanda brilhou em 2007
>>> Olheiros conversou com Lola, destaque da Sérvia


A edição 2009 conta jogadores nascidos a partir do dia 1º de janeiro de 1986. Ou seja, que tinham no máximo 21 anos no começo de suas eliminatórias, em maio de 2007.

Assim, quase todos os atletas que estarão na Suécia já são nomes comuns para os torcedores dos seus clubes de origem. Mas muitos deles, como os citados acima, conseguiram extrapolar esse patamar e alcançaram um sucesso precoce.

Até por isso, todos os países para a fase final contam com jogadores que já estrearam por suas respectivas seleções nacionais. O anfitrião é o melhor exemplo desta política, com dez “adultos” convocados.

Mas a ida das jovens promessas para a seleção adulta não é benéfica para todos os times deste Europeu. A Itália, recordista de títulos na categoria, e a Espanha, sensação do futebol mundial no momento, terão desfalques na Suécia porque alguns de seus garotos estão na África do Sul, disputando a Copa das Confederações.

Por outro lado, Inglaterra e Alemanha, as outras potências presentes no torneio, terão força máxima. E isso incluiu meninos com larga experiência tanto em clubes, quanto em seleções.

Fora as favoritas de sempre, chama atenção a Sérvia. Presença constante nos Europeus Sub-21, os ex-iugoslavos bateram na trave em 2007, quando perderam a decisão para a Holanda. Uma nova final e até mesmo um título não seria grande surpresa.

Se a Sérvia gera expectativa, a seleção holandesa é a decepção. Atual bicampeã sub-21, a equipe laranja não conseguiu nem passar pela primeira fase das eliminatórias, gerando crise nas categorias de base do país e aumentando a desconfiança sobre o trabalho que vem sendo feito nas outroras produtivas academias de formação de jovens valores de PSV Eindhoven e Ajax, principalmente.

GRUPO A

Belarus

Maior surpresa entre as sete seleções que passaram pelas eliminatórias e chegaram à fase final, Belarus tem como aposta para aprontar de novo o entrosamento de sua equipe. A espinha dorsal do time comandado por Yuri Kurnenin é formada por atletas de um único clube: o BATE Borisov, que disputou a fase de grupos da última edição da UEFA Champions League.

São quatro os jogadores do BATE na equipe sub-21. Na defesa, atuam Igor Shitov e Maksim Bordachov, ambos também da seleção principal. O meio-campo conta com Aleksandr Volodko e Sergei Krivets, considerado o craque do time.

Aos 23 anos, o camisa 10 do clube é o cérebro, principal criador de jogadas da seleção bielorrusa. O jogador tem como ponto alto da carreira o gol marcado no empate por 2 a 2 com a poderosa Juventus, em Borisov.

Mas não apenas de BATE vive Belarus. O meia Mikhail Afanasiev, do Amkar Pern, é o maior artilheiro da história da seleção sub-21, com 11 gols, e está a um jogo de igualar as 38 vezes em que Yuri Zhevnov vestiu a camisa do último time de base do país e estabelecer mais um recorde.

Técnico: Yuri Kurnenin
Artilheiro: Dmitri Komarovski (Naftan Novopolotsk) – 4 gols
Campanha: 6V, 2E, 2D, 17GP, 6GC
Títulos: nenhum
Na temporada passada: eliminado no qualifying das eliminatórias

Itália

A maior campeã da história dos Europeus sub-21 entra na competição deste ano podendo sonhar em conquistar o seu sexto título e, assim, ampliar sua hegemonia na categoria, mas receosa diante da pressão sofrida por seus dois jogadores mais talentosos.

Em sua segunda temporada como profissional da Internazionale, Mario Balotelli comprovou ter potencial para se transformar em um futuro próximo em um dos principais atacantes do mundo. Por outro lado, começou a conviver com a síndrome de Cassano. Com temperamento forte, o atacante de origem ganense vive às turras com o técnico Mourinho e só se manteve no time graças a seu talento.

Já Sebastian Giovinco retornou à Juventus, clube em que foi formado, tentando mais uma vez driblar as limitações que os 1,64 m e 59 kg lhe impõem. Apesar de ter tido alguns bons momentos, esteve longe de ser brilhante e viu a Vecchia Signora desistir dele como substituto natural do tcheco Pavel Nedved e ir buscar o brasileiro Diego na Alemanha.

Além da desconfiança sobre suas maiores esperanças, a Itália terá que lidar com duas ausências chaves. O atacante Giuseppe Rossi (Villarreal) e o lateral Davide Santon (Inter) foram promovidos à seleção principal e irão disputar a Copa das Confederações.

Técnico: Pierluigi Casiraghi
Artilheiro: Robert Acquafresca (Cagliari) – 5 gols
Campanha: 8V, 4E, 0D, 24GP, 6GC
Títulos: 5 (1992, 1994, 1996, 2000 e 2004)
Na edição passada: eliminada na fase de grupos


Sérvia

Não há entre os países que estão fora do grupo dos grandes do futebol europeu uma seleção com categorias de base tão fortes quanto a Sérvia. Tanto em resultados quanto em volume de revelações, os ex-iugoslavos batem qualquer rival com exceção das já consagradas potências.

Vice-campeã sub-21 na temporada passada, a Sérvia vai à Suécia com chances reais de brigar por seu segundo título na categoria, o primeiro após o seu desmembramento.

Slobodan Krcmarevic comanda um time equilibrado, com o melhor ataque das eliminatórias (marcou os mesmos 26 gols da Alemanha) e uma das defesas mais eficientes, vazada somente cinco vezes.

A definição de time equilibrado fica evidente na dupla de volantes. Já bastante experientes apesar da pouca idade, Milan Smiljanic, o Lola, do Espanyol, e Gojko Kacar, do Hertha Berlin, são o pulmão da equipe. Kacar, aliás, surpreende também por suas chegadas no ataque e já marcou seis vezes na competição.

Mas não é porque Kacar tem se destacado no ataque, os homens de frente estão ofuscados. O bom Miralem Sulejmani, do Ajax, e o ponta Zoram Tosic, uma das apostas para o futuro do Manchester United, merecem destaque na análise do sistema ofensivo sérvio.

Técnico: Slobodan Krcmarevic
Artilheiro: Gojko Kacar (Hertha Berlin) – 6 gols
Campanha: 7V, 2E, 1D, 26GP, 5GC
Títulos: 1 (1978)
Na temporada passada: vice-campeã


Suécia

Anfitriã da competição, a Suécia busca surpreender na tentativa de alcançar pela segunda vez a decisão de um Europeu sub-21. Mas para isso terá que driblar a falta de competitividade de uma equipe que não disputa partidas oficiais há mais de dois anos.

A dupla Tommy Söderberg e Jörgen Lennartson, que comanda a seleção sueca, tentará superar esse problema utilizando o que o seu elenco tem de melhor: a experiência. Dos 23 convocados, dez já utilizaram a camisa amarela do time adulto.

A maior esperança está concentrada no ataque, setor dos dois jogadores mais conhecidos do time. Habitué na seleção principal, Marcus Berg (Groningen) tem a missão de liderar o time dentro de campo. Ele irá atuar ao lado de Ola Toivonen, centroavante que acabou de completar sua primeira temporada na Holanda, defendendo o PSV Eindhoven.

No meio-campo está outra aposta sueca. O armador Rasmus Elm ainda atua no futebol local –joga pelo Kalmar--, mas já começa a fazer barulho. Apesar de só recentemente ter completado 21 anos, já jogou cinco vezes na seleção adulta e marcou um gol.

Técnicos: Tommy Söderberg e Jörgen Lennartson
Artilheiro: não participou das eliminatórias
Campanha: não participou das eliminatórias
Títulos: nenhum
Na temporada passada: eliminada nos playoffs das eliminatórias


GRUPO B

Alemanha

Ainda em busca do seu primeiro troféu sub-21, a Alemanha é a sensação do momento na base da Europa. Caso conquiste o torneio da Suécia, irá unificar os títulos das três principais categorias, já que é a atual campeã continental sub-17 e sub-19.

O time comandado por Horst Hrubresch chega à fase final como dono da melhor da defesa (sofreu apenas quatro gols em dez partidas) e do ataque mais eficiente das eliminatórias (marcou 26 vezes).

Boa parte da segurança da defesa germânica atende pelo nome de Manuel Neuer. Goleiro titular do Schalke 04 há três temporadas, ele acabou de receber sua primeira chance na seleção principal e tem chances reais de ser o dono da camisa 1 da Nationalmannschaft por mais de uma década.

No ataque, está a surpresa da convocação alemã. Rouwen Hennings, centroavante emprestado pelo Hamburgo ao St. Pauli, fez sete gols nas eliminatórias e é o artilheiro da atual edição do Europeu sub-21. Mesmo assim, ficou de fora.

Hrubrech preferiu chamar para sua linha de frente dois jogadores do Duisburg, Sandro Wagner e Chinedu Ede, além de Ashkan Dejagah, do campeão Wolfsburg, e Marko Marin, do Borussia Mönchengladbach.

Técnico: Horst Hrubresch
Artilheiro: Rouwen Hennings (St. Pauli) – 7 gols
Campanha: 6V, 3E, 1D, 26GP, 4GC
Títulos: nenhum
Na temporada passada: eliminada nos playoffs das eliminatórias


Espanha

Uma geração vitoriosa. É isso que tem em mãos o técnico Juan Ramón López Caro (ex-Real Madrid). O elenco espanhol sub-21 tem um histórico de conquistas e sua base foi campeã continental tanto no sub-19 (2006 e 2007), quanto no sub-17 (2007).

Com nove vitórias e uma derrota apenas nas eliminatórias, a pequena “Fúria” foi a equipe que mais triunfos obteve até o momento. Culpa de um grupo que só não chegou ainda na seleção principal devido ao excesso de valores do futebol espanhol na atualidade.

Mas, entre os convocados por López Caro, dois já tiveram a chance de fazer companhia a Casillas, Xavi e Fernando Torres. O meia-atacante Diego Capel (Sevilla) e o centroavante Bojan (Barcelona) tentam se recuperar de uma temporada meia-boca depois de um ano anterior de muitas glórias e expectativas.

Mas a seleção espanhola que vai à Suécia poderia ser ainda mais forte se Vicente del Bosque não fizesse questão de contar com três garotos na seleção adulta. O zagueiro Gerard Piqué e o volante Sergio Busquets, ambos campeões europeus pelo Barcelona, e o meia Juan Manuel Mata, do Valencia, poderiam engrossar a lista de estrelas da sub-21.

Técnico: Juan Ramón López Caro
Artilheiro: Juan Manuel Jurado (Mallorca) – 4 gols
Campanha: 9V, 0E, 1D, 25GP, 7GC
Títulos: 2 (1986 e 1998)
Na temporada passada: eliminada nos playoffs das eliminatórias


Finlândia

Ser coadjuvante em um grupo com três das maiores potências do futebol europeu. É esse o destino que provavelmente aguarda a seleção finlandesa em sua primeira participação na fase final de um Europeu sub-21.

Sem grandes promessas, o time escandinavo pode considerar que já foi longe demais. É essa exatamente essa falta de responsabilidade finlandesa o único fator que pode fazer com que o time do técnico Markku Kanerva surpreenda na Suécia.

O seu débil ataque, com o pior desempenho entre todas as seleções classificadas para as finais, tem como ponto forte um meio-campista: Tim Sparv, que atuou nas categorias de base do Southampton e hoje defende o sueco Halmstads.

A esperança para melhorar um pouco a produtividade do setor ofensivo está nos pés de Teemu Puki, jogador pinçado da seleção sub-19 que já estreou pela equipe profissional do Sevilla.

A situação finlandesa poderia ser um pouco melhor, mas Kanerva não poderá contar com o seu jogador mais experiente e talentoso. Ex-Udinese e Siena, o meia Roman Eremenko (Dínamo de Kiev), titular da seleção principal, pediu para ser deixado de fora da competição.

Técnico: Markku Kanerva
Artilheiro: Tim Sparv (Halmstads) – 3 gols
Campanha: 7V, 1E, 2D, 14GP, 9GC
Títulos: nenhum
Na temporada passada: eliminada na segunda fase das eliminatórias


Inglaterra

A seleção inglesa sub-21 aposta na experiência dos seus jogadores para conquistar o terceiro título europeu na categoria e pôr fim a um logo tabu de 25 anos sem levantar o troféu. O técnico Stuart Pearce venceu uma queda-de-braço contra os treinadores da Premier League e convocou força máxima, o que, no caso, significa um elenco já muito rodado.

O melhor exemplo da experiência atende pelo nome de Theo Walcott. O meia-atacante tem idade para mais um ciclo completo na equipe sub-21, mas já completou sua terceira temporada completa como profissional Arsenal e ostenta uma Copa do Mundo no currículo.

Além de Walcott, o goleiro Joe Hart e o zagueiro Micah Richards, ambos do Manchester City, e o atacante Gabriel Agbonlahor, do Aston Villa, não apenas já jogaram pela seleção adulta, como fazem parte frequentemente das convocações de Fabio Capello.

Outros três jogadores participaram do último Europeu sub-21: Nedum Onuhoa, zagueiro do Manchester City, Mark Noble, meia do West Ham, e o meia-atacante James Milner, do Aston Villa, atleta que mais atuou na seleção inglesa da categoria (42 jogos) e artilheiro do time nas eliminatórias, com cinco gols.

Técnico: Stuart Pearce
Artilheiro: James Milner (Aston Villa) – 5 gols
Campanha: 8V, 2E, 0D, 22GP, 5GC
Títulos: 2 (1982, 1984)
Na temporada passada: semifinalista


*Repórter da Folha Online e ex-colunista do Olheiros



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