Marcus Alves - 18/06/2009
É tarefa difícil apontar um outro clube na Europa que lide tão bem com a chamada segunda venda como o Porto. Talvez só o Sevilla e olhe lá. Os Dragões deram mais uma mostra de sua eficiência nas negociações nessa semana, ao vender o lateral-esquerdo Aly Cissokho por 15 milhões de euros ao Milan. Detalhe: haviam buscado o jogador de 21 anos no Vitória Setúbal por 300 mil euros, na última janela de transferências de inverno. E devem colher mais frutos ainda nas próximas semanas. Destaques portistas na recém-encerrada temporada, nomes como Lisandro López, Hulk e Bruno Alves vêm tendo seus nomes ligados a outros times.
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Em comum entre esse quatro atletas, o fato de terem chegado ao clube azul e branco ainda jovens e por valores bastante modestos se comparados àqueles que se comenta em torno de suas vendas. É justamente desse lucro que o Porto retira o dinheiro para sanar as suas imensas dívidas e fazer novos investimentos em jogadores com potencial para uma futura negociação. O caso de Cissokho, aliás, exemplifica perfeitamente essa situação. Antes mesmo de sua saída ser acertada, os dirigentes portistas já haviam buscado seu substituto.
Estamos falando do uruguaio Álvaro Pereira, titular de seu país nas Eliminatórias para a Copa do Mundo e que chega do romeno Cluj. O montante pago em sua contratação? Apenas 4,5 milhões de euros. Ou seja, não equivale nem a um terço do valor arrecadado com a negociação de Cissokho. E mais: quem já viu o ex-lateral do Argentinos Juniors jogando, como esse colunista, pode garantir que se trata de uma opção ainda mais promissora e madura para enterrar de uma vez por todas o fantasma que parecia rondar essa posição no elenco do treinador Jesualdo Ferreira.
É claro que, para esse trabalho dar certo, é preciso contar com o suporte de profissionais qualificados. Caso de Jesualdo, que viu sua base ser abalada na última temporada, com as saídas de José Bosingwa, Paulo Assunção e Ricardo Quaresma, e formou um novo time apostando em atletas pouco badalados, como Rolando, Fernando, Hulk e o próprio Cissokho. Assim, funciona toda a engenharia para que não só o domínio local seja mantido, como também sejam asseguradas as negociações que, a exemplo de seus pares brasileiros, os portistas precisam fazer todos os anos para equilibrar suas contas.
Nesse sentido, outro que desempenha um papel fundamental fora de campo é diretor geral do clube, Antero Henrique. Sua atuação pode ser comparada à de Monchi no Sevilla. Ambos são responsáveis por revirar o mercado atrás de valores que possam proporcionar uma revenda. E como se vê, têm feito suas obrigações muito bem. Não é por acaso que suas equipes carregam a fama de boas vendedoras. Antero, em especial, ganhou muito espaço nessa última temporada e transformou-se ao longo dela numa figura importante também no dia-a-dia do clube. Passou-se a fazer mais notado pela imprensa. Só se espera que, com isso, não se afaste das atividades de prospecção. Para o bem do próprio Porto.
É possível enumerar aqui diversos exemplos de negociações bem conduzidas por Antero Henrique. Mas fiquemos presos aos casos de Lisandro López e Hulk, dois dos nomes cotados para deixar o estádio do Dragão – as demais negociações podem ser conferidas mais abaixo. O atacante argentino desembarcou no time com 22 anos, em 2005, e custando aos cofres da equipe quase 7 milhões de euros. Um investimento, de certa forma, considerável, mas que deve ser pago com juros e correção na atual janela de transferências. O artilheiro portista não deve sair por menos de 20 milhões.
Hulk, por sua vez, tem seus direitos avaliados em 40 milhões. Pouco provável que um clube vá pagar esse valor com o mercado em recessão. Ainda assim, por mais que o atacante venha a ser repassado por uma quantia menor, já representaria um lucro gigantesco para os azuis e brancos, que gastaram 5,5 milhões em sua contratação. Diante de fatos como esse, não resta dúvida de que os portistas sabem vender seu peixe como nenhum outro clube. E a tendência é que essa estratégia siga rendendo cada vez mais dinheiro para o time, já que o foco no mercado deve recair a partir de agora em talentos locais, mais baratos que os estrangeiros.
Curtas
- Veja quem foram os jogadores contratados ainda jovens pelo Porto nesta década e muito bem negociados pelo time alguns anos depois.
Ricardo Quaresma: chegou do Barcelona por 6 milhões de euros e foi vendido à Inter de Milão por 24,6 milhões.
José Bosingwa: chegou do Boavista por 1,5 milhão de euros e foi vendido ao Chelsea por 20,5 milhões.
Anderson: chegou do Grêmio por 5 milhões de euros e foi vendido ao Manchester United por 31,5 milhões.
Pepe: chegou do Marítimo por 2 milhões de euros e foi vendido ao Real Madrid por 30 milhões.
Ricardo Carvalho: foi contratado junto ao Leça ainda nas categorias de base e vendido ao Chelsea por 30 milhões de euros.
Deco: chegou do Salgueiros por 8 milhões de euros e foi vendido ao Barcelona por 21 milhões.
Paulo Ferreira: chegou do Vitória de Setúbal por 2 milhões de euros e foi vendido ao Chelsea por 20 milhões.
Carlos Alberto: chegou do Fluminense por 2,5 milhões de euros e foi vendido ao Corinthians por 10 milhões.
Jorge Andrade: chegou da Estrela Amadora por um valor desconhecido e foi vendido ao Deportivo La Coruña por 13 milhões de euros.
- Os brasileiros Thiago Silva, atual Milan, Diego e Luís Fabiano foram uma exceção à regra. Não vingaram no time e acabaram saindo por valores menores do que aqueles pagos em suas contratações.
- Dados do Transfermarkt.
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