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Desenvolvimento insustentável

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Gabriel Dudziak - 24/06/2009

Mesmo investindo milhões e milhões de libras em jogadores de renome, técnicos de grife, comissões técnicas de qualidade e instalações avançadas, Roman Abramovich não conseguiu até aqui o seu maior sonho como dono do Chelsea, a Champions League. Pior, não conseguiu sequer montar um time capaz de caminhar com as próprias pernas e dar lucro. Isso porque a estratégia do clube de formulação de elencos não vem sendo acertada e tampouco bem sucedida. A insistência em contratar medalhões, grande parte deles em idade já avançada, o mau planejamento e até certo ponto desleixo com as categorias de base não só têm impedido o Chelsea de ter os resultados esperados a longo prazo, como tem minado a saúde financeira da agremiação, hoje totalmente dependente do dinheiro do magnata russo.

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Para se ter uma ideia de como a política dos Blues vem provocando perdas financeiras e esportivas, basta analisar o caso do lateral-direito Glen Johnson. O atleta, que começou sua carreira no West Ham, chegou ao Chelsea com 19 anos depois de uma negociação na qual o clube londrino pagou 6 milhões de libras, a primeira de Abramovich como mandatário do clube. Após três anos de idas e vindas entre o banco e os titulares, Johnson foi emprestado ao Portsmouth na temporada 2006-07, onde acabou ficando em definitivo pelo valor de 4 milhões de libras. Depois de dois anos no Pompey, Glen, aos 24 anos, viveu na última temporada o melhor momento de sua carreira, sendo o jogador chave de seu clube e retomando a titularidade da seleção inglesa. Seu desempenho atraiu o interesse dos grandes do país, inclusive do Chelsea, que ofereceu 17 milhões de libras para contar novamente com o atleta. No fim, Johnson acabou aceitando nesta segunda-feira uma oferta igual do Liverpool. Ou seja, além de ter perdido a oportunidade de contar com o atleta no auge de sua forma, e agora ver o melhor lateral-direito da Inglaterra nos rivais de Meseyside, o Chelsea esteve prestes a gastar quatro vezes mais por um jogador que havia vendido dois anos antes por deficiências técnicas. Uma falta de percepção e planejamento total.
 
No mesmo dia os Blues decidiram vender ao Espanyol por 1 milhão de libras o atacante israelense Ben Sahar, uma das maiores promessas do futebol de seu país. É bem verdade que Sahar, que já tem 15 convocações pela seleção principal de Israel, não chegou a impressionar desde que chegou ao clube em 2006. No entanto, suas chances foram escassas até aqui, tanto nos Blues, quanto nos clubes para os quais foi emprestado. Pode ser que o Chelsea tenha feito um grande negócio, mas a estratégia de vender um jovem de 19 anos dessa forma e por essa quantia é mais uma mostra de que não há a menor paciência com as categorias de base ou mesmo insistência para ver as promessas prosperarem. 
 
E a situação não é diferente para quem ficou no clube. Além de jogadores como Kalou, Mikel e Ivanovic, trazidos jovens para o clube e que ainda precisam provar que podem ser titulares dos Blues, uma série de outros nomes sequer consegue ter a chance de entrar em campo regularmente. Na temporada passada Felipão mal-e-mal tentou lançar o winger Miroslav Stoch e o atacante Franco di Santo no time principal. A aposta, no entanto, não teve sucesso, uma vez que a pressão por resultados e descontentamento dos jogadores principais do clube tornaram o ambiente londrino pouco aprazível para esse tipo de prática. Com a chegada de Guus Hiddink, quem ganhou espaço foi o lateral-direito e defensor Michael Mancienne, que à exceção dos demais nomes, teve bom desempenho. Pouco, muito pouco, para um clube que investiu 12,9 milhões de libras em um novo centro de treinamento para as categorias de base e outros 5,9 milhões de libras na contratação de Frank Arnesen, um dos mais respeitados olheiros do mundo.
 
E é com essa mesma política atabalhoada e desastrada que o Chelsea entra na temporada 2009-10. Sem grandes reforços e sem grandes expectativas de novos talentos surgidos da academia, Carlo Ancelotti, um treinador que também é pouco afeito ao lançamento de jovens em seus times, deverá começar o período de treinamentos em julho com praticamente as mesmas peças da temporada anterior. A provável contratação de Daniel Sturridge, atacante de 19 anos do Manchester City, dá um sinal de que o clube ainda procura empreender uma reformulação, mas, por ora, os esforços nesse sentido são tímidos. Sobretudo quando os Blues anunciam esse interesse ao mesmo tempo em que mantêm no time Drogba, Anelka, Malouda e decidem reintegrar Andriy Shevchenko.
 
Abramovich já entendeu, ou já deveria ter entendido, que mais fácil e lucrativo do que sair atrás de nomes dos grandes times e gastar milhões e milhões em jogadores consagrados é formar atletas dentro do próprio clube. No entanto, para realizar esse processo é necessário um trabalho mais apurado de prospecção de novos talentos e, sobretudo, adotar uma política que estimule a chegada e adaptação dessas peças ao time principal. Do contrário, os poucos momentos de brilhantismo do Chelsea se findarão junto às carreiras de seus principais jogadores da atualidade.



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