Dassler Marques - 24/06/2009
No Rio Grande do Sul, existe uma posição que praticamente não há em outro lugar: o terceiro volante. Mas não é por isso que surgem tantos bons nomes nas primeiras funções do meio-campo. Talvez por terem uma melhor concepção tática que outros estados, como Rio de Janeiro ou São Paulo, talvez por condição física privilegiada. E, claro, pela qualidade. O fato é que o Grêmio se supera nesse sentido.
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Apenas na atual década, há volantes para todos os gostos surgindo na Azenha. Desde Eduardo Costa, que pintou profissionalmente com 17 anos no ótimo time de Tite, até Bruno Renan, que sequer estreou no time de cima e já rendeu alguns milhões, o Grêmio colabora diretamente para a “volância” do futebol brasileiro. O Olheiros separou, nas linhas abaixo, dez grandes provas para essa tese: se você precisa de volante, vá nas categorias de base gremistas.
Eduardo Costa: “O precursor”
Ao contrário dos nomes mais recentes, Eduardo Costa despontou no início da década, abrindo caminho para seus sucessores. Na equipe de Tite, campeã da Copa do Brasil em 2001, formou um inesquecível dueto com Tinga, aproveitado por Felipão em alguns momentos na seleção brasileira. Eduardo rodou a Europa e retornou à Azenha em 2007, se mostrando importante para a ascensão de Rafael Carioca e Willian Magrão no último Brasileiro.
Lucas Leiva: “O brilhante”
Provavelmente, o sobrinho de Leivinha seja o mais virtuoso da estirpe de volantes forjados em azul, preto e branco. Lucas, que passou pelo Brasilis, de Oscar, pintou profissionalmente com o Grêmio em 2005, e mostrou maturidade desde a Batalha dos Aflitos. Depois de liderar o Brasil ao título do Sul-Americano Sub-20, foi um dos três principais jogadores do futebol brasileiro em 2006, na ótima campanha da equipe de Mano Menezes.
Anderson: “O adaptado”
Todos poderiam duvidar, mas Anderson, o Maradoninha do Grêmio, virou o sucessor de Paul Scholes no Manchester United. Adaptado para a “volância”, o meia-atacante lançado por Mano Menezes ao longo da Série B de 2005, e destaque absoluto no Mundial Sub-17, virou meia central em Old Trafford e passa a brigar por esse mesmo espaço na seleção, em que já teve oportunidades com Dunga.
Rafael Carioca: “O sereno”
Nada de carrinhos voadores, entradas por sobre a bola ou dedos no rosto dos atacantes. Rafael Carioca foge do estereótipo de volantes pegadores, mas é um exímio marcador e especialista no desarme. Sereno, jogou 40 partidas na última temporada, e recebeu apenas quatro amarelos, se colocando como o grande cabeça-de-área no Brasileiro. Por R$ 12 milhões, virou jogador do Spartak de Moscou.
Willian Magrão: “O homem de três pulmões”
O parceiro de Rafael Carioca no último Brasileiro lhe completa como queijo e goiabada. São diferentes, já que Willian Magrão marca com correção e tem um fôlego incansável para ocupar várias partes do campo e é capaz de se deslocar do meio-campo até a grande área e finalizar em um piscar de olhos. Se machucou com gravidade no início de 2009, mas é esperado com ansiedade para formar dupla com Adílson Warken no segundo semestre.
Adílson Warken: “ A ressurreição”
Apontado como o sucessor para Lucas Leiva no Grêmio, Adílson Warken demorou a aparecer e chegou a ser dado como um foguete molhado. Celso Roth, porém, foi importante para recuperá-lo, já na reta final do último Brasileiro. Com a saída de Rafael Carioca e a lesão de Magrão, tomou conta da meiúca tricolor, assumindo até um papel marcador, longe de suas características primordiais. Raçudo, hoje é indiscutível no Grêmio.
Maylson: “O próximo”
Lançado por Mano Menezes durante o Brasileiro de 2007, Maylson perdeu espaço ao longo dos meses seguintes, mas foi “salvo” pela seleção brasileira. Ao longo do último Sul-Americano Sub-20, arrumou o meio-campo de Rogério Lourenço, compondo uma trinca com os colorados Sandro e Giuliano. Combina características de Adílson Warken e Willian Magrão: hoje, está na fila de espera por um lugar ao sol no Olímpico.
Tiago Dutra: “O salvador da pátria”
Integrante de seleções sub-17 e sub-20, o garoto Tiago Dutra se destacou entre os mais velhos do Grêmio e realizou bons papéis em torneios de base, fazendo despertar o interesse do Villarreal, da Espanha, que já levou outras jovens promessas sul-americanas para suas canteras. Dutra só fez jogo entre os profissionais e já foi vendido, com Bruno Renan: o negócio deve permitir a permanência de Souza, a ser adquirido junto ao PSG.
Bruno Renan: “O precoce”
Bruno Renan fez um Brasileiro Sub-20 impressionante no último mês de dezembro. Mesmo entre os meninos mais velhos, o juvenil saía do banco de reservas e, acionado por Julinho Camargo, destoava. Forte fisicamente, dedicado e habilidoso, vai embora, junto com Tiago Dutra, para o Villarreal. O Grêmio ainda mantém 20% em uma negociação futura, o que pode ser um bom negócio, já que Bruno tem tudo para trilhar um grande caminho nos próximos anos.
Paulinho: “O desertor”
Cria do Metropolitano, de Santa Catarina, Paulinho foi o capitão do Grêmio no último Brasileiro Sub-20, mas já veste as cores do Vasco. Camisa 5 típico, que não mete botinadas e se consagra pela transpiração, acabou não renovando com os gremistas e foi levado por Rodrigo Caetano para São Januário antes mesmo de se profissionalizar na Azenha. Com Dorival Júnior, ainda foi pouco usado, mas cumpre função até na lateral direita.
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