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Submundo da bola

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Dassler Marques - 21/07/2009

O jeito de tratar a bola é o peculiar dos grandes 10 argentinos. O olhar altivo, a bola grudada ao pé, o dom de ditar o jogo.  Tudo isso faz parte do repertório de Javier Pastore, a maior sensação dos últimos tempos no futebol argentino, em que foi vice-campeão do último Clausura a serviço do Huracán, o que não acontecia há 15 anos para o clube. Tudo isso já é passado para ele: Pastore, por 7 milhões de euros, é o novo e mais valioso acréscimo à política recente do Palermo na aposta em promessas sul-americanas.

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Em 2009, já são praticamente 15 milhões de euros investidos apenas em três reforços sub-23 provenientes do futebol sul-americano, algo que ocorre tradicionalmente no Villarreal. Além de Pastore, o Palermo também buscou Nicolás Bertolo, ex-Boca e Banfield, e Abel Hernández, este em janeiro, ex-Peñarol.

A intensificação desse processo pode ser explicado pelo sucesso de Édison Cavani. O uruguaio, que destoou no Sul-Americano Sub-20 e no Mundial Sub-20 de 2007, definitivamente vingou na última temporada a serviço dos rosaneri. Titular a partir da saída de Amauri para a Juventus, o Canibal anotou respeitáveis 15 gols em 34 jogos, fazendo valer o esforço e o investimento para lhe tirar do Danubio há dois anos.

Cavani agora provavelmente terá ainda mais oportunidades de progredir em sua média de gols. Acontece que Javier Pastore, a grande sensação do último Clausura, é um clássico e incisivo enganche tipicamente argentino. Ao contrário do que acontece com as promessas que chegam a Europa, ele deve rapidamente ser encaixado no meio-campo rosaneri. A euforia na Sicília é enorme pela chegada do jogador, constantemente comparado a Kaká – com exageros, claro – por imprensa e torcida locais.

Na Argentina, já se conhece bem do que é capaz Pastore, ex-camisa 16 do Huracán. Fã declarado de Juan Román Riquelme, o principal reforço do Palermo para a temporada tem foto com o ídolo, ainda de quando era adolescente, e camisa pessoalmente entregue em visita recente à Bombonera para um duelo entre Huracán e Boca Juniors.

A história de vida do jogador é interessante. Viveu 15 anos de sua vida em Córdoba, mais populoso município argentino além da capital, e naturalmente despontou no Talleres, principal clube de lá. Foi levado aos profissionais com 17 anos, mas acabou voltando para a base, mesmo sem ter mostrado um futebol convincente, segundo relatos seguros de quem o viu de perto.  Sem espaço, teve de optar entre o Huracán e o River Plate, em que jogaria na equipe B. Pastore apostou nele mesmo, quis jogar em um clube menor, e se deu bem.

Demorou a se firmar, graças a confusões contratuais e uma lesão séria no tornozelo, mas definitivamente explodiu em 2009, quando deveria ter disputado o Sul-Americano Sub-20, mas não foi liberado por seu clube, o que talvez ajude a explicar o fiasco argentino na competição. Foi cotado por gigantes espanhóis e ingleses e acabou fechando com o Palermo. 

Ao que parece, trata-se de um negócio possivelmente vultuoso para os rosaneri. Pastore tem só 20 anos e um futuro referendado: e mais, pois pode transformar os 7 milhões de euros investidos em seu futebol numa bolada futura, já que há idade suficiente para uma, duas ou três grandes transferências. Tão jovem, o jogador renderia até dinheiro no caso de uma venda internacional, já que teria participação como clube formador e direito ao mecanismo de solidariedade da Fifa.

Firulas

#1
Contratações recentes de jovens sul-americanos no Palermo:
Javier Pastore (/89) – Huracán – 7 milhões de euros
Nicolás Bertolo (/86) – Banfield – 4 milhões de euros
 Abel Hernández (/90) – Peñarol – 3,7 milhões de euros por 50% dos direitos
Edinson Cavani (/87) – Danubio – 5 milhões de euros

#2
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