Lincoln Chaves - 30/07/2009
A principal rivalidade do Rio Grande do Sul — e, para muitos, a maior do Brasil — é entre Grêmio e Internacional, protagonistas do famoso Gre-Nal. No entanto, o estado possui pelo menos mais dois clássicos que, apesar de menos conhecidos, geram o mesmo sentimento entre os torcedores. Com a queda de Brasil e Pelotas no cenário do futebol gaúcho, foi o clássico Caju, entre Caxias e Juventude que se tornou, hoje, o principal do interior sul-rio-grandense. O que faz com que, a cada resultado positivo de um lado, o rival se apresse em dar o troco. Esse é um dos fatores que levaram o time grená a colocar em evidência aquela que é considerada a grande promessa caxiense dos últimos anos: Vinícius Reis.
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O meia-esquerda é uma clara resposta do Caxias ao Juventude, que desde o ano passado, lapida o jovem Zezinho, destaque no Sul-Americano Sub-17 pela seleção brasileira, mas que desde antes já vinha chamando a atenção na base verde, sendo observado por grandes brasileiros e mesmo de fora. As maiores provas disso são as idades semelhantes da dupla e o fato de, como o “rival”, Vinícius ter assinado um contrato com uma multa avaliada em aproximadamente R$ 41 milhões de reais. Algo, talvez, inacreditável, por ser um atleta que ainda não foi alvo de tanta badalação, mas que fará parte do elenco do Grêmio para a continuidade da temporada.
Caminho inverso
Por mais que o futebol do Rio Grande do Sul venha ganhando cada vez mais peso e importância em caráter nacional, com duas equipes campeãs continentais e do mundo, o grande centro nacional ainda se concentra no eixo Rio-São Paulo. Até por isso, o caminho usual para quem se destaca em uma equipe gaúcha ou mineira costuma ser ir atrás de propostas de paulistas ou cariocas ou fora do Brasil. Portanto, pode-se dizer que Vinícius Reis fez a trajetória contrária. Afinal, é natural de Barra do Piraí, no interior do Rio de Janeiro, onde passou boa parte do princípio de sua jovem carreira, antes de se mudar para o Sul.
Seus primeiros chutes foram no Vasco da Gama, mais precisamente na mesma quadra que já revelou, por exemplo, Edmundo. De lá, passou à base do Volta Redonda, onde ficou de 2003 a 2005. Destacou-se, voltando ao Vasco e, posteriormente, seguindo para o CFZ, clube de Zico, permanecendo na equipe até 2007. Embora não tenha obtido títulos em suas passagens pelo estado de origem, demonstrou habilidade e velocidade no toque de bola, características marcantes do futebol de salão, esporte que praticou na maior parte do tempo.
Foi quando veio a proposta para deixar o calor do Rio de Janeiro e rumar para o frio e a neblina da Serra Gaúcha, trazida pelo empresário Jorge Machado — o mesmo de jogadores como Bruno Coutinho, Ibson e Nilmar — quando o garoto atuava pelo pequeno time carioca. Decisão difícil, já que deixaria a comodidade do lar e a proximidade da família, mas necessária para quem deseja seguir uma carreira no futebol. Até por conta disso, o jovem meio-campista topou a ida para o Sul, alegando a boa visibilidade que as categorias de base possuem na região. E então, em novembro de 2008, desembarcou em Caxias do Sul.
Ao chegar na nova casa, já notou a diferença entre a escola gaúcha e fluminense de futebol. O que, no seu entender, ajuda a explicar porque, diferentemente do que vinha ocorrendo nas passagens anteriores, passou a ganhar um status de maior destaque. “No Rio de Janeiro, o futebol é mais cadenciado, envolve mais a habilidade do jogador. Por aqui, joga-se um futebol aplicado, padronizado na força e na velocidade. Acredito que por isso é que comecei a aparecer aqui”, define o meia, que afirma possuir um futebol rápido e vertical, revelando ainda que segue, em suas devidas proporções, o estilo de jogo de seu ídolo, o português Cristiano Ronaldo.
Com a camisa grená, no entanto, Vinícius não teve muitas oportunidades no time profissional após jogar o Campeonato Gaúcho de Juniores. A campanha não foi muito boa — a equipe se despediu ainda na segunda fase, atrás de Inter de Santa Maria e Garibaldi —, mas o desempenho do garoto chamou a atenção do treinador Gilmar Iser, que decidiu promovê-lo ao elenco principal em 11 de maio, na reta final do Gauchão profissional. O meia-esquerda não chegou a ser utilizado, mas ganhou as primeiras chances contra Marcílio Dias, Criciúma e Brasil de Pelotas, na Série D, sempre saindo do banco de reservas.
Futuro
Os próximos passos de Vinícius serão dados no próprio Rio Grande do Sul, apesar da alta cláusula de rescisão contratual. Conforme a assessoria de imprensa do jogador, o empresário Jorge Machado, que passou o princípio do mês fora, discutindo as situações contratuais de Ibson e Bruno Coutinho, esteve, na última semana, em Porto Alegre acertando os detalhes da ida do atleta para o Grêmio. Os dados divulgados pela imprensa sulista indicam que o time da capital gaúcha pagou R$ 1,3 milhões por 50% dos direitos econômicos da jovem revelação. A outra metade ficou com o Caxias — evidentemente, visando uma valorização maior do seu pupilo no futuro.
Embora tenha sido dito, no entanto, que o jogador viria para se encaixar na equipe profissional do tricolor, ele foi listado no elenco dos juniores. Sendo assim, Vinícius certamente será um valor a ser acompanhado no Campeonato Brasileiro Sub-20, que pode lhe dar mais cancha para 2010, quando o garoto deve passar a figurar no elenco atualmente comandado por Paulo Autuori, e que, nos últimos anos, tem sido formado, em quase 50% dele, por atletas provenientes das categorias de base. Vale ficar de olho.
Ficha técnica
Nome completo: Vinícius dos Santos Reis
Data de nascimento: 02/07/1990
Local de nascimento: Barra do Piraí-RJ
Clubes que defendeu: Caxias, Grêmio
Seleções de base que defendeu: nenhuma
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