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O futuro não é o bastante

Falta paciência?

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Marcus Alves - 30/07/2009

Cinco jovens nigerianos desembarcaram na América do Sul recentemente. O destino do grupo é conhecido. Atuarão por San Lorenzo e Inter. Mais do que isso, porém, é impossível dizer. Nos últimos anos, diversos jogadores africanos passaram pelo futebol sul-americano sem conseguir superar o anonimato. Alguns até chegam bem cotados, casos dos reforços do Ciclón, que possuem passagem pela seleção sub-20 de seu país. Entretanto, a maioria encontra dificuldade para mostrar seu potencial por aqui.

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Falta paciência aos nossos clubes? Talvez. São pouquíssimos os atletas africanos que construíram uma carreira, no mínimo, relevante pelas equipes do continente. No Brasil, por exemplo, pode-se citar o atacante nigeriano Ricky, que, ainda hoje, é lembrado pelos torcedores do Vitória, e o goleiro camaronês William Andem, ex-Cruzeiro e Bahia. O cenário também não é muito animador na Argentina. O centroavante Tchami, de Camarões, e o zagueiro Sekagya, de Uganda, são raros casos de sucesso no país vizinho. Defenderam Boca Juniors e Arsenal de Sarandí, respectivamente.

Diferentemente do que costuma acontecer no futebol europeu, assim que pisam na América do Sul, os garotos africanos já se deparam com um problema que irá atormentá-los em seus primeiros meses longe de casa: o idioma. É preciso ter bastante força de vontade para aprender a se virar em português ou espanhol rapidamente. E, para piorar, nem todos os times possuem a estrutura necessária para fazer o acompanhamento correto desse processo.

Dessa forma, as promessas buscadas do outro lado do Atlântico acabam sendo obrigadas a recorrer a outras saídas para superar esses obstáculos. É o que fez o volante camaronês Steve Loic, do Macaé, autor do primeiro gol da história da Série D. Em entrevista recente a este colunista para matéria publicada na última edição da revista Placar, ele confessou que, em seu primeiro mês no Gama, foi fundamental para a sua adaptação a presença nos treinos de seu irmão, engenheiro mecânico há 20 anos em Brasília.

Porém, as dificuldades acarretadas pela mudança de país não se restringem tão somente à língua. Envolvem também diferenças no estilo de futebol. Quando chegou ao Brasil, Steve já havia jogado pela seleção camaronesa sub-17, porém, nem mesmo essa rodagem foi capaz de lhe garantir vantagem em campo. Segundo ele, no início, seus treinadores o definiam como sendo um jogador forte e técnico, mas sem qualquer disciplina tática. E é desse modo que vários jogadores africanos se apresentam aos clubes sul-americanos. Fazer um trabalho específico em cima dessa deficiência é o desafio.

No caso de Steve, colaboraram bastante em sua formação Cuca, responsável por seu lançamento no Gama, e Joel Santana, com quem conviveu no Vitória. Sob o comando deles, a então promessa camaronesa adquiriu noções de posicionamento em campo e aprendeu a sair para o ataque. Ouviu de Joel que, para fazer a diferença na sua função, é preciso marcar gols, não se limitando, como os demais volantes, a apenas atuar na proteção à defesa. Não por acaso, é hoje admirador do técnico da África do Sul.

Outro detalhe que distancia o futebol brasileiro do africano está na forma como os dois lados encaram uma partida. Quando se fala em falta de comprometimento por parte deles, pode parecer clichê, mas o próprio Steve admite ser verdade. Até por isso, de acordo com ele, seria bastante positivo para os seus conterrâneos deixarem seus países e se aventurarem, por exemplo, na América do Sul. Retornariam para as suas seleções mais maduros e dando maior importância ao resultado. Sem se preocupar apenas em dar show para a torcida.

Compreender as características que acompanham os jogadores africanos é o primeiro passo para alcançar sucesso com as suas contratações. O investimento nesses atletas ainda é pequeno no continente, mas, mesmo assim, não se pode fechar os olhos para o fato de representarem um mercado barato e que, como provam os europeus, com bastante potencial. Vale lembrar que nomes como Obinna e Geremi tiveram passagens por clubes sul-americanos antes de embarcarem para a Europa.



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