Equipe Olheiros.net - 17/12/2007
Que a Copa São Paulo surgiu em 1969, revelou grandes jogadores, ocorre sempre em janeiro e tem o Corinthians como maior campeão, quase todo mundo já sabe. Em caráter de pioneirismo, o Olheiros inicia, aqui, a maior cobertura que a principal competição de base no país já recebeu na história da imprensa brasileira. O leitor do site, que já pôde perceber a profundidade e a criatividade de nosso time, pode aguardar algo jamais visto.
Para começar em grande estilo, o Olheiros separou onze nomes que marcaram a história das 37 edições da Copa São Paulo – em 1987 não houve disputa. Diante da complexidade na busca por informações das edições antigas, o especial admite que pode haver injustiças, principalmente com os nomes do passado. De qualquer forma, a seleção contida nas linhas abaixo é prova real e indiscutível de que assistir ao torneio é antever o futuro.[Dassler Marques]
Rogério Ceni
O melhor jogador e campeão dos dois últimos Campeonatos Brasileiros, o maior artilheiro da história entre os goleiros, com 78 gols. Sim, Rogério Ceni surgiu numa Copa São Paulo, em 1993 – no mesmo ano em que o Vitória também revelou Dida – quando o São Paulo conquistou a competição num time que tinha, entre outros, Catê e Jamelli. 15 anos depois, apesar da demora a obter a titularidade como concorrente de Zetti, o goleiro é quem teve o maior sucesso dos integrantes daquela equipe campeã.[Leandro Guimarães]
Polozzi
Polozzi quase não disputou a Copa São Paulo que o projetaria para o futebol nacional: mais velho que Juninho e Fernando, foi afastado do grupo. “O Juninho se contundiu, o Fernando sumiu e os diretores foram me buscar em casa”, conta. Jogando ao lado de Oscar, foi eleito um dos destaques da edição de 75. Apesar da Macaca sequer ter chegado à final (o Atlético-MG foi campeão em cima do Corinthians), Polozzi destacou-se por ser um defensor extremamente técnico. Também ao lado de Oscar, foi vice-campeão paulista em 77. Fez parte do grupo que disputou a Copa de 78, mas não jogou. Depois do Mundial, foi para o Palmeiras e ainda atuou em clubes do interior de São Paulo e Paraná, mas nunca com o mesmo brilho.[Maurício Vargas]
Lúcio
Destaque do Internacional tetracampeão da Copinha em 1998, o zagueiro Lúcio – ao contrário de seus companheiros, como, por exemplo, os atacantes Fábio Pinto e Manoel – virou referência do time profissional colorado nos anos seguintes. Em pouco tempo, foi vendido ao futebol alemão e chegou à seleção brasileira, com a qual conquistou a Copa do Mundo de 2002. Atualmente, é ídolo no Bayern de Munique e, indubitavelmente, um dos defensores mais respeitados do mundo.[Gustavo Vargas]
Edinho
Antes de defender a seleção brasileira nas Copas do Mundo de 1978, 1982 e 1986, o zagueiro Edinho ajudou o Fluminense a conquistar a Taça São Paulo de Juniores em 1973. Então com 17 anos, o defensor já mostrava as qualidades que o consagrariam no futuro: a garra, uma qualidade técnica acima da média para um jogador de sua posição e um chute potente e certeiro. Após encerrar a sua carreira, que teve ainda passagens por Flamengo, Grêmio e Udinese, Edinho se aliou a Júnior, Cláudio Adão e cia. e foi um dos precursores da seleção de futebol de areia.[Rafael Reis]
Silvinho
O terceiro título corintiano na história da Copa São Paulo veio em 1995, 25 anos após o bicampeonato nas duas primeiras edições do torneio, em 1969 e 1970. Além dos então promissores Fabinho Fontes e André Santos, o lateral Silvinho foi um dos principais destaques entre os corintianos. Eficiente no apoio ao ataque e seguro na marcação, o canhoto imediatamente assumiu um lugar no time principal, onde permaneceu por quatro temporadas, até o fim de 98. Dali, iniciou uma carreira sólida com passagens por Arsenal, Celta de Vigo e Barcelona, seu clube atual.[Dassler Marques]
Toninho Cerezo
Em 1972, um volante de apenas 15 anos do Atlético-MG dividiu com Paulo Roberto Falcão, três anos mais velho, o prêmio de revelação do torneio. A idéia de um “gato” vem logo à cabeça, só que ela é prontamente esquecida se lembrarmos que o mesmo volante atuou até os 40 anos. Trata-se de Toninho Cerezo, dono de uma técnica raras vezes vista na cabeça-da-área. Eterno ídolo do Galo, foi destaque na Roma e na Sampdoria, participou das Copas de 78 e 82, e conquistou, entre outros títulos, o bi Mundial com o São Paulo, em 92 e 93.[Leandro Guimarães]
Falcão
Revelação do Internacional, vice campeão da Copa São Paulo de 1972, o garoto Falcão depressa passou para os quadros profissionais do clube, onde permaneceu sete temporadas, ajudando na conquista de cinco estaduais e três campeonatos brasileiros. Jogador de elevado quilate, Falcão foi, depois, contratado pela Roma, contribuindo para o alcance do título nacional, depois de um jejum de 42 anos, o que lhe valeria o apodo de “Rei de Roma”. Voltou ao Brasil, em 1985, para encerrar a carreira no São Paulo, onde ainda conquistou o Campeonato Paulista. Não esteve no Mundial de 1978, o que é quase uma heresia, mas fez parte daquela que é considerada, quase unanimemente, a melhor e mais talentosa seleção brasileira de sempre, a de 1982.[Nuno Almeida]
Djalminha
Djalminha conduziu o Flamengo à conquista da Copa São Paulo de 1990. Em decorrência de seu excelente desempenho, ele conseguiu a promoção para os profissionais ao lado de figuras como Nélio e Paulo Nunes. O talentoso meia ainda participou, no mesmo ano, do título da Copa do Brasil. Contudo, com dificuldades de adaptação, ele foi negociado com o Guarani em 1993, depois de uma briga com Renato Gaúcho. As suas consecutivas passagens por Palmeiras e Deportivo La Coruña lhe alçaram à condição de craque. Até mesmo uma convocação para a Copa do Mundo de 2002 esteve perto, mas o “pavio curto” atrapalhou seus planos mais uma vez. Aposentado, ele participa de partidas de showbol atualmente.[Marcus Alves]
Dener
Uma mistura de Pelé e Garrincha. Os mais ousados não poupavam elogios e comparações. A Copa São Paulo de 1991 foi a grande vitrine de Dener para o Brasil. Destaque absoluto da Portuguesa - de Sinval e Tico também - no título, encaminhou uma curta e atribulada carreira. Glórias e decepções. As noitadas infernizavam os dirigentes, afinal ele sempre foi o craque dos times por onde passou. Sacá-lo? Eis a dúvida. Os golaços na Lusa, no Grêmio e no Vasco contrastaram com certa irregularidade e o fracasso no Pré-olímpico de 92. Elogios de Maradona e broncas da cartolagem. Onde poderia chegar? É a grande dúvida que jamais será respondida. Que descanse em paz.[Mozart Maragno]
Casagrande
O centroavante Walter Casagrande Jr. sempre foi um rebelde no futebol. Empunhou a bandeira das “liberalidades” de um jovem da classe média paulistana. A Copinha de 1980 serviu de berço para que pudesse conviver com a massa corintiana. Eliminado pelo Atlético/MG nas semifinais, foi emprestado a Caldense e retornou para ser destaque da equipe mosqueteira que simbolizou a democracia em tempos de repressão. Com passagens pelo São Paulo e alguns clubes europeus como Porto, Torino e Ascoli, viveu o grande momento na Copa de 86, quando – pelas atuações horrorosas – nunca mais foi lembrado como possível “selecionável”.[Mozart Maragno]
Jardel
Jardel começou a mostrar seu faro de goleador ao Brasil na Copa São Paulo de 1993, em que faturou a artilharia com nove gols marcados. Sua equipe, o Vasco, não conseguiu repetir o título do ano anterior, sendo eliminada na segunda fase de grupos. Na carreira, Jardel seguiu como goleador por onde passou, destacando-se na conquista da Libertadores de 1995 com o Grêmio e no tricampeonato português, de 96/97 a 98/99, com o Porto. Foi em Portugal que viveu a melhor fase da carreira, ao alcançar médias superiores a um gol por jogo e algumas convocações para a seleção brasileira.[Henrique Moretti]
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