Gabriel Dudziak - 26/08/2009
Faltando pouco menos de um mês para o início de mais uma edição do Mundial Sub-20, a atenção do futebol de base já começa a se voltar para a competição de seleções mais importante da categoria. Disputado desde 1977, o torneio se notabilizou ao longo da história pelo surgimento de grandes equipes, como o Brasil de 1983, com Dunga, Bebeto e Jorginho, craques indiscutíveis, como Maradona, Van Basten e Aguero, e um bom número de foguetes molhados, casos de Adriano Gerlin e Quincy Owusu Abeyie. Com o objetivo de relembrar estes e outros momentos da competição, o Olheiros preparou uma retrospectiva de todas as edições do Mundial até hoje. Confira!
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1977
A primeira edição do Mundial Sub-20, realizada na Tunísia em 1977, reuniu 16 times do mundo inteiro, divididos em quatro grupos. Os primeiros colocados de cada chave, México, Uruguai, Brasil e União Soviética, avançaram para as semifinais. Nos dois confrontos decisivos para a final, disputa por pênaltis. No primeiro jogo o México, surpresa do torneio, bateu o Brasil, enquanto a União Soviética, do craque do torneio, Bessonov, venceu o Uruguai, do defensor Hugo de Leon, que ficaria famoso por sua passagem pelo Grêmio. Na final, novo empate e vitória dos soviéticos, outra vez nos pênaltis.
Campeão: União Soviética
Surpresa: México
Decepção: Brasil
Revelação: Vladimir Bessonov (lateral-direito da URSS)
Artilheiro: Quina (4 gols, Brasil)
1979
O campeonato de 1979 mostrou ao mundo um time que jogava um futebol de alto nível e o talento de um jogador que se tornaria um mito: a Argentina de Diego Maradona. Liderados por El Pibe, e com o apoio dos gols do centroavante Ramón Díaz e das assistências do meia Gabriel Calderón, a Albiceleste sobrou durante o Mundial disputado no Japão. Mas não foi por falta de concorrentes, uma vez que Polônia, Uruguai e União Soviética, favoritos ao lado dos argentinos para o título, chegaram com autoridade às semifinais. No entanto, um 2 a 0 nos uruguaios e um 3 a 1 na grande final contra os soviéticos deram a conquista para Maradona e companhia.
Campeão: Argentina
Surpresa: Argélia
Decepção: México
Revelação: Diego Armando Maradona (meia da Argentina)
Artilheiro: Ramón Díaz (8 gols, Argentina)
1981
Se o Mundial Sub-20 de 1979 foi do talento e do futebol ofensivo protagonizado pelos argentinos, a edição de 81 foi a da eficiência. Com atuações pragmáticas e baseadas em uma forte solidez defensiva, Alemanha Ocidental e a Romênia foram os destaques do torneio. Contudo, o emparelhamento jogou as duas equipes uma contra a outra na semifinal, e os germânicos saíram vencedores. Na final, os europeus enfrentaram o Catar, que havia vencido Brasil e Inglaterra. A surpresa, no entanto, não foi capaz de bater o poderio da Alemanha, que se sagrou campeã na Austrália. Apesar do futebol mecânico ter pautado a disputa, nomes talentosos também apareceram no torneio, como o goleiro Goycochea, da Argentina, e o meia Enzo Francescolli, do Uruguai.
Campeão: Alemanha Ocidental
Surpresa: Catar
Decepção: Brasil
Revelação: Romulus Gabor (meia da Romênia)
Artilheiro: Mark Koussas (Austrália), Taher Amer (Egito), Ralf Lose e Roland Wohlfarth (Alemanha Ocidental) e Romulus Gabor (Romenia) (4 gols)
1983
A quarta edição do Mundial foi de domínio completo dos sul-americanos. Desde o início da competição, Brasil e Argentina controlaram os holofotes com atuações contundentes e vitórias importantes. Não à toa, as duas equipes chegaram à final. Na albiceleste o bom elenco e jogo coletivo eram a força do time. Do lado brasileiro, por sua vez, os destaques eram os futuros tetracampeões mundiais Dunga, Bebeto e Jorginho, e a grande estrela do time, o meia Geovani, artilheiro e melhor jogador da competição, e que se notabilizaria no Vasco anos depois. Os brasileiros venceram e levaram para casa o troféu de uma competição que também ficou marcada pela campanha da Coreia do Sul, que chegou às semifinais, e pelo surgimento de Marco Van Basten.
Campeão: Brasil
Surpresa: Coreia do Sul
Decepção: Uruguai
Revelação: Geovani (meia do Brasil)
Artilheiro: Geovani (6 gols, Brasil)
1985
Realizado na União Soviética, a edição de 85 mostrou ao planeta novamente o talento dos brasileiros. Apresentando um futebol ofensivo, baseado no talento individual, a seleção de Muller, Taffarel e Silas, fez uso da habilidade e da eficiência que lhes eram peculiares para despachar as concorrentes Nigéria, surpresa do torneio, e Espanha, sagrando-se bicampeã. Além da consagração de Silas, que venceu o prêmio de melhor jogador do torneio, o Mundial também revelou os talentos de Balakov, Ivanov e Yankov, que fariam fama na Bulgária da Copa de 1994, e do goleiro colombiano René Higuita, até hoje reconhecido por suas defesas mirabolantes.
Campeão: Brasil
Surpresa: Nigéria
Decepção: Inglaterra
Revelação: Silas (meia do Brasil)
Artilheiro: Sebastian Losada e Fernando Gomez (Espanha) e Monday Odiaka (Nigeria), (3 gols)
1987
Em 1987, as seleções europeias voltaram a dominar o futebol sub-20. Com o surgimento de um espetacular time da Iugoslávia, formado por atletas como Prosinecki, Boban, Mijatovic e Suker, da Alemanha Oriental e do reerguimento da Alemanha Ocidental, o Velho Continente mandou na competição. As três equipes chegaram às semifinais acompanhadas pelo Chile, que, jogando em casa, surprendeu a torcida. Os sul-americanos, no entanto, não foram páreos para a Alemanha Ocidental. Do outro lado, a Iugoslávia venceu o Brasil de Bismarck, César Sampaio e André Cruz, nas quartas de final e depois passou pela Alemanha Oriental. No confronto decisivo, vitória dos representantes do leste europeu, nos pênaltis.
Campeão: Iugoslávia
Surpresa: Chile
Decepção: Brasil
Revelação: Robert Prosinecki (meia da Iugoslávia)
Artilheiro: Marcel Witeczek (7 gols, Alemanha Ocidental)
1989
Enquanto 1987 marcou o surgimento de uma talentosa geração iugoslava, 1989 foi o ano da seleção portuguesa despontar como força no futebol sub-20. Com jogadores que fariam fama nos anos seguintes, casos do zagueiro Fernando Couto, do meia Paulo Sousa e do atacante João Pinto, os portugueses demonstraram um futebol bastante eficiente, sobretudo no setor defensivo. Levaram apenas três gols, todos contra a dona da casa, Arábia Saudita, ainda na fase de grupos, e marcaram seis, vencendo Colômbia, Brasil e Nigéria para faturar o título. O torneio também foi palco da boa campanha dos Estados Unidos, que chegaram às semifinais, da consolidação do brasileiro Bismarck, que ganhou o prêmio de melhor jogador, e do surgimento de Simeone, Salenko, Sonny Anderson e Cañizares.
Campeão: Portugal
Surpresa: Estados Unidos
Decepção: União Soviética
Revelação: Bismarck (meia do Brasil)
Artilheiro: Oleg Salenko (7 gols, União Soviética)
1991
Sede do torneio, Portugal repetiu o feito do Brasil em 85 e faturou o bicampeonato. Novamente com uma defesa bem arrumada, composta pelo zagueiro Jorge Costa e o volante Emílio Peixe, os portugueses levaram apenas um gol e se aproveitaram dos talentosos meio-campistas Rui Costa, Capucho e Luís Figo para derrotar adversários como Argentina, México e Austrália, grande surpresa do torneio. Na final, contra o Brasil de Roberto Carlos e Élber, Portugal segurou o empate e levou o caneco nos pênaltis.
Campeão: Portugal
Surpresa: Austrália
Decepção: Argentina
Revelação: Emílio Peixe (volante de Portugal)
Artilheiro: Sergei Cherbakhov (5 gols, União Soviética)
1993
A nona edição do Mundial Sub-20, realizada novamente na Austrália, marcou o retorno do troféu à América do Sul. Depois de uma primeira fase de altos e baixos, o Brasil cresceu no torneio, despachando os Estados Unidos e a Austrália para chegar à final. No confronto decisivo, contra a seleção de Gana, que já havia derrotado a Inglaterra e que tinha em seu elenco nove atletas campeões do mundial sub-17 de 1991, a seleção mostrou que seu talento individual fazia milagres, virando o jogo aos 43 do segundo tempo e faturando o título. Além de boas atuações do volante Marcelinho Paulista e do goleiro Dida, os brasileiros também contaram com um desempenho impecável do meia Adriano Gerlin, eleito o craque da competição.
Campeão: Brasil
Surpresa: Gana
Decepção: Alemanha
Revelação: Adriano Gerlin (meia do Brasil)
Artilheiro: Henry Zambrano (Colômbia), Vicente Nieto (México) e Chris Faklaris (EUA) (3 gols)
1995
16 anos depois que Maradona deu um de seus primeiros passos no futebol internacional e levou a Argentina ao título do mundial de 1979, os representantes da albiceleste fizeram bonito novamente, desta vez no Catar. Em um torneio que teve a força da Espanha de Salgado, Morientes e Raúl, de Portugal, com Nuno Gomes, e do Brasil, de Caio Ribeiro, Zé Elias e Luizão, foram os comandados de José Pekerman que brilharam. Com as ótimas atuações de Sorín, Ibagaza e Coyette, os argentinos não deram chances para a surpresa Camarões, nas quartas de final, para os espanhóis, nas semifinais, e os brasileiros, na final, faturando o segundo título do país na competição.
Campeão: Argentina
Surpresa: Camarões
Decepção: Alemanha
Revelação: Caio Ribeiro (atacante do Brasil)
Artilheiro: Etxeberría (7 gols, Espanha)
1997
Pekerman novamente utilizou todo o seu conhecimento tático e de análise dos jovens argentinos para levar o país à sua terceira conquista. O treinador montou um 3-5-2 forte, com Placente e Samuel na retaguarda, e um meio campo de grande habilidade nas figuras de Cambiasso, Markic, Riquelme e Aimar. A albiceleste se destacou de tal forma, que nem mesmo o Brasil, de Athirson, Pedrinho e Alex, e o Uruguai da dupla Oliveira e Zalayeta foram capazes de parar a força dos comandados de Pekerman. A surpresa do torneio ficou por conta da Irlanda, que, liderada por Damien Duff, chegou às semifinais.
Campeão: Argentina
Surpresa: Irlanda
Decepção: Espanha
Revelação: Nicolás Oliveira (meia do Uruguai)
Artilheiro: Adaílton (10 gols, Brasil)
1999
Depois de três edições dominadas por Brasil e Argentina, em 1999 a seleção espanhola quebrou a hegemonia dos sul-americanos e conseguiu a sua primeira conquista no Mundial realizado na Nigéria. Mesmo com adversários difíceis ao longo do torneio, como a seleção de Mancini, Fábio Aurélio e Ronaldinho Gaúcho, a sensação Mali, de Seydou Keita, e a surpresa Japão, do talentoso Nakata e que chegou à final, a Fúria se sobressaiu. Méritos para o forte elenco ibérico, que tinha em seu meio de campo o talento de Gabri e Xavi e um ataque eficiente com Pablo e o apoio do meia Barkero.
Campeão: Espanha
Surpresa: Japão
Decepção: Brasil
Revelação: Seydou Keita (meia do Máli)
Artilheiro: Pablo (Espanha) e Mahamadou Dissa (Máli) (5 gols)
2001
Se ainda restava alguma dúvida sobre a habilidade de José Pekerman em montar grandes elencos de jovens atletas, essa incerteza desapareceu depois de mais um título dos argentinos, dessa vez em casa. Novamente apostando no 3-5-2, o treinador formou um meio de campo habilidoso, com Romagnolli, Maxi Rodriguez e D'Alessandro. Foi no ataque, no entanto, que o maior talento da albiceleste naquele ano brilhou, com Javier Saviola marcando 11 gols no torneio. Os sete triunfos em sete partidas dão uma mostra de como a equipe foi superior à Gana, de Essien e Muntari, à França, de Cissé, à surpresa Egito, e ao Brasil, de Adriano e Kaká.
Campeão: Argentina
Surpresa: Egito
Decepção: Brasil
Revelação: Javier Saviola (atacante da Argentina)
Artilheiro: Javier Saviola (11 gols, Argentina)
2003
Depois de cinco participações em maior ou menor grau decepcionantes, o Brasil voltou a vencer o Mundial em 2003. Nos Emirados Árabes, a Seleção sofreu na primeira fase, passando apenas como uma das melhores terceiras colocadas, depois de uma vitória contra o Canadá, empate com a República Tcheca e derrota para a Austrália. A partir das oitavas, no entanto, o time de Dudu Cearense, Daniel Carvalho e Daniel Alves cresceu de produção, despachando Eslováquia, Japão, a Argentina, de Mascherano, Tevez e Herrera, e a Espanha, de Iniesta, para ficar com o título. O melhor atleta da competição, porém, foi o atacante Ismael Matar, que carregou praticamente sozinho os Emirados Árabes até as quartas de final.
Campeão: Brasil
Surpresa: Emirados Árabes
Decepção: Inglaterra
Revelação: Ismael Matar (atacante dos Emirados Árabes)
Artilheiro: Eddie Johnson (EUA), Daisuke Sakata (Japão) e Dudu Cearense (Brasil) (4 gols)
2005
Realizado na Holanda, o Mundial de 2005 tinha tudo para marcar a retomada do futebol europeu na competição, com o surgimento de bons times da Holanda, que tinha Owusu Abeyie, Babel e Maduro, e da Espanha, de Fàbregas e David Silva. Contudo, africanos e sul-americanos deram as cartas novamente. De um lado das semifinais, o Marrocos, de El-Zhar, e a Nigéria, de Obi Mikel, fizeram um clássico continental que teve os nigerianos como vencedores. Do outro, o Brasil, de Rafinha e Sóbis, perdeu para a Argentina, que tinha Neri Cardozo, Gago e a grande estrela do Mundial, Lionel Messi. No confronto decisivo, La Pulga brilhou como nenhum jogador havia feito desde Maradona em 79. Com atuações primorosas, foi o artilheiro, melhor jogador e ainda levou a albiceleste a mais um título.
Campeão: Argentina
Surpresa: Marrocos
Decepção: Holanda
Revelação: Lionel Messi (atacante da Argentina)
Artilheiro: Lionel Messi (6 gols, Argentina)
2007
A edição 2007 do Mundial pode ser considerada quase uma reprise da de 2005, com a exceção de que desta vez foi sediada no Canadá e o nome da estrela argentina era Sérgio Aguero e não Lionel Messi. Novamente apresentando um futebol de alto nível, a albiceleste, que também tinha Banega, Zárate e Di Maria em seu elenco, foi absoluta na competição, despachando a Polônia, o México, de Vela e Giovani dos Santos, o Chile e a República Checa, de Martin Fenin, para conseguir o título. Pior para o Brasil que, mesmo com Pato, Leandro Lima e companhia, viu sua maior rival se distanciar e abrir dois títulos de diferença; seis dos hermanos contra quatro dos brasileiros.
Campeão: Argentina
Surpresa: República Checa
Decepção: Brasil
Revelação: Sérgio Agüero (atacante da Argentina)
Artilheiro: Sérgio Agüero (6 gols, Argentina)
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