Marcus Alves - 08/09/2009
Hexacampeão da Copa Africana de Nações, o Egito enfrenta dificuldades mais uma vez para se classificar para a Copa do Mundo. Segundo colocado em seu grupo nas Eliminatórias, está atrás da Argélia na briga por uma vaga. A situação incomoda os egípcios, mas, pelo menos até o início de outubro, eles deixarão um pouco de lado a preocupação com o futuro da seleção principal para voltarem suas atenções para a equipe sub-20 do país, que, a partir deste mês, também estará sob grande pressão como anfitriã do Mundial da categoria.
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Será a segunda vez na história que o Egito receberá uma competição organizada pela Fifa. A primeira experiência aconteceu em 1997, quando o país sediou o Mundial Sub-17 e, mesmo com o apoio dos torcedores, não superou as quartas de final, após perder para a Espanha. No entanto, não é essa a campanha que os egípcios possuem como referência para pautar suas expectativas neste ano. Repetir o feito do Mundial Sub-20 de 2001, realizado na Argentina, é a pretensão do país. Não só em campo, mas também fora dele, deixando um legado.
Na América do Sul, os Faraós brilharam e encerraram sua participação na terceira posição. Esse é até hoje o melhor desempenho de uma seleção local em Mundiais. E a repercussão da façanha no país foi proporcional à sua dimensão. No retorno ao Egito, o time, que possuía como destaques os meio-campistas Mohamed Shawky e Hossam Ghaly, teve uma recepção calorosa e gerou entre os clubes e os torcedores um movimento que mudou a forma como o futebol era visto internamente e impulsionou as categorias de base.
Nas outras participações da seleção egípcia no Mundial Sub-20, o saldo definitivamente não foi o mesmo. Na estreia, em 1981, um desempenho apenas razoável na Austrália, com a ida até as quartas de finais. Dez anos depois, em Portugal, a equipe foi eliminada ainda na primeira fase. Em 2003, nos Emirados Árabes, um avanço, com a passagem para a segunda fase. Entretanto, na edição seguinte, na Holanda, os garotos voltaram a decepcionar e, mais uma vez, foram superados em seu grupo.
Reverter esse retrospecto e chegar até a fase de mata-matas é o objetivo dos egípcios neste Mundial Sub-20. O investimento feito para se fazer um bom papel dentro de casa foi considerável e, dentre outras iniciativas, incluiu períodos de treinamentos e amistosos na Europa. A preparação da equipe foi conduzida pelo atual vice-campeão mundial da categoria, Miroslav Soukup, ex-República Tcheca, contratado especialmente para esse desafio.
Não faltaram testes
No fim de 2008, os dirigentes egípcios resolveram abrir os cofres e fazer mudanças no comando do time. Saiu Rabie Yassin, que, a princípio, seguiria na comissão técnica como assistente, e entrou Miroslav Soukup. Assim que assumiu, o novo treinador desprezou o conhecimento de elenco de seu antecessor e pediu que Yassin fosse trocado por um nome mais experiente. O escolhido para substituí-lo foi Hani Ramzi, ex-zagueiro da seleção e então auxiliar técnico do ENNPI, um dos mais poderosos clubes locais.
Desde o seu desembarque no país, Soukup deixou claro que aproveitaria todas as datas possíveis para reunir a equipe. E assim foi feito. Nos últimos meses, os Faraós participaram de diversas competições. Entre elas, o Campeonato Africano Sub-20 e o Torneio de Toulon. Disputaram ainda amistosos contra seleções fortes como Nigéria, Gana, República Tcheca, Coreia do Sul e Espanha. No confronto com os espanhóis, conseguiram, inclusive, seu resultado mais importante, com a vitória por 2 a 0.
No momento, o Egito se encontra concentrado em Alexandria depois de ter realizado mais dois testes contra clubes locais. Até o fim desse período, os comandados de Soukup farão ainda outras duas partidas, frente Venezuela e Hungria. Esses amistosos servem para que os atletas ganhem entrosamento e deixem para trás qualquer problema decorrente da falta de oportunidades que a maioria enfrenta em seus times. São poucos os jogadores que já se destacam em suas equipes na Premier League egípcia.
Se por um lado o cenário dificultou os planos da comissão técnica, por outro, ele ao menos evitou desgastes em convocações. Nesse sentido, colaborou também a decisão da federação egípcia de suspender as competições de categorias de base no país até o final do Mundial Sub-20. Dessa forma, os clubes não são prejudicados nos campeonatos nacionais com a ausência de suas promessas e a seleção não sofre com desfalques decorrentes dos compromissos de seus atletas. Só esse detalhe revela a importância que uma boa campanha em casa representa para os egípcios.
Os cinco pilares
Entre as prioridades nas categorias de base, não está a formação de uma equipe que entrará para a história. Até porque, na maioria das vezes, não há tempo para isso. Ainda assim, é fundamental para o desenvolvimento de um trabalho a construção de um bom time. Só assim as maiores promessas conseguirão se sobressair. No caso de Miroslav Soukup, era necessário aproveitar os poucos meses até o Mundial Sub-20 para se esboçar uma equipe para a competição. E ele atingiu o objetivo.
Hoje, os Faraós se apoiam em campo em cinco pilares. Na defesa, estão três dessas peças. O goleiro Mohamed Abou-Gabal, do ENNPI, é considerado no país o principal candidato a sucessão de Essam Al-Hadari na seleção principal. Na proteção à sua meta, estão Ahmed Hegazi, do Ismaili, e Salah Soliman, do Ghazl Mahalla. Hegazi se destaca na marcação individual e, sempre que sobe ao ataque, costuma levar perigo, enquanto Soliman entrou na equipe na vaga do então capitão Moaz Al-Henawi e não saiu mais. Atua entre os profissionais em seu clube.
Mais à frente, estão os outros dois pilares do time. Mahmoud Touba e Mohamed Talaat atuam no Al Ahly e emprestarão o entrosamento que apresentam nos pentacampeões nacionais à seleção egípcia. Touba será o responsável por organizar a equipe e deverá aparecer também como boa opção nos chutes de fora da área. Talaat, por sua vez, é a grande esperança de gols do país. Destaque desde cedo, possui a confiança do treinador Miroslav Soukup e será o encarregado por fazer a diferença na linha de frente.
Qualquer que seja o esquema, Talaat desempenhará o papel de referência dos Faraós no ataque. Naquele que costuma ser a opção de Soukup, o 4-3-1-2, ele tem a companhia de Hossam Farahat, do Zamalek, na briga com os zagueiros. Quando a distribuição em campo muda e o time adota o 4-3-2-1, seu posicionamento também é afetado. A promessa dos Diabos Vermelhos recua e passa a dividir com Ahmed Fathi “Bougi”, o “novo Zaki”, a responsabilidade de encostar em Farahat.
Curtas
- ELE PROMETE IR À CAÇA...
Mohamed Talaat. No Al Ahly, Talaat se encontra atrás de Flávio Amado e Emad Motaeb na briga por uma vaga no ataque. Contratado pelo clube no início do ano, é um nome para o futuro e deverá ser lançado ainda nesta temporada. Na seleção sub-20, o atacante assume outra condição. É a aposta para conduzir a equipe a uma boa campanha no Mundial. Rápido e habilidoso, movimenta-se bastante na frente, confundido a marcação adversária e abrindo espaço para que seus companheiros apareçam como elemento surpresa. Segundo os egípcios, não demorará a se transferir para a Europa.
- NÃO DEVERÁ PASSAR DE UMA MIRAGEM...
Moaz Al-Henawi. Mais uma promessa que despontou no Al Ahly, Al-Henawi não atravessa a melhor fase em sua carreira. Perdeu a braçadeira de capitão na seleção sub-20 para Mahmoud Touba e, ainda, deixou o time titular. Com Salah Soliman sobrando em seu posto, dificilmente recuperará a posição até o Mundial e sacramentará com isso ainda mais as dúvidas em torno de seu futuro. Considerado até pouco tempo atrás um dos defensores mais promissores dos Diabos Vermelhos, trocou o time antes mesmo de estrear entre os profissionais pelo modesto Al Masri.
- O PROFETA...
Mahmoud Touba. Enquanto dita o ritmo do de seus colegas em campo, Touba assume também o papel de manter o equilíbrio do time durante as partidas. A forma como desempenhará sua função no Mundial pode influenciar no destino dos Faraós. Boa parte da equipe não possui rodagem internacional e, com a pressão que virá das arquibancadas, pode sucumbir. Será importante ficar atento a esse detalhe para evitar que isso aconteça. Cotado como sucessor de Aboutrika no Al Ahly, Touba carrega uma grande expectativa sobre seu futebol e não encontrará dificuldade para lidar com o desafio de ser também capitão.
- O FARAÓ...
Mohamed Abou-Gabal. Seja no Al Ahly, seja na seleção egípcia, Al Hadari foi soberano como goleiro nos últimos anos. Na sua ausência, restaram as incertezas de ambos os lados. E não por acaso, com a sua contratação, o Ismaili passou a brigar pelo título nacional. Ser cotado como o seu sucessor representa, portanto, uma grande responsabilidade, controlada no país por Abou-Gabal. Revelado no ENNPI, o jovem jogador é considerado um fenômeno no Egito. No Mundial, ele terá a chance de provar que, mesmo atuando no gol, pode ser o destaque da equipe.
Elenco
GOLEIROS
Mohamed Abou-Gabal (ENPPI) – 29/01/1989
Ali Lofti (ENNPI) – 14/10/1989
Mohamed Bassam (Al Gaish) – 25/12/1990
DEFENSORES
Salah Soliman (Ghazl Mahalla) – 20/01/1990
Moaz Al-Henawi (Al Masri) – 29/01/1990
Ahmed Hegazi (Ismaili) – 25/01/1991
Ali Mohamed (ENNPI) – 01/01/1989
Islam Ramadan (Harras Al Hodoud) – 01/11/1990
Ayman Ashraf (Al Ahly) – 09/04/1991
Saadeldin Saad (Al Ahly) – 01/04/1989
MEIO-CAMPISTAS
Hesham Mohamed (Al Ahly) – 03/01/1990
Mostafa Galal (ENNPI) – 22/07/1989
Shehab Ahmed (Al Ahly) – 22/08/1990
Ahmed Shoukri (Al Ahly) – 21/07/1989
Hossam Hassan (ENNPI) – 30/04/1989
Mahmoud Touba (Al Ahly) – 01/10/1989
Ahmed Magdi (Ghazl Mahalla) – 09/12/1989
Hossam Arafat (Zamalek) – 18/01/1990
ATACANTES
Mohamed Talaat (Al Ahly) – 14/05/1989
Mostafa Afrouto (Al Ahly) – 17/03/1989
Ahmed Fathi (Zamalek) – 28/01/1989
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