Henrique Moretti - 08/09/2009
Cinco vezes campeã continental sub-21 desde 1992 e sete vezes finalista do Europeu Sub-19 em sua história, a Itália fica longe de repetir o desempenho nas mais importantes competições de base do planeta. Prova disso é que nunca chegou nem sequer às semifinais de um Mundial Sub-20. É para derrubar esse cenário que os azzurrini, comandados por Francesco Rocca, começarão sua caminhada no Egito a partir de 24 de setembro.
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Embora tenha um grande retrospecto, especialmente recente, nos eventos para jovens mais importantes da Europa, a seleção italiana chega a apresentar números vergonhosos em Mundiais Sub-20. Dos 16 eventos desse porte já disputados, a equipe falhou na tentativa de se classificar em 12, chegando no máximo às quartas de final em 1987 e 2005. Na Holanda, aliás, jovens como Graziano Pellé e Danielle Galloppa perderam a chance de avançar às semis de forma dramática, caindo nos pênaltis ante Marrocos.
Para esta temporada, previa-se uma Itália que, acompanhando as formações ofensivas de Marcello Lippi, fosse muito forte no ataque, porém seus três principais nomes no setor, Mario Balotelli, Alberto Paloschi e Federico Macheda, não puderam ser convocados por já jogarem com regularidade em Internazionale, Parma e Manchester United e também por já terem subido um degrau na escala nacional – defendem o plantel até 21 anos treinado por Pierluigi Casiraghi.
Essas ausências, somadas à de Davide Santon, que chegou a ser titular da lateral-esquerda da Inter na última temporada, complicam as perspectivas de Rocca, que, segundo a jornalista Fabiana Della Valle, da Gazzetta dello Sport, deve se contentar caso quebre o jejum – alcançando um lugar no pódio africano – e dê bagagem internacional a seus atletas que em geral são inexperientes – nenhum joga com regularidade na Serie A.
Os indícios são bons
Se por um lado os desfalques pesam contra a Itália, por outro a grande campanha construída no último Europeu Sub-19 impõe respeito. Nos 11 jogos realizados na competição desde o qualificatório à fase final, disputada na República Tcheca, o time que acabaria com o vice-campeonato venceu oito. É bem verdade, porém, que destaques daquele período como Paloschi e Fernando Forestieri não viajarão ao Egito.
De qualquer forma, os jovens italianos nascidos até 1989 mostraram força outra vez na categoria nos Jogos do Mediterrâneo, competição encerrada em 4 de julho na região de Abruzzo da qual também ficaram com a medalha de prata. Desta vez, nomes que provavelmente estarão entre os titulares de Francesco Rocca no Mundial entraram em campo, com destaque para os meio-campistas Silvano Raggio Garibaldi e Fabio Sciacca.
Além da participação nesse evento, a preparação azzurra ainda engloba uma concentração que começou em 6 de setembro no centro esportivo La Borghesiana, em Roma. Quatro dias de trabalho intenso depois, o técnico anunciará os dois atletas que serão cortados da delegação formada por 23 – exceções, Vincenzo Fiorillo, Matteo Gentili e Mattia Mustacchio estão em atividade com a seleção sub-21 e só se juntarão ao grupo em 13 de setembro.
Por trabalho intenso, entenda-se grande esforço físico, característica obrigatória nos treinos de Rocca. Ex-lateral que fez história pela Roma, único clube que defendeu em nove anos de uma carreira marcada por sérias lesões, ele começou a trabalhar como técnico na própria seleção italiana em 2006 e colecionou experiências nos times sub-18 e sub-19, com o qual foi segundo colocado do Europeu passado. Apelidado “Kawasaki” por causa da velocidade e resistência com que atuava na época como giallorosso, é considerado muito meticuloso pela imprensa de seu país, costumando cobrar muito de seus garotos também no campo disciplinar.
Jovens e desconhecidos
Sem os destaques Balotelli, Paloschi, Macheda, Santon e Forestieri, os azzurrini que estarão presentes nos gramados egípcios não são muito conhecidos do grande público. Na realidade, entre os 23 pré-convocados por Rocca, apenas nove defendem equipes da primeira divisão do Campeonato Italiano. Desses, Silvano Raggio Garibaldi (Genoa), Michelangelo Albertazzi (Milan), Giacomo Bonaventura (Atalanta), Fabio Sciacca (Catania), Vincenzo Fiorillo e Vasco Regini (Sampdoria) já estrearam na Série A, porém não colecionam mais que oito partidas por seus clubes. Portanto, todos sem espaço até aqui em um torneio definido como “de velhos” pelo diário londrino The Times em 2008.
Ainda imaturos no mais alto escalão do futebol mundial, eles também estão ‘crus’ no que toca a experiências longe de seu país de origem. Todos os homens de confiança de Rocca atuam dentro de casa, ainda que, com a recente desvalorização da liga italiana na comparação com as inglesa e espanhola, os jogadores da Bota venham ganhando mais espaço em campeonatos estrangeiros.
Seguindo uma aposta também feita por Lippi na seleção principal, Rocca escalou seu time em um 4-2-3-1 com variação para o 4-3-3 durante a maior parte do último Europeu. Entretanto, vale ressaltar que naquela oportunidade ele ainda contava com Paloschi, Forestieri e Stefano Okaka Chuka, todos fora da competição africana. A ausência de todo o trio ofensivo deve fazer o esquema mudar no Mundial, mesmo porque o treinador chamou apenas três jogadores para essa posição.
Nem tudo, porém, é motivo de preocupação para o torcedor da Itália, cujos olhos estarão voltados para o Egito entre setembro e outubro. Assim, há promessas a serem observadas, em especial o goleiro Fiorillo, frequentemente apontado sucessor de Gianluigi Buffon pela imprensa local, o zagueiro Albertazzi e os meio-campistas Garibaldi e Bonaventura, todos titulares desde o vice na República Tcheca.
Jogadores insertos no grupo mais recentemente, Fabio Sciacca (Catania) e Gianvito Misuraca (Palermo) também merecem atenção: muito talentosos, eles vêm aumentando a rivalidade entre os clubes da Sicilia para saber quem possui a maior revelação. Até aqui, o meia Sciacca vem levando a melhor por já estar no time principal dos rossoblú; o atacante Misuraca, por sua vez, foi emprestado ao Vicenza após levar os rosanero ao scudetto Primavera recém-disputado.
Curtas
- ELE PROMETE IR À CAÇA...
Gianvito Misuraca. Substituto dos mais renomados Alberto Paloschi e Fernando Forestieri, o siciliano chega ao Mundial respaldado pelo ótimo desempenho no último Italiano Primavera, competição das equipes jovens do país. Com muita velocidade e grande técnica, chegou a frequentar o banco de reservas do Palermo na temporada 2008/09, porém acabou emprestado ao Vicenza com a chegada de Walter Zenga. Versátil, também pode atuar como meia de ligação e já foi alvo do interesse de clubes ingleses.
- NÃO DEVERÁ PASSAR DE UMA MIRAGEM... 
Claudio Della Penna. Do elenco atual dos garotos italianos, o esterno de 20 anos já defendeu por 19 vezes os times nacionais jovens, porém jamais conseguiu espaço na Roma. Atualmente, acaba de volta de um decepcionante empréstimo ao Pistoiese e é considerado muito velho para a Primavera de Alberto De Rossi e maduro demais para o elenco de Claudio Ranieri. No Egito, nesse contexto, pretende ter uma rara oportunidades de atuar e mostrar que, contrariando as previsões, não virará uma eterna promessa.
- O PROFETA...
Vincenzo Fiorillo. Com apenas 19 anos de idade, o goleiro da Sampdoria já é quase um ‘veterano’ em termos de categorias de base da Itália, tendo já defendido os selecionados sub-17, sub-19, sub-20 e sub-21 e sendo titular em 14 partidas oficiais no total. Capitão de Francesco Rocca, o jogador coleciona apenas um jogo como profissional, mas já é constantemente comparado a Gianluigi Buffon. Elogiado pelo próprio astro da Juventus, o jovem foi especulado por Bayern de Munique e Manchester United no último mercado de verão europeu.
- O FARAÓ...
Silvano Raggio Garibaldi. Eleito um dos dez melhores jogadores do Europeu Sub-19 de 2008, o meio-campista só cavou seu espaço naquela ocasião com o torneio já em andamento, mas a partir daí ganhou a total confiança do comandante. Com a experiência de quem já foi convocado por 25 vezes para as seleções italianas menores, brilha na marcação, mas também se destaca nas assistências e se aventura no ataque, tendo anotado o gol de honra na derrota para a Alemanha na decisão da República Tcheca.
Elenco
GOLEIROS
Vincenzo Fiorillo (Sampdoria) – 13/01/1990
Andrea Gasparri (Giulianova) – 28/02/1989
Antonio Piccolo (Juventus) – 18/07/1990
DEFENSORES
Michelangelo Albertazzi (Milan) – 7/01/1991
Francesco Bini (Piacenza) – 2/01/1989
Nicolò Brighenti (Pergocrema) - 1/8/1989
Marco Calderoni (Piacenza) – 1802/1989
Alessandro Crescenzi (Grosseto) – 25/09/1991
Matteo Gentili (Varese) – 21/08/1989
Antonio Mazzotta (Lecce) – 08/02/1989
Vasco Regini (Sampdoria) – 09/09/1990
MEIO-CAMPISTAS
Giacomo Bonaventura (Atalanta), 13/05/1989
Claudio Della Penna (Roma) – 12/05/1989
Andrea Mazzirani (Crotone) - 6/11/1989
Mattia Mustacchio (Ancona) - 17/05/1989
Silvano Raggio Garibaldi (Genoa) – 27/04/1989
Romizi (Reggiana) - 13/02/1990
Sciacca (Catania) – 16/05/1989
ATACANTES
Umberto Eusepi (Reggiana) – 09/01/1989
Piergiuseppe Maritato (Gallipoli) – 19/03/1989
Gianvito Misuraca (Vicenza) - 02/04/1990
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