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Coberturas especiais

Mundial Sub-20'09: Trinidad e Tobago

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Maurício Vargas - 09/09/2009

Participar do Mundial Sub-20 já será motivo de grande comemoração para o festivo povo caribenho, quando Trinidad e Tobago iniciar sua segunda campanha em um campeonato da categoria exatamente no jogo de abertura, diante do anfitrião Egito. Com um time formado quase que exclusivamente por jogadores que atuam no futebol local e sem muita experiência internacional, os Socca Warriors almejam uma exibição digna com uma pitada de sorte para, quem sabe, surpreender e entrar no rol de zebras da competição.

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A única lembrança de uma campanha em Mundiais Sub-20 não é das melhores. A estreia em 1991, em Portugal, foi também a primeira vez que o país participou de um torneio internacional da FIFA. O batismo foi realmente de fogo: derrota por 2 a 0 para a Austrália no primeiro jogo, seguidas de goleadas para o Egito (de novo adversário) por 6 a 0 e para a União Soviética por 4 a 0. O destaque da equipe era um certo Dwight Yorke, que à época já jogava pelo Aston Villa após se destacar com a seleção principal nas Eliminatórias para a Copa de 90.

Desde então, as seleções de base do país continuaram lutando por espaço, mas sem muito sucesso: apenas o sub-17 participou de dois Mundiais (um deles por ser sede, em 2001), e em ambos terminou sem somar pontos. Por isso, não é fácil pensar que será diferente desta vez, especialmente em um grupo tão forte, que tem os donos da casa, uma forte seleção italiana e ainda o Paraguai, vice-campeão sul-americano com jogadores de muita qualidade. Conquistar a primeira vitória ou até mesmo o primeiro ponto em um Mundial, desta forma, serão motivo para muita festa.

Fator campo

Não são mera coincidência os fatos de que os trinitários estejam de volta após 18 anos de ausência exatamente quando sediaram a fase final do qualificatório da Concacaf. Ainda que tenham disputado a Copa de 2006 e se transformado na melhor seleção do Caribe, o futebol de base do país está longe do estágio de outros da confederação.

Assim, como até o momento não houve o surgimento de uma quarta força além de Estados Unidos, Costa Rica e México, presenças constantes, tem sido quase uma regra que o país sede da fase final acabe se classificando: foi assim com Canadá em 2001, Panamá em 2003 e 2007, Honduras em 2005 e agora com Trinidad & Tobago.

Entrando diretamente na última fase, bastou aos Socca Warriors vencer o Canadá por 1 a 0 e empatar com a Costa Rica sem gols para carimbar o passaporte para o Egito. Na última rodada, uma demonstração de força: após virar o intervalo perdendo por 2 a 0, o time de Zoran Vranes buscou o empate, com gols de Juma Claence e Uriah Bentick. A derrota para os EUA na semifinal veio somente nos pênaltis, mas novo revés na decisão do terceiro lugar para Honduras fez a campanha terminar com um viés de baixa, e uma dúvida quanto a real capacidade da equipe.

Desde a classificação, em março, foram vários amistosos de preparação: numa turnê pela Ásia em abril e maio, duas derrotas em Dubai para o sub-20 dos Emirados Árabes Unidos, campeões asiáticos (1 a 0 e 5 a 0) e outra para a Coreia do Sul (2 a 1). Na sequência, novo resultado negativo na Nigéria (3 a 0 para os profissionais do Amac FC) antes daquela que foi considerada a melhor exibição até aqui: um suado empate em 2 a 2 com os nigerianos.

Depois, os trinitários participaram do hexagonal preparatório realizado na Venezuela e vencido pelo Brasil. Os resultados, novamente, foram decepcionantes: 4 a 1 para a Costa Rica, 1 a 0 para a Venezuela, 4 a 0 para o Paraguai e 3 a 2 para o Brasil. A única vitória foi sobre o time B dos donos da casa, por 2 a 1. Finalmente, a sorte mudou: vitória por 2 a 1 sobre a equipe de reservas do Sheffield United e, na última partida, a revanche sobre os Emirados Árabes, ganhando por 2 a 1. Antes de desembarcarem em no Egito, a última parada será para um período de treinamentos na Turquia.

Mesmo com as derrotas acumuladas, o apoio local é imenso: os clubes não reclamam as convocações, comemorando-as, e a federação nacional tem grande apoio de Jack Warner, presidente da Concacaf e braço direito de Joseph Blatter. Nascido em Trinidad, Warner foi o responsável pela realização do Mundial Sub-17 no país em 2001 e também por financiar as excursões que a equipe realizou este ano.

O técnico Zoran Vranes não acredita que o time vá ser um saco de pancadas. “Realmente perdemos muitos jogos, mas assim podemos corrigir erros e não cometê-los novamente durante o Mundial”, afirma o sérvio, que após uma rápida passagem pela seleção principal em 2003, passou alguns anos em São Vicente e Granadinas, fazendo sucesso com a melhor campanha da história do país nas Eliminatórias para a Copa de 2006. Retornou ao arquipélago no início do ano passado, para dirigir a equipe sub-20.

Ataque contra defesa

Após o continental sub-20, em que a defesa não foi vazada diante de Canadá, Costa Rica e EUA, Vranes afirmou que o setor era o ponto forte da equipe. Entretanto, bastou a série de goleadas sofridas nos últimos meses para o treinador mudar de opinião e basear o treinamento na dupla velocidade e força, típica do futebol da região, repleto de atletas rápidos (a Jamaica de Usain Bolt que surpreendeu na Copa de 1998 que o diga).

O consolo do sérvio é que, tanto no qualificatório, quanto nos amistosos, a equipe não contou com os atletas que jogam na Europa – especialmente Khaleem Hyland, habilidoso meia contratado pelo Portsmouth e emprestado ao Zulte Waregem, da Bélgica, enquanto seu visto de trabalho não é concedido. Aos 20 anos, Hyland já possui 27 convocações e três gols na seleção principal. Outro jogador baseado na Europa, Jamal Gay é um meia de bom porte físico (1,88m) com experiência internacional – desde o início do ano, defende o Rot-Weiβ Oberhausen na 2. Bundesliga.

A última “aquisição” promete melhorar a qualidade do meio-campo: Jake Thomson, meia externo que defende o Southampton desde 2008, defendeu a seleção sub-17 inglesa, mas, como tem pais trinitários, foi convocado e aceitou disputar o Mundial Sub-20 pelos Socca Warriors. A dúvida que fica é como Vranes irá colocar os três no time – se é que vai escalá-los ao mesmo tempo. Até porque Sean De Silva destacou-se durante todo o período de preparação e tem a confiança do técnico.

Confiança que está depositada principalmente em Leston Paul, volante e capitão do time. Eleito melhor jogador sub-17 do país em 2007, destaque da equipe que jogou o Mundial da categoria, ele passou por um período de testes no Sunderland e voltou para sua terra natal em 2009. O problema é que Paul seja talvez o único destaque defensivo de Trinidad & Tobago, já que nem mesmo o goleiro titular está definido. Jesse Fullerton foi o camisa 1 no Mundial Sub-17 e atua nos Estados Unidos, mas a performance de Glenroy Samuel foi bastante elogiável no classificatório.

Encarregados de marcar os gols estão Kevin Molino, Trent Lougheed e Qian Grosvenor, este último talvez o mais veloz jogador do time. A briga pela titularidade deve ficar acirrada, já que Vranes parece tender a mudar o 4-3-1-2 utilizado até aqui para um 4-4-2 clássico ou, ainda, um 4-2-3-1, aproveitando a experiência dos internacionais que se juntaram ao elenco. De qualquer forma, Grosvenor pode sair na frente por ser uma peça importante nos contra-ataques.

Além disso, resta ao treinador a certeza de que, no mínimo, existe o entrosamento de um grupo de jogadores que está junto há dois anos: treze dos 21 presentes na Coreia do Sul em 2007 estarão no Egito. Bom por um lado, que adquiriram experiência e poderão tentar melhorar o desempenho de dois anos atrás. Ruim por outro, que a chance de repeti-lo parece bem palpável.

Curtas

ELE PROMETE IR À CAÇA...
Qian Grosvenor. Ele pode ser mais velocista que um verdadeiro finalizador, mas dentro da proposta de Vranes de jogar no contra-ataque, suas chances de ser titular são grandes. Nos amistosos, marcou na vitória sobre os Emirados Árabes Unidos e na derrota para a Coreia do Sul. É também um dos jogadores mais velhos do elenco, conferindo experiência ao grupo.

NÃO DEVERÁ PASSAR DE UMA MIRAGEM...
Sean De Silva. Principal nome do qualificatório e de quase todos os amistosos, De Silva é o típico meia habilidoso até demais: dentro do esquema tático que depende da velocidade, o jogador da Universidade de Charleston, nos Estados Unidos, sempre cadencia demais as jogadas. Sua desenvoltura chegou a levantar suspeitas de que teria idade adulterada, mas o fato é que deverá ser ofuscado pelo brilho de Hyland, de mais qualidade e menos holofotes. Com a chegada dos jogadores “europeus”, até mesmo sua titularidade está em jogo.

O PROFETA...
Leston Paul. Capitão, líder moral, limpa trilho do meio-campo e a voz do técnico no gramado. Paul tem responsabilidade de gente grande e não foge dela, ainda que seja um dos mais jovens – completou 19 anos em março. Fez gols importantes para a classificação e também nos amistosos, devolvendo à equipe a confiança perdida após várias derrotas.

O FARAÓ...
Khaleem Hyland. Não há tantos destaques assim na seleção principal de Trinidad & Tobago, mas de qualquer forma possuir 27 convocações aos 20 anos é um número expressivo. Já teve grandes exibições pelo time de cima e, curiosamente, é onde tem mais jogado: baseado na Europa, pouco atuou até agora com a equipe sub-20, mas deverá ser o cérebro responsável por tudo de bom que os Socca Warriors podem render. É, ainda, a principal aposta para o futuro do futebol do país.

Elenco

GOLEIROS
Glenroy Samuel (United Petrotrin) – 05/04/1990
Jesse Fullerton (Florida International University-EUA) – 20/10/1990
Andre Marchan (Joe Public FC) – 11/08/1990

DEFENSORES
Aubrey David (W Connection FC) – 11/10/1990
Curtis Gonzales (Joe Public FC) – 26/01/1989
Sheldon Bateau (San Juan Jabloteh) – 29/01/1990
Akeem Adams (United Petrotrin) – 13/04/1991
Robert Primus (San Juan Jabloteh) – 10/11/1990
Uriah Bentick (Florida International University-EUA) – 05/02/1989
Daneil Cyrus (sem clube) – 15/12/1990
Mekeil Williams (Ma Pau) – 24/07/1990

MEIOCAMPISTAS
Jake Thomson (Southampton-ING) – 12/05/1988
Leston Paul (Cic College) – 10/03/1990
Sean De Silva (College of Charleston-EUA) – 17/01/1990
Khaleem Hyland (Zulte Waregem-BEL) – 05/06/1989
Jean Luc Rochford (Joe Public FC) – 10/11/1990
Marcus Joseph (United Petrotrin) – 29/04/1991

ATACANTES
Kevin Molino (Ma Pau) – 17/06/1990
Qian Grosvenor (St. Anthony’s College) – 28/04/1989
Juma Clarence (United Petrotin) – 17/03/1989
Jamal Gay (Rot-Weiβ Oberhausen-ALE) – 09/02/1989



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