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Coberturas especiais

Mundial Sub-20'09: Venezuela

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Marcus Alves - 11/09/2009

O crescimento do futebol venezuelano é incontestável. Mas ninguém esperava por uma mudança de panorama tão rápida no país. De saco de pancadas a postulante a vaga na Copa do Mundo, essa é a impressionante trajetória da seleção vinotinto. No momento, ela está na briga pelos quarto e quinto lugares nas Eliminatórias. Entretanto, antes de definir o seu futuro no campeonato, fará, neste mês, a sua estreia em competições da Fifa. No início do ano, a equipe garantiu vaga no Mundial Sub-20.

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Mesmo que timidamente, a façanha já era sonhada pelos torcedores, pois o grupo que disputou o Sul-Americano da categoria era formado por atletas que haviam chegado à fase final entre os juvenis em 2007 e apresentava dez membros com passagens pelo time principal. Da teoria à prática, contudo, existia uma grande distância, superada pelos garotos com louvor. Os primeiros sinais de que o destino estava do lado da equipe vieram quando o Peru enfrentou problemas políticos e a organização do torneio foi repassada aos venezuelanos.

Com uma mobilização até então poucas vezes vista no futebol local, a seleção sub-20 vinotinto cumpriu com o seu dever de casa e superou as expectativas ao derrubar, em seu caminho, a tradicional Argentina. O feito deu início a uma série de comemorações no país e envolveu até o presidente Hugo Chávez, que recebeu jogadores e comissão técnica para uma homenagem que incluiu entrega de medalhas. Tamanho reconhecimento, por si só, realça a importância de uma boa participação no Mundial para os venezuelanos.

O sorteio dos grupos não foi muito favorável e colocou no caminho da equipe duas das maiores forças das categorias de base, Espanha e Nigéria. Ao contrário do que poderia se imaginar, o fato não preocupa o técnico César Farías. Em primeiro lugar, devido ao momento ruim que espanhóis e nigerianos atravessam com seus times sub-20. E também por causa do poder de superação que a seleção já mostrou ter. Até por isso, ele trabalha com um objetivo bastante ambicioso no Egito. Nada menos do que alcançar as semifinais.

Concentração total

Para atingir a meta, a Venezuela fez uso de um expediente bastante comum entre equipes que admitem suas deficiências: treinos à exaustão. Desde julho, o time vem se preparando para o Mundial. Nesse período, foi formado um grupo de jogadores que pouco mudou em relação àquele que disputou ao Sul-Americano. Paralelamente a ele, ainda foi criado um outro, que carregou o nome de Venezuela B, composto por atletas mais jovens e com a pretensão inicial de aprontá-los para 2011.

As duas equipes participaram juntas de dois torneios realizados no país. O primeiro foi um quadrangular em julho que teve México e Colômbia como convidados. O time principal venezuelano acabou vencendo de forma invicta. No mês seguinte, foi organizado um hexagonal, dessa vez faturado pelo Brasil. Os vinotintos ficaram logo atrás, na segunda posição. No intervalo entre as duas competições, as seleções ainda se reuniram para um amistoso, em que os brasileiros também levaram a melhor.

Para fechar com chave de ouro a fase de testes, a Venezuela confirmou a sua presença no tradicional Torneio de L’Alcudia, na Espanha. Entre os adversários, a seleção japonesa e os times juniores de Villarreal e Valencia. E foi justamente com os Ches que os venezuelanos decidiram o título. Mas, assim como já havia acontecido na competição anterior, ficaram com o vice ao serem derrotados na final. No retorno ao país, o grupo se reuniu de novo e permanecerá concentrado até o próximo dia 12, quando embarca para o Egito.

Será a oportunidade para César Farías afastar de uma vez por todas a resistência que ainda existe em torno de seu nome no país. A campanha no Sul-Americano Sub-20 já colaborou nesse sentido, porém, especialmente na seleção principal, também sob o seu comando, ainda há quem conteste o seu trabalho. Mais jovem treinador a assumir o país, Farías é um verdadeiro prodígio na função. Começou com 19, aos 24 já era campeão e, com 34, chegava à seleção. É acusado de favorecimento de jogadores, mas nada foi provado contra ele até hoje.

Geração de ouro?

Há algum tempo, existe a ideia de que a Venezuela pode ser definida como Juan Arango mais 10. Faz até sentido, em virtude do sucesso do meia-atacante na Europa. Mas não é e nem nunca foi assim. Ao contrário do que se pensa, o jogador está longe de ser uma unanimidade na seleção e, a exemplo do que acontece com outras estrelas, não repete pelo país o futebol que apresenta em clubes. De qualquer forma, se durante anos essa impressão predominou, ela está agora com os dias contados. E isso tem a ver com o surgimento de uma nova geração local.

Uma prova de que o time que conquistou vaga no Mundial Sub-20 possui talento é o fato de que seus principais destaques ou já estão na Europa ou possuem transferências encaminhadas. Na convocação para L’Alcudia, por exemplo, dentre os 20 nomes mencionados, seis já se encontravam no Velho Continente. E não por acaso formam a base que conduzirá a equipe no Egito. São eles: o goleiro Rafael Romo, o lateral-direito Pablo Camacho, o zagueiro Juan Manuel Morales, os meias Rafael Acosta e Ángelo Peña e o atacante Salomón Rondón.

Não bastasse isso, a maior parte do elenco que estará no Mundial já foi convocada para o time principal, desempenhando, em alguns casos, até a função de protagonistas nas partidas. E aqueles que não ostentam essa experiência ao menos conviveram num mesmo ambiente com os mais velhos, já que César Farías costuma reunir as duas equipes sempre na mesma concentração. Não são raros também os jogos-treinos disputados entre elas nesses períodos.

E tal como a seleção adulta, a sub-20 baseia seu jogo num 4-4-2 clássico em que a saída pelos lados do campo rege os movimentos da equipe. Dois jogadores surgem como as maiores válvulas de escape. Jonathan Del Valle e Rondón são os homens de confiança de Farías para realizar esse papel. No meio, Acosta fica encarregado por distribuir as bolas, enquanto Romo e José Manuel Velásquez garantem a segurança na defesa.

Curtas

- ELE PROMETE IR À CAÇA...
Salomón Rondón. Com apenas 19 anos, Salomón Rondón já acumula feitos que impressionam. Surgiu muito cedo na Venezuela, teve sua contratação disputada por vários clubes europeus, estreou na seleção principal e, nessa temporada, marcou os dois gols que classificaram seu clube, Las Palmas, na Copa do Rei. Mesmo com essa ficha, o jogador esteve perto de ficar de fora do Mundial, por conta da resistência do time espanhol em liberá-lo. Mas a situação foi resolvida e Rondón estará no Egito. Bastante rápido, aparecerá ora como saída pelos lados do campo, ora como referência dentro da área.

- NÃO DEVERÁ PASSAR DE UMA MIRAGEM...
Carlos Fernández. Não é fácil trabalhar a cabeça de um garoto de 18 anos que, de um dia para o outro, vê surgir o interesse de Barcelona e Real Madrid em seu futebol. Essa foi a situação com que teve que conviver Carlos Fernández após ajudar a Venezuela a se classificar para o Mundial Sub-20. As negociações com os clubes espanhóis acabaram não dando certo e o jogador teve que lidar com a frustração de permanecer no Deportivo Anzoátegui, da primeira divisão local. No Egito, ele poderá reaquecer o velho boato e mostrar que a queda de rendimento não passou de uma má fase.

- O PROFETA...
José Manuel Velásquez. Outro jogador que já pinta como titular da seleção principal, José Manuel Velásquez foi o principal destaque do país no Sul-Americano Sub-20. Brilhou no torneio e viu seu nome ecoar pelos quatro cantos do planeta. Por pouco, não assinou com o Villarreal, da Espanha, mas ainda segue no futebol venezuelano. Alto e forte, impõe-se na bola e chama a atenção pela forma como lidera a defesa. Embora possua só 19 anos, passa a impressão de ter o dobro da idade.

- O FARAÓ...
Rafael Romo. O Manchester City tentou, o Genoa sondou a sua contratação, mas ele acabou fechando mesmo com a Udinese. Comparado a Gilberto Angelucci, ídolo venezuelano, Rafael Romo se transferiu para o clube friulano ao fim do Sul-Americano Sub-20. O pênalti defendido que classificou a equipe para a fase final do torneio colocou o jogador no radar de diversos clubes europeus. Ágil, cobre bem todos os espaços do gol e demonstra ainda frieza frente a frente com os atacantes.

Elenco

GOLEIROS
Rafael Romo (Udinese-ITA) – 25/02/1990
Virgilio Piñero (Deportivo Lara) – 30/04/1989
Ronald Garcés (Carabobo) – 17/05/1989

DEFENSORES
Agnel Flores (Minerven) – 25/02/1989
Carlos Salazar (Deportivo Anzoátegui) – 15/05/1989
José Manuel Velázquez (Deportivo Anzoátegui) – 08/09/1990
Pablo Camacho (Espanyol-ESP) – 12/12/1990
Oscar Rojas (Llaneros) – 16/01/1990
Henry Pernía (Llaneros) – 09/11/1990

MEIO-CAMPISTAS
Francisco Flores (Deportivo Lara) – 30/01/1990
Guillermo Ramírez (Caracas) – 10/11/1989
Mauricio Parra (Deportivo Táchira) – 06/02/1990
Ángelo Peña (Braga-POR) – 25/12/1989
Carlos Fernández (Deportivo Anzoátegui) – 01/09/1990
Juan Manuel Morales (Almería-ESP) – 29/07/1989
Víctor Pérez (Carabobo) – 14/03/1990
Yohandry Orozco (Zula) – 19/03/1991
Rafael Acosta (Cagliari-ITA) – 13/02/1989

ATACANTES
Salomón Rondón (Las Palmas-ESP) – 16/09/1989
Jonathan Del Valle (Deportivo Táchira) – 28/05/1990
Adrián Lezama (Deportivo Anzoátegui) – 22/07/1989



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