Gabriel Dudziak - 10/09/2009
Se a seleção espanhola principal é tida hoje, ao lado do Brasil, como uma das grandes favoritas à conquista da Copa do Mundo de 2010, a Fúria sub-20 também tem boas chances no Mundial da categoria. O problema é que os resultados recentes do selecionado junior não são tão bons quanto os da versão "profissional". Depois de uma classificação na bacia das almas no Europeu Sub-19 de 2008, a Espanha chega ao Egito procurando sua reafirmação, algo que deve ser facilitado pela boa equipe que possui, mas que coloca algumas dúvidas sobre seu objetivo de título.
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A grande dúvida que paira é se os espanhóis serão capazes de igualar seu melhor resultado no Mundial Sub-20, obtido em 1999 na Nigéria. Naquela edição, a equipe dirigida por Iñaki Sáez, e que tinha como grandes jogadores nomes como Pablo, Marchena, Casillas, Gabri e Xavi, mostrou ser bastante competitiva, derrotando adversários de peso como Brasil, Estados Unidos, Gana e Máli até chegar à final contra o Japão. No jogo decisivo os espanhóis fecharam com chave de ouro, enfiando um 4 a 0 na seleção asiática.
A campanha é a melhor da história da seleção sub-20, mas não é a única bem sucedida. Em edições passadas a Fúria também conseguiu bons resultados, como um segundo lugar em 1985, uma quarta posição em 1995 e outro vice-campeonato em 2003. Na última edição, em 2007, a seleção até fez bom papel, inclusive eliminando o Brasil de Alexandre Pato nas oitavas de final, mas caiu na fase seguinte diante da República Checa.
Difícil prever qual será o papel da Espanha nesse mundial. Se por um lado a Fúria decepcionou no Europeu Sub-19 do ano passado, quando ficou apenas na terceira posição de um grupo classificatório que tinha também Alemanha, Hungria e Bulgária, o escrete sub-20 se recuperou ao vencer o torneio de futebol dos Jogos do Mediterrâneo, disputado na Itália este ano. Obviamente o peso da competição europeia de 2008 é bem maior do que a dos Jogos, mas a vitória em território italiano ao menos deu esperanças aos torcedores. O que é certo é que a Fúria se preparou para entrar no torneio brigando pelo título.
Aposta no planejamento
Depois da classificação como terceira colocada em seu grupo no torneio europeu de 2008, a Espanha decidiu trocar de técnico. Assim, em julho do ano passado, logo após a competição, Ginés Meléndez deixou o cargo para dar lugar a Luis Milla, ex-jogador do Barcelona, Real Madrid e Valencia e que foi auxiliar de Michael Laudrup no Getafe da temporada 2007/08.
Ciente das responsabilidade por resultados, Milla iniciou seu trabalho mirando o objetivo de fazer bonito no Mundial. Para tanto, decidiu basear seu trabalho na ideia de uma preparação de longo prazo. Já em abril deste ano o treinador convocou uma seleção para disputar duas partidas amistosas contra o Egito e anunciou que a equipe que iria aos Jogos Mediterrâneos seria a sub-20.
Se nos amistosos os resultados foram apenas discretos, com a Furia vencendo a primeira partida por 2 a 0, mas depois perdendo por igual diferença, nos Jogos a equipe se superou. Com um estilo de jogo bem definido, a equipe dirigida por Milla mostrou um futebol de qualidade durante o torneio disputado em julho. Assim, depois de um empate por 2 a 2 contra a Tunísia na estreia, a Fúria obteve vitórias contra Albânia, França e Itália, faturando o título de forma invicta.
Os resultados trouxeram tranquilidade para a seleção, que pareceu ter encontrado uma base e um estilo de jogo. Essa estabilidade possibilitou a Milla repetir em sua convocação para o Mundial a mesma base utilizada nos Jogos, e até melhorá-la, adicionando o meia Fran Mérida, do Arsenal, o goleiro Sérgio Asenjo, titular do Atlético de Madrid, e o atacante Bojan, do Barça, em sua lista definitiva. Colchoneros e blaugranas ainda não desistiram de tentar a liberação de seus atletas, mas o fato de convocá-los e comprar a briga mostra que a seleção está levando a disputa bastante a sério.
Independentemente de contar ou não com os dois atletas, Milla já marcou a apresentação do grupo para o dia 14, quando pretende iniciar um período de treinos que se estenderá até o dia 21, data marcada para o embarque rumo ao Egito.
Atacar primeiro e defender depois
Apesar de as presenças de Bojan e Asenjo no Egito ainda não estarem confirmadas, a Espanha terá um time bastante competitivo e ofensivo. O esquema que deverá ser empregado por Milla em sua equipe pode ser tanto um 4-2-3-1, quanto um 4-4-2 padrão ou ainda um 4-3-3, tudo dependendo do adversário e da manutenção ou não de Krkic no elenco.
Na defesa, além de Asenjo, o ponto forte é a dupla de zaga formada por Botía, do Sporting Gijón, e Fontàs do Barcelona. Nas laterais, Azpilicuelta, do Osasuña, e Valdéz, também do Gijón, tem tudo para serem os titulares e proverem força ofensiva e defensiva, seja qual for o esquema escolhido.
No meio de campo as opções do treinador espanhol são vastas. Embora a equipe tenha que se recuperar da ausência do lesionado Ignácio Camacho, volante de contenção e capitão da equipe, a faixa central deverá ter bastante qualidade. Para substituir Camacho, Milla deve optar entre Gullón ou Herrera. Junto a um dos dois deverá estar Mérida. A ideia é que o jovem do Arsenal tenha bastante liberdade para pegar a defesa adversária de frente, sendo assim capaz de usar e abusar de seus lançamentos precisos para a faixa de ataque.
Se optar pelo 4-2-3-1, Milla pode formar sua linha de três armadores com Aaron, do Celta de Vigo, por um dos lados, Bojan ou Alba, do Valencia, pelo outro e Dani Parejo mais centralizado. O trio ficaria então encarregado de municiar Nsue, que assim seria o único atacante. No entanto, se for com um 4-4-2, o treinador espanhol saca um dos armadores e passa Bojan ou Parejo para o ataque. Já na opção do 4-3-3, Bojan, Nsue e Aaron, ou mesmo Oscar de Marcos ou Joselu, formariam o tridente ofensivo, enquanto Parejo faria a composição na linha central.
De toda a maneira é quase certo que a Fúria apostará mais no seu ataque do que na sua defesa, muito mais pela qualidade que possui nas faixas mais ofensivas do que pela ausência de bons defensores. De toda a forma, se a presença de Asenjo for confirmada, essa iniciativa deverá ser ainda mais incentivada.
Curtas
- ELE PROMETE IR À CAÇA...
Aarón. O baixinho meia avançado do Celta de Vigo já mostrou que, apesar de não ter porte de centroavante, conhece bem o caminho das redes. Depois de marcar dois gols no Europeu Sub-17 de 2006 e outros dois na conquista espanhola do Europeu Sub-19 de 2007, Aarón aumentou sua contagem com outro tento na disputa do Europeu Sub-19 do ano passado e mais dois na disputa dos Jogos do Mediterrâneo. Sua velocidade e habilidade com a bola nos pés são uma ótima opção ofensiva para a Fúria.
- NÃO DEVERÁ PASSAR DE UMA MIRAGEM...
Parejo. O habilidoso meia, fruto das categorias de base do Real Madrid e com passagens pelo Queens Park Rangers e hoje no Getafe, chega ao Egito com uma grande responsabilidade. Após um grande desempenho na conquista do Europeu Sub-19 há dois anos, Parejo caiu de produção em nível selecionável, sobretudo no torneio continental do ano passado, quando não conseguiu engatar uma boa sequência de jogos. Com poucas oportunidades no QPR em 2008 e agora repassado ao Getafe, o meia não deve ter vida fácil no torneio.
- O PROFETA...
Asenjo. Apesar de ainda ter 20 anos, Asenjo já tem em seu currículo uma carreira que muitos profissionais não chegam a obter. Com atuações destacadas pelo Valladolid nos últimos anos, o goleiro chamou a atenção do Atlético de Madrid, que gastou 5 milhões de euros e ainda dispensou Coupet para contar com seu talento embaixo das traves. Por conta dessa experiência na La Liga, nos torneios com a própria seleção espanhola de base e agora na Champions League, o arqueiro tem uma boa oportunidade para liderar os jovens talentos de seu país nessa empreitada.
- O FARAÓ...
Bojan. Habilidade, experiência em jogos importantes e poder de decisão. Com qualidades deste tipo o jovem atacante blaugrana tem tudo para ser um dos craques do Mundial e o principal atleta da Espanha no torneio. Isso se o Barcelona o liberar, é claro. De toda a maneira, seja qual for o esquema escolhido, Bojan tem um tipo de jogo essencial para uma equipe vencedora; é o cara que pode tirar uma jogada do nada e ganhar a partida para seu time.
Elenco
GOLEIROS
Sergio Asenjo (Atlético Madrid) - 28/06/1989
Diego Mariño (Villareal) - 09/05/1990
Tomás (Real Madrid) - 30/01/1989
DEFENSORES
César Azpilicueta (Osasuna) - 28/08/1989
Alberto Botía (Sporting Gijón) - 27/01/1989
Álvaro Domínguez (Atlético Madrid) - 15/05/1989
Andreu Fontàs (Barcelona) - 14/11/1989
Victor Laguardia (Real Zaragoza) - 05/11/1989
José Ángel Valdés (Sporting Gijón) - 05/09/1989
Dídac Vilà (Espanyol) - 09/06/1989
MEIO-CAMPISTAS
Jordi Alba (Valencia) - 21/03/1989
Marcos Gullón (Villareal) - 20/02/1989
Ander Herrera (Real Zaragoza) - 14/09/1989
Fran Mérida (Arsenal) - 04/03/1990
Aarón (Valencia) - 26/04/1989
Dani Parejo (Getafe) - 16/04/1989
Oriol Romeu (Barcelona) - 24/09/1991
ATACANTES
Óscar de Marcos (Athletic Bilbao) - 14/04/1989
Enrique Garcia (Real Murcia CF) - 25/11/1989
Emilio Nsue (Real Sociedad) - 30/09/1989
Joselu (Celta de Vigo) - 27/03/1990
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