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Mundial Sub-20'09: Alemanha

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Maurício Vargas - 12/09/2009

Repetir o desempenho vitorioso do time principal nas bases foi o desafio da Deutscher Fussball-Bund durante toda a década de 90, sem muito sucesso. Quando os anos 2000 vieram e a geração campeã se aposentou, a falta de nomes à altura relegaram a Nationalelf a um papel secundário nas principais competições internacionais.

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O cenário, entretanto, mudou. A Alemanha ainda não ganhou nada desde a Euro’96, é verdade, mas a renovação finalmente faz seu papel ao colocá-la de volta no rol das melhores do mundo. Papel, aliás, que parece ter se invertido: na última temporada, os três campeonatos europeus de base foram conquistados pelas Juniorecken, um fato inédito.

Como campeã europeia, a Alemanha chegaria ao Egito numa das melhores condições dos últimos anos, apontada como uma das favoritas ao título. Entretanto, desfalques de peso como Timo Gebhart e Toni Kroos colocam um ponto de interrogação do tamanho do Rio Reno sobre a real capacidade do elenco escolhido por Hrost Hrubesch.

Não dá para dizer que os alemães não têm tradição nos mundiais de base. Três vezes semifinalistas do Sub-17, disputaram metade das 16 edições anteriores do sub-20, além de uma em que apenas a então Alemanha Oriental tomou parte. O ponto alto foi em 1981, na Austrália, quando a equipe liderada por Roland Wohlfarth (atacante que marcaria época no Bayern de Munique) bateu o surpreendente Catar na decisão e arrematou seu único título na categoria.

Depois dessa, foram todas campanhas modestas: três eliminações na primeira fase na década de 90, outra nos Emirados Árabes Unidos, em 2003, além de uma derrota nas oitavas de final para a França em 2001 e outra nas quartas, para o Brasil, em 2005. Na única vez em que as duas Alemanhas disputaram juntas, ambas foram semifinalistas, mas não se encontraram: a Oriental ficou com o terceiro lugar e a Ocidental perdeu nos pênaltis a final de 1987, para a Iugoslávia. Aquela equipe tinha como destaque Andreas Möller, campeão mundial em 1990 e que disputou três Copas do Mundo.

Com que time eu vou?

A classificação para o Mundial veio de maneira muito tranquila e terminou com festa. Após uma derrota na primeira fase eliminatória para a Rússia, foram apenas resultados positivos e uma campanha impecável na fase final do Europeu Sub-19, na República Tcheca, em 2008: cinco vitórias e o título continental da categoria após 27 anos. A vitória logo na estreia, sobre um time espanhol invicto por 22 jogos até aquele momento, mostrou a força de um time que mesclava toque de bola eficiente, velocidade e aproveitamento máximo das chances criadas.

Tudo isso teve também o toque de Hrost Hrubesch, na Federação Alemã desde 2000. Campeão europeu e vice mundial como jogador, o ex-atacante famoso por seus gols de cabeça seguiu à risca o programa implantado por Matthias Sammer de recuperação das bases: academias e centros de treinamento espalhados pelo país, e o retorno da mentalidade vencedora antes um pouco perdida. “‘Eu vou conseguir’ é uma frase muito importante do meu livro, porque significa ‘vou conseguir graças ao meu esforço’. É como eu me comporto e o que cobro dos meus jogadores”, afirma um confiante Hrubesch.

Confiança que só é abalada pelos desfalques. A imprensa acompanha a preparação para o Mundial com o objetivo de descobrir os nomes que podem render mais para a equipe principal, mas também graças ao interesse comum despertado nos torcedores. Só faltou avisar os clubes da empolgação pela participação germânica: a DFB é uma das federações com mais problemas para liberação dos jogadores.

Como o Mundial acontece entre setembro e outubro, época de disputa da Bundesliga, Uefa Champions League e Europa League, os clubes (especialmente os grandes, e até respaldados pela federação) botaram a boca no mundo sobre a liberação de seus atletas, muitos já nomes recorrentes no time titular. As negativas foram tantas que até mesmo Joseph Blatter se pronunciou a respeito.

O mandatário da FIFA respondeu duramente. “Se fizermos o Mundial quando não há campeonatos, irão reclamar que é período de férias dos jogadores. Estou fortemente empenhado em garantir que todas as seleções tenham sua força máxima, e principalmente os clubes alemães, que já nos causaram tantos problemas nas Olimpíadas de Pequim, deverão liberar seus atletas”, afirmou.

Nesse contexto, a preparação para o Mundial aconteceu meio que no improviso. O grupo não participou do Europeu Sub-21 na temporada seguinte, mas o treinador sim. Hrubesch provou novamente seu valor com as bases ao completar a trinca alemã com o primeiro título do país na categoria. Enquanto isso, o máximo que conseguiu fazer com os campeões sub-19 foram alguns esparsos amistosos com seleções vizinhas como Suíça e Itália e períodos curtos de treinamento – o último deles encerrado esta semana. Até a viagem o Egito, haverá ainda três dias de concentração em Heusenstamm já com o grupo fechado, afinal até o momento o treinador ainda não definiu os 21 nomes que viajarão para a terra das pirâmides.
 
Com que time eu jogo?

Até por esta indefinição, que deve render mais alguns debates nos dias que antecedem a divulgação da lista final, é muito difícil prever como jogará o time alemão – e qual ele será. Na primeira onda de reclamações, os nomes principais (Timo Gebhart, Tony Kroos e Stefan Reinartz) já ficaram de fora. Agora, a cada momento surge um novo desfalque. As últimas baixas compreendem Sven Bender, do Borussia Dortmund, e Choupo-Moting, cuja transferência para o Nuremberg tinha como condição a não-liberação para o Mundial. Isso sem citar nomes como Marko Marin e Sascha Bigalke, que poderiam fazer parte da equipe mas sequer foram cogitados.

Problemas à parte, Hrubesch deverá tentar manter as características principais da equipe: defesa sólida, toque de bola eficiente e ataques velozes, com um trabalho incessante pelas pontas. O time campeão europeu possuía uma espinha dorsal com atletas do 1860 Munique e do Bayer Leverkusen, que tinham também a vantagem de já jogarem juntos nas bases de seus clubes.

Assim, se Sven não puder oferecer ao meiocampo sua qualidade, caberá a seu irmão gêmeo Lars, mais defensivo, jogar em dobro e compensar com experiência. A criação deverá ficar a cargo de Timo Perthel, do Werder Bremen. No gol, fica a dúvida: Ron-Robert Zieler foi o titular no Europeu Sub-19, mas ainda não se firmou e Tom Mickel também jogou bastante. Sukuta-Pasu é obviamente a referência na área, e Marcel Risse, caso seja liberado, deverá ser um dos poucos remanescentes do título em gramados tchecos.

Como se vê, a Alemanha que viaja ao Egito parece mais remendada que o país ora dividido pelo Muro de Berlim. Se a unidade e a força são sempre características inerentes ao futebol germânico, nem mesmo tantos desfalques podem significar uma eliminação prematura. “Queremos um título em 2009”, declara Hrubesch, claramente referindo-se ao Mundial. Mas adversários traiçoeiros na primeira fase e um grupo que até certo ponto não se conhece tão bem podem ser obstáculos grandes demais. Uma coisa é certa: campeã ou eliminada antes da hora, a Alemanha será notada nos gramados egípcios.

Curtas

ELE PROMETE IR À CAÇA...
Richard Sukuta-Pasu. Destaque da campanha alemã no Mundial Sub-17 de 2007, ao lado de Toni Kroos, Sukuta-Pasu, parece ter sobrevivido ao teste do tempo imposto aos artilheiros de base e continuou marcando gols importantes, como o do título do Europeu Sub-19. Aclimatado aos profissionais do Bayer Leverkusen, tem 1,88m de pura presença de área e é candidato à chuteira de ouro se a Alemanha for longe o suficiente.

NÃO DEVERÁ PASSAR DE UMA MIRAGEM...
Semih Aydilek. O winger esquerdo de ascendência turca defendeu as seleções sub-17 e sub-18 daquele país antes de optar pelas Juniorecken, e mesmo assim só teve participações esporádicas. Surgiu no Eintracht Frankfurt, foi vendido ao Birmingham mas logo um empréstimo ao Motherwell da Escócia e a transferência para o Kaiserspor já o transformaram em um jovem cigano do futebol.

O PROFETA...
Florian Jungwirth. O zagueiro que quase complicou a vida alemã na final do Europeu Sub-19 ao ser expulso deverá ser o capitão do time, já que nem Dennis Diekmeier, nem Dennis Naki irão disputar o campeonato. Com 1,81m, não é alto como manda a tradicional escola alemã de defensores, mas é mais habilidoso e ágil que a média. Um dos mais velhos do elenco, deverá gritar para todos ouvirem durante os jogos.

O FARAÓ...
Lars Bender. Sua confirmação foi uma verdadeira novela. Iria para o Egito, foi dispensado e acabou confirmado, mas vai sem o irmão gêmeo. Com isso, boa parte dos olhos interessados na equipe alemã devem se voltar ao meiocampista do Leverkusen, considerado uma das principais promessas do futebol do país.

Elenco

GOLEIROS
Ron-Robert Zieler (Manchester United) – 12/02/1989
Tom Mickel (Hamburger SV) – 19/04/1989
Sebastian Mielitz (Werder Bremen) – 18/07/1989

DEFENSORES
Sebastian Jung (Eintracht Frankfurt) – 22/06/1990
David Vrzgovic (Borussia Dortmund) – 10/08/1989
Florian Jungwirth (1860 München) - 27/01/1989
Björn Kopplin (Bayern München) – 07/01/1989
Kai-Fabian Schulz (Hamburger SV) – 12/03/1990
Maik Rodenberg (Arminia Bielefeld) – 29/01/1989
Patrick Funk (VfB Stuttgart) – 11/02/1990

MEIOCAMPISTAS
Lars Bender (Bayer Leverkusen) – 27/04/1989
Timo Perthel (Werder Bremen) – 11/02/1989
Mario Vrancic (Rot-Weiss Ahlen) – 23/05/1989
Lewis Holtby (FC Shalke 04) – 18/09/1990
Semih Aydilek (Kayserispor-TUR) – 16/01/1989
Cihan Kaptan (Bursaspor-TUR) – 04/03/1989

ATACANTES
Richard Sukuta-Pasu (Bayer Leverkusen) – 24/06/1990
Manuel Schäffler (1860 München) – 06/02/1989
Dani Schahin (Greuther Fürth) – 09/07/1989
Tobias Kempe (Werder Bremen) – 27/06/1989



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