Rafael Arrais - 12/09/2009
Após fazer uma excelente campanha na Copa das Confederações, realizada na África do Sul, ficando com o vice-campeonato, os Estados Unidos mostraram que o futebol no país está em amplo processo de expansão e popularização. Desde a criação da Major League Soccer (MLS), na década de 90, o “soccer” passou a ser mais conhecido e evolui a passos largos no país, que já incomoda as grandes seleções do mundo há algum tempo.
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Esses fatores resultam na evolução das seleções estadunidenses no cenário futebolístico internacional. A sub-20 classificou-se pela sétima vez consecutiva para o Mundial. No total, os ianques chegam à 12º participação no campeonato, número que os confirmam como o país da Concacaf que mais disputou a competição.
Os norte-americanos partem para o continente africano com o objetivo de superar sua melhor colocação na história em Mundiais da categoria, conseguido em 1989, na Arábia Saudita, quando ficaram em quarto lugar. Em 2007, no Canadá, os Estados Unidos s despediram nas quartas de final, diante da Áustria, na prorrogação, após vencer o Brasil e se classificar na primeira colocação de um grupo que ainda contava com Polônia e Coreia do Sul.
Na época, a equipe era comandada pelo atual técnico, o experiente holandês Thomas Rongen, que tinha como opções em seu elenco jogadores talentosos e badalados como Freddy Adu, Jozy Altidore e Michael Bradley – os dois últimos se tornaram bem conhecidos do público brasileiro na final da última Copa das Confederações.
Apesar de não gozar de muitos talentos individuais, os Estados Unidos apostam alto na união do grupo e na disciplina tática dos jogadores locais. Esses fatores somados à experiência do treinador e aos últimos resultados obtidos pela seleção principal, enchem os americanos de esperança por uma campanha que eleve o país a um patamar mais alto na base.
Sucesso local
Favoritos ao título do Campeonato Sub-20 da Concacaf, disputado em Trinidad e Tobago, os Estados Unidos começaram a competição mostrando um belo cartão de visitas; logo na primeira partida, um imponente 3 a 0 para cima dos jamaicanos. No segundo jogo, empate sem gols com a boa equipe de Honduras. Precisando de apenas um empate no último jogo para obter uma vaga nas semifinais e, consequentemente, o passaporte para o Egito, os ianques partiram pra cima de El Salvador no fechamento primeira fase e venceram com tranquilidade por 2 a 0.
Na semifinal, os norte-americanos encararam os anfitriões. Em um jogo duro e truncado, Trinidad e Tobago não conseguiu furar a defesa estadunidense, mas também não deixou os adversários apresentarem o bom futebol mostrado na primeira fase. O jogo então foi decidido nos pênaltis, e brilhou a estrela do goleiro Brian Perk. Na final, a talentosa seleção da Costa Rica não deu chance aos Estados Unidos e venceu com facilidade por 3 a 0. Foram os únicos três gols levados pelos americanos no torneio.
Mesmo com o vice-campeonato, Thomas Rongen ficou satisfeito com o desempenho da equipe. O técnico, aliás, é o grande trunfo para o sucesso da seleção no Mundial do Egito. Rongen carrega uma vasta experiência no futebol dos Estados Unidos e, além de ter liderado a seleção sub-20 nos Mundiais de 2003 e 2007, foi durante muitos anos treinador da MLS, sendo, inclusive, eleito o técnico do ano em 1996 e campeão da MLS Cup em 1999 pelo DC United.
"A classificação para o Mundial era o nosso principal objetivo, conseguimos isso e fomos à final do torneio. O desempenho foi muito bom para uma equipe que se reuniu em um curto período de tempo. Penso que esta equipe irá nos representar bem no Egito”, disse Rongen após a final contra a Costa Rica.
União e disciplina
Com uma equipe mesclada por jovens universitários, profissionais da MLS e jogadores com bagagem internacional, os Estados Unidos chegam ao Egito animados. Entre os fatores, está a experiência do técnico Rongen, que, nas últimas duas vezes que comandou a equipe, não tinha esse vasto leque de opções. Segundo o treinador, a evolução da liga local criou uma maior aceitação do futebol no país, o que aumentou o número de praticantes e as chances de encontrar jogadores de alto nível.
Atualmente, a equipe titular já conta com jogadores mais experientes em competições internacionais, como o goleiro Brian Perk (UCLA) e o zagueiro Anthony Wallace (FC Dallas), que disputaram o Mundial Sub-20 do Canadá, em 2007. O arqueiro, aliás, já é tido como uma jovem promessa e promete seguir a tradição norte-americana de produzir camisas 1 promissores como Tim Howard, do Everton e o ídolo Kasey Keller, líder da campanha que levou o país às semifinais no Mundial Sub-20 da Arábia Saudita em 1989.
O sucesso da equipe atual está na solidez da defesa, que sofreu apenas três gols durante o Campeonato Sub-20 da Concacaf. A começar por Perk, os quatro jogadores da linha defensiva também são competentes e obedientes à tática utilizada pelo treinador. Liderado pelo capitão Kyle Davies, do FC Dallas, o jogador apresenta uma vantagem por atuar junto com Wallace, seu companheiro de equipe.
Sheanon Willians, sem clube, e Gale Agbossoumonde (Miami FC) completam o forte sistema defensivo dos Estados Unidos. O meio é o responsável pela variação tática da equipe, que pode atuar em um 4-4-2 clássico ou em um sistema mais ofensivo, como o típico 4-3-3 holandês. Jared Jeffrey (Club Brugge) já apresenta boa experiência internacional e é responsável pela saída de bola norte-americana. O meio-campo também possui outros bons jogadores como Brian Ownby (Virginia), Dilly Duka (Rutgers) e Danny Cruz (Houston Dynamo), encarregados de armar as jogadas.
O meio é um trunfo de Thomas Rongen, já que ele tem várias opções de jogadores com os mais variados estilos de jogo, e assim pode mudar o esquema com facilidade. Na frente, a dupla do FC Dallas Peri Marosevic e Brek Shea transforma o entrosamento dentro de campo em gols para os ianques. Com uma equipe compacta e bem equilibrada, os Estados Unidos levam o que tem de melhor para representar o país no Mundial do Egito e, se mantiverem a união e a disciplina tática, os americanos poderão, com tranquilidade, realizar mais um bom papel na base.
Curtas
- ELE PROMETE IR À CAÇA...
Peri Marosevic. Recém chegado ao time do FC Dallas, Mirosevic ainda não é titular da posição na equipe. Mas seu grande potencial e sua atuação pela Universidade de Michigan já o credenciam como um hot prospect, inclusive, para a seleção principal. Com 1.75m, estatura apenas mediana, ele se destaca pela velocidade e pelo controle de bola. Além disso, faz belos gols, principalmente com o pé direito, e se sobressai também pela grande visão de jogo e inteligência para confundir a marcação da defesa adversária. Nos Estados Unidos, os torcedores já o consideram o melhor jogador jovem da MLS.
- NÃO DEVERÁ PASSAR DE UMA MIRAGEM...
Ike Opara. Jogador que alia altura e velocidade, começou a se destacar na Universidade de Wake Forest em 2007. Com 20 anos, já adquiriu maturidade no futebol para disputar uma vaga na MLS. Mas permanece até hoje no futebol universitário. Opara sequer participou do elenco vice-campeão do classificatório da Concacaf. Após um início promissor, o Mundial Sub-20 parece ser a última chance para o defensor mostrar que tem condições de integrar o elenco estadunidense e alçar voos mais altos no futebol.
- O PROFETA...
Kyle Davies. Um dos mais experientes do elenco norte-americano, Davies é o capitão e responsável por comandar a elogiada defesa da seleção sub-20. Ele também é um dos poucos jogadores com rodagem por clubes internacionais. O zagueiro defendeu o Southampton, da Inglaterra, quando tinha apenas 17 anos. Permaneceu por um período de testes até ser recrutado pela MLS. Depois de passar pelo Real Salt Lake, o jogador foi contratado pelo FC Dallas. É nele que os Estados Unidos aposta para comandar não só a defesa, mas toda a equipe.
- O FARAÓ...
Jared Jeffrey. Desde 2005 disputando competições internacionais pelas seleções de base dos Estados Unidos, Jeffrey chega ao Mundial do Egito como o jogador do elenco com maior destaque internacional. Atua desde 2008 pelo Club Brugge, da Bélgica, e já chama a atenção de equipes de centros maiores do Velho Continente. Além da experiência no futebol europeu, Jeffrey carrega na bagagem o fato de ter disputado o último Mundial sub-17 na Coreia do Sul. Todos esses requisitos o tornam o jogador mais importante da seleção. Mas isso precisa ser comprovado dentro de campo.
Elenco
GOLEIROS
Sean Johnson (Central Florida) – 31/05/1989
Josh Lambo (FC Dallas) – 19/11/1990
Brian Perk (UCLA) – 21/07/1989
DEFENSORES
Gale Agbossoumonde (Miami FC) – 17/11/1991
Kyle Davies (FC Dallas) – 11/04/1989
Aaron Maund (Notre Dame) – 19/09/1990
Ike Opara (Wake Forest) – 21/02/1989
Anthony Wallace (FC Dallas) – 26/01/1989
Sheanon Williams (Unattached) – 17/03/1990
MEIO-CAMPISTAS
Bryan Arguez (Hertha Berlin, Miami) – 13/01/1989
Danny Cruz (Houston Dynamo) – 03/01/1990
Mikkel Diskerud (Stabak) – 02/09/1990
Dilly Duka (Rutgers) – 15/09/89
Jorge Flores (Chivas USA) – 16/09/89
Jared Jeffrey (Club Brugge) – 14/06/90
Brian Ownby (Virginia) – 16/07/90
Dillon Powers (Notre Dame) – 14/02/91
Michael Stephens (UCLA) – 03/04/1989
ATACANTES
Peri Marosevic (FC Dallas) – 05/05/89
Brek Shea (FC Dallas) – 28/02/90
Tony Taylor (Jacksonville) – 13/07/89
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