Henrique Moretti - 13/09/2009
Os números recentes do futebol internacional comprovam: a Coreia do Sul é um dos países que mais evoluiu no planeta. Isso vale tanto para a seleção principal, que vai a todas as Copas do Mundo desde 1986, quanto para a sub-20, que se classificou para oito dos últimos dez Mundiais da categoria.
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Para a competição desta temporada a ser realizada no Egito, essa tendência não foi desrespeitada, e os jovens coreanos carimbaram seu passaporte para a África através do complicado Campeonato Asiático Sub-19, cujo formato ignora as fases iniciais na hora da decisão e torna as partidas de quartas de final um verdadeiro drama valendo uma das quatro vagas a que tem direito o continente.
Enfim classificado, o time comandado por Myung-Bo Hong, capitão da Coreia na histórica campanha da Copa de 2002, organizada pelo própria país ao lado do Japão, encara o desafio de obter um resultado tão expressivo quanto aquele. Porém, o difícil grupo no qual foi sorteado, sendo acompanhado por três oponentes de tradição em categorias de base, Alemanha, Estados Unidos e Camarões, torna a meta de avançar às oitavas de final já ser considerada ousada. Essa previsão representa ainda mais a realidade se for levada em conta a ausência do meia do Celtic Sung-Yong Ki, atualmente o seu novato mais aclamado no mundo e que já está com as atenções voltadas para o elenco que vai à África do Sul no próximo ano.
Embora formem com folga o plantel de mais tradição da Ásia, com 11 títulos e quatro vice-campeonatos, os sul-coreanos só brilharam em nível planetário na importante competição de base em 1983, quando o ex-atacante Kim Jong-Boo e cia. se despediram apenas nas semifinais diante do Brasil de Bebeto, Dunga e Jorginho por 2 a 1. Nesse contexto, ao contrário do que acontece entre os profissionais os Taegeuk Warriors não apresentam o melhor retrospecto de seu continente em Mundiais sub-20, posto que pertence ao Japão e ao Catar, que foram vice-campeões respectivamente em 1999 e 1981.
Ídolo vira técnico encima da hora
Irregular durante o último Campeonato Asiático Sub-19 disputado na Arábia Saudita, a Coreia do Sul oscilou entre belos resultados – atropelou o arquirrival Japão por 3 a 0 e o Irã por 4 a 2 – e decepções, especialmente a da semifinal, em que perdeu pelo placar mínimo diante do modesto Uzbequistão.
Ainda que a classificação ao Mundial tenha vindo, a insatisfação da federação local com o futebol jogado ficou clara no início de 2010, quando o treinador Cho Dong-Hyun foi demitido. O homem que já havia dirigido o grupo sub-20 no Canadá-2007, onde uma eliminação na primeira fase fora conhecida, deu lugar a Myung-Bo Hong, ídolo local que era o capitão de Guus Hidink na campanha da Copa do Mundo há sete anos.
A escolha do ex-zagueiro não teve relação apenas com sua grande reputação por ter defendido o país como jogador por 136 vezes no total e sido eleito um dos 235 maiores futebolistas da história na famigerada listagem de Pelé. Antes de estrear em uma nova função, ele já havia sido assistente do holandês Pim Verbeek no time principal. Apesar das dificuldades decorridas de começar um novo trabalho com pouco tempo até o Mundial, Hong vem conseguindo dar a seus pupilos uma boa preparação.
Até aqui, os resultados assegurados são expressivos, incluindo uma sequência de seis vitórias consecutivas entre fevereiro e agosto. Nesse período, a base da Coreia do Sul ganhou dois torneios amistosos – um no Egito, disputado contra os mandantes e a República Tcheca, e outro em seus domínios, pelo qual enfrentou Japão, África do Sul e os próprios egípcios.
É com moral, portanto, que a equipe deve chegar ao continente africano em setembro, contudo, o sorteio dos grupos para a importante competição lançou uma ducha de água fria nas pretensões de Hong. “Não há como explicar quão forte é a Alemanha. Os EUA são estáveis, e Camarões tem boa velocidade e resistência”, avaliou o técnico, que participará de seu primeiro evento oficial já enfrentando seleções tradicionais precocemente.
Universitários e inexperientes
Na comparação com o elenco comandado por Dong-Hyun Cho na Arábia Saudida, os nomes que estarão no Egito são praticamente os mesmos, sendo que, dos 21 jogadores presentes na lista de convocação de Myung-Bo Hong, apenas sete não foram quartos colocados da competição continental de 2008.
Em ambos os casos, de qualquer forma, a Coreia do Sul não contou com o meia Sung-Yong Ki, que, após se destacar no Mundial do Canadá, se tornou o jovem do país mais bem cotado no planeta. Aos 20 anos de idade, ele já faz parte da seleção principal e por isso a federação de futebol local preferiu deixá-lo fora do evento para jovens. Tal opção, ratificada ainda pelas palavras de Hong, mostra que uma das principais metas dos dirigentes na África é dar rodagem e experiência aos garotos. “Trabalharei duro para transformá-los em peças importantes para o futuro do nosso futebol”, chegou a garantir o treinador.
A maioria dessas peças, entretanto, não são muito talentosas, segundo a imprensa do país, que vem tratando os dias que antecedem o início do torneio egípcio com cautela. Respondendo às críticas em agosto passado, o antigo capitão da seleção assegurou ter “confiança” nos garotos, dentre os quais surge com mais destaque Young-Cheol Cho. Com 20 anos, o atacante compõe ao lado do defensor Dong-Ho Jong e do meia Yong-Duk Seo o grupo dos sul-coreanos que já atuam no exterior – todos o fazem no Japão, país cuja liga de clubes é a mais forte da Ásia.
Destaque no último Asiático, Cho assinalou um dos gols do embate com o Japão naquele torneio, sendo decisivo, portanto, para a classificação ao Mundial. Endossando a camisa 10, ele já defendeu a seleção sub-23 na Olimpíada de Pequim, mas desceu um degrau na hierarquia dos Reds para poder atuar neste mês nos gramados africanos.
Com 1,80 metro de altura e 74 quilos, o avante ainda contradiz as características atribuídas aos atletas da Coréia do Sul, geralmente mais baixos e muito velozes. Essa tendência observada nas últimas Copas do Mundo, aliás, não é respeitada pela maioria do grupo de Hong, que tem média de altura de 1,83 m, quatro centímetros a mais na comparação com Canadá-2007. Ainda assim, o treinador admite que se deve encontrar dificuldades em termos de físico especialmente na estréia contra Camarões.
Taticamente, o tradicional time tem tudo para ser escalado em um 4-4-2 no qual as maiores preocupações estão na defesa. “Temos deixado muito espaço e permitindo várias chances aos rivais”, admitiu o comandante ao site da FIFA, esperando que possa corrigir o problema na concentração nos Emirados Árabes, onde os jovens estão treinando desde 12 de setembro. Vale lembrar que, inexperiente, a zaga deve ser formada totalmente por jogadores que ainda defendem times de universidade: Kim Min-Woo (que estuda em Yonsei), Young-Kwon Kim (Jeonju), Jeong-Ho Hong (Chosun) e Jae-Suk Oh (Kyunghee).
Curtas
- ELE PROMETE IR À CAÇA...
Young-Cheol Cho. Esqueça aquele padrão de atacantes bastante baixos e rápidos, porém sem força física para disputas de bola com zagueiros adversários. O jovem de 20 anos, que está no futebol japonês desde 2007, tem 1,80 m, boa presença de área e também é rápido, sendo a principal esperança de gols da Coreia do Sul no Mundial. Dessa matéria, o jogador que participou das Olimpíads de Pequim entende bastante: marcou dez apenas no encontro com Guam, válido pelas Eliminatórias do último Campeonato Asiático Sub-19.
- NÃO DEVERÁ PASSAR DE UMA MIRAGEM...
Jeong-Ho Hong. Não confundir com o homônimo que nos Jogos Olímpicos de 1992 ganhou a medalha de ouro com a seleção sul-coreana masculina de handebol. O zagueiro compõe o grupo nacional desde o ano passado e deve reaparecer como titular no Egito, contudo, com 1,88 m e 77 quilos é considerado lento e um dos responsáveis pela inconsistência da zaga asiática. Aos 20 anos, segue defendendo a Universidade de Chosun.
- O PROFETA...
Ja-Cheol Koo. Embora nascido em 1989, o volante que defende o Jeju United há duas temporadas já é considerado experiente por Myung-Bo Hong, visto que já foi convocado duas vezes para a seleção principal sul-corena. Capitão da seleção júnior, ele dá respaldo aos colegas menos maduros e responde pela segurança defensiva no meio-campo do time.
- O FARAÓ...
Sung-Keun Choi. A principal esperança de brilho por parte da Coreia no Egito também representa uma das maiores curiosidades do torneio. O meia, que completou 18 anos apenas em julho passado, é o único entre seus compatriotas a estar ainda no colegial. Pelo time estudantil de Unnam, ele brilhou nas assistências e acabou ganhando um voto de confiança do treinador, que o compara à principal referência futebolística do país: Ji-Sung Park, integrante do Manchester United.
Elenco
GOLEIROS
Seung-Gyu Kim (Ulsan Hyundai) - 30/09/1990
Da-Sol Kim(Universidade de Yonsei) - 04/01/1989
Beom-Young Lee (Busan I-Park) - 02/04/1989
DEFENSORES
Suk-Young Yun (Chunnam Dragons) - 13/02/1990
Young-Kwon Kim (Universidade de Jeonju) -.27/02/1990
Jeong-Ho Hong (Universidade de Chosun) - 12/08/1989
Jae-Suk Oh (Universidade de Kyunghee) - 04/01/1990
Jong-Eun Lim (Ulsan Hyundai) - 18/06/1990
Seok-Won Jang (Universidade de Dankook)- 11/08/1989
Dong-Ho Jung (Yokohama/JAP) - 07/03/1990
Min-Woo Kim (Universidade de Yonsei) - 25/02/1990
MEIO-CAMPISTAS
Jung-Jin Seo (Jeonbuk Hyundai) - 06/09/1989
Sung-Keun Choi (Eonnam H.S.) - 28/07/1991
Bo-Kyung Kim (Universidade de Hongik) - 06/10/1989
Ja-Cheol Koo (Jeju United) - 27/02/1989
Ki-Han Moon (FC Seoul) - 17/03/1989
Yong-Duk Seo (Omiya Ardija/JAP) - 10/09/1989
ATACANTES
Hee-Sung Park (Universidade da Coréia do Sul) - 07/05/1990
Seung-Yeoul Lee (FC Seoul) - 06/03/1989
Dong-Sub Kim (Tokushima Vortis) - 29/03/1989
Young-Cheol Cho (Albirex Niigata/JAP) - 31/05/1989
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