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Mundial Sub-20'09: Inglaterra

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Rafael Arrais - 14/09/2009

Maior campeã europeia sub-19 com nove títulos, a Inglaterra sempre foi uma potência regional quando o assunto é categorias de base. Em compensação, não demonstra a mesma eficiência quando as competições envolvem seleções de outros continentes, e a prova disso foi a ausência do país nos dois últimos Mundiais Sub-20. Mas a edição deste ano reserva anseios maiores devido ao atual retrospecto de seus garotos no Velho Continente.

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Pelos resultados conseguidos recentemente, os ingleses desembarcam no Egito credenciados a realizar uma campanha digna de quem possui atualmente uma das melhores ligas do planeta. Em Mundiais, a melhor participação da equipe foi o terceiro lugar em 1993, na Austrália. Antes disso, só haviam conseguido um quarto lugar em 1981.

Entre os jogadores revelados ao longo da história, estão o baby star Michael Owen e o eficiente Jamie Carragher em 1997, o lateral-esquerdo Ashley Cole e o centroavante grandalhão Peter Crouch, em 1999. Mas quem mais se destacou em um Mundial, no entanto, foi o volante Nicky Butt, ex-Manchester United, apontado como um dos melhores jogadores da competição em 1993.

Em sua nona participação em Mundiais Sub-20, a Inglaterra tem como objetivo superar a campanha de 1993 e consolidar de vez o nome do país entre os melhores no trabalho de base. Potencial para isso os jogadores já mostraram ter, pois a base da seleção é formada por atletas vice-campeões europeus sub-19, em torneio realizado na Ucrânia, e que já estão acostumados a jogar juntos e adquiriram um bom entrosamento durante o campeonato.  

Os ingleses levam na mala a esperança de driblar a descrença criada em razão do supracitado retrospecto e de desfalques como Dan Gosling e Danny Welbeck, destaques do Mundial Sub-17 de 2007, na Nigéria. Apesar da falta de tempo para uma preparação maior, os atletas confiam no atual momento da base do país para, assim, fazer a sua terceira final consecutiva em torneios para jovens jogadores. 

Preparação curta

A Inglaterra chega ao Egito após ter conquistado a vaga na fase final do Campeonato Europeu Sub-19, disputado na República Tcheca no ano passado. Eram 52 seleções do Velho Continente disputando apenas seis vagas. Na primeira fase do torneio qualificatório, os ingleses passaram com tranquilidade por Irlanda, Romênia e Bélgica. No chamado grupo de elite, continuaram apresentando um futebol envolvente.

As vitórias diante de Polônia e Sérvia e o empate com a Bielorrúsia colocaram os britânicos a um passo do Mundial. Mas, na última fase, a equipe caiu de rendimento e ficou na terceira posição, abocanhando a última vaga do grupo. Depois de perder para os tchecos e empatar com a Itália, a seleção inglesa precisava vencer a Grécia para garantir o passaporte rumo ao Egito, e o fez com categóricos 3 a 0.

Desde que garantiu o lugar na competição, o treinador Brian Eastick tem se mostrado preocupado em reunir o grupo para poder colocar em prática sua filosofia de trabalho. Mas, devido aos torneios regionais que vários jogadores têm participado, essa foi uma dificuldade real na preparação. Nesse ano, a equipe disputou somente dois amistosos, sendo que um deles ocorreu no mês de março.

Por ser treinador também da seleção sub-19, Eastick tem a vantagem de ter trabalhado com a maioria dos seus jogadores no Europeu da categoria, que aconteceu entre o mês de julho e agosto, mas em contrapartida não terá muito tempo para preparar o sub-20. O próprio técnico admitiu que o torneio disputado no último mês fez com que ele não tivesse muito tempo para pensar no Mundial, porém, esses problemas não parecem desanimá-lo.

Com uma vasta experiência no futebol inglês, depois de peregrinar por clubes de todas as regiões do país, o treinador vê nesse novo desafio a chance para demonstrar que tem capacidade de ser considerado um profissional de alto nível. Há mais de quatro semanas reunido em Portugal, o elenco inglês disputou apenas um amistoso no mês de agosto, contra Montenegro, e goleou por 5 a 0. O resultado encheu a seleção de motivação, e serviu para provar que, apesar do pouco tempo juntos, a equipe está pronta para se destacar no Egito.

Dificuldade na escalação

O maior problema de Eastick, seguramente, será a ausência de jogadores que poderiam fazer a diferença para os ingleses, mas que não foram liberados pelos seus clubes para a disputa. Nomes importantes como Dan Gosling, do Everton, Jack Wilshere, do Arsenal e Daniel Sturridge, do Chelsea, não defenderão a equipe na competição

Por outro lado, o treinador terá em mãos uma equipe que se conhece muito bem, pois a base da seleção será formada por atletas que ficaram com o vice-campeonato europeu sub-19, como Jason Steele (Middlesbrough), Kieran Trippier (Manchester City), Matthew James (Manchester United), Matthew Briggs (Fulham), Gavin Hoyte (Arsenal), entre outros.

Além deles, o elenco ainda conta com remanescentes do time que, no ano passado, garantiu a classificação do time, como Ben Mee (Manchester City) e Josh Walker (Middlesbrough). O grande trunfo dessa geração certamente será a experiência e o conhecimento que o treinador tem dos seus atletas. Por estar à frente da seleção há algum tempo, e ter participado recentemente do Europeu sub-19 com muitos dos jogadores que vão para o Mundial, ele tem o domínio total sobre os jovens ingleses.

Adepto do sistema 4-4-2, Eastick adota uma tática simples e consistente em suas equipes. Capitaneado pelo goleiro Jason Steele, o sistema defensivo é onde a equipe possui o maior entrosamento, com peças como Kieran Trippier, Matthew Briggs e Gavin Hoyte. A segurança da retaguarda facilita o trabalho dos meias, que podem criar jogadas mais despreocupados.

O maior problema do treinador será nesse setor, que concentra a maioria dos desfalques. Eastick terá que utilizar muito bem esse pouco tempo de preparação para remontar o miolo da equipe. Para isso, ele vai aproveitar jogadores de menor experiência, mas que tem sua total confiança e já provaram em seleções inglesas de outras categorias que merecem essa oportunidade, casos de Michael Woods (Chelsea) e Jordan Parkes (Watford).  

O ataque também sofrerá com as ausências, mas, em compensação, conta com boas peças de reposição, como o atacante do Manchester United, Febian Brandy. Mesmo com problemas para montar o grupo, Eastick acredita que a Inglaterra irá fazer uma boa campanha, e quem sabe acabar com o estigma de que os britânicos só conseguem se dar bem dentro do próprio continente.

Curtas

- ELE PROMETE IR À CAÇA...
Febian Brandy. Desde os nove anos de idade no Manchester United, Brandy sempre chamou a atenção pelo seu estilo de jogo ágil e envolvente. Um terror para os zagueiros adversários, consegue aliar habilidade, velocidade e faro de gol. Logo cedo viveu um drama em sua carreira, na temporada 2006/07, quando quebrou a perna. Mas se recuperou completamente e, depois de passar por dois empréstimos, o atacante terá no Mundial do Egito a chance de confirmar as expectativas sobre o seu futebol.

- NÃO DEVERÁ PASSAR DE UMA MIRAGEM...
Sam Baldock. Após iniciar sua carreira de forma promissora, colecionado gols e boas apresentações em equipes de menor expressão do futebol inglês, Baldock foi parar no modesto Milton Keynes Dons, que disputa a Football League One, terceira divisão do país. O atacante é um dos jogadores mais experientes do elenco que vai disputar o Mundial no Egito, e aposta na sua bagagem para provar que tem condições de atuar por um grande clube.

- O PROFETA...
Jason Steele. Destaque em todas as seleções de base que passou, Steele é um goleiro que tem espírito de líder e tem representado muito bem a Inglaterra ao longo dos anos. Com passagem pelas seleções sub-16, sub-17 e sub-19, ele foi um dos responsáveis pela ótima campanha do país no último Campeonato Europeu Sub-19. A expectativa é a de que Steele possa, em um futuro não muito distante, defender a seleção profissional e acabar com a carência de goleiros que existe hoje na Terra da Rainha.

- O FARAÓ...
Gavin Hoyte. Jogador que alia versatilidade e certa bagagem por já figurar na equipe principal do Arsenal, Hoyte é peça-chave na defesa inglesa. A jovem promessa é o curinga do técnico Eastick no sistema defensivo da equipe, pois pode atuar tanto na lateral-direita como no miolo de zaga. Além disso, exerce certa liderança dentro do grupo, por ter participado do último Mundial Sub-17 e do Europeu sub-19 e poderá ser utilizado por Arsène Wenger em jogos decisivos dos Gunners ainda nessa temporada.

Elenco

GOLEIROS
Jason Steele (Middlesbrough) – 18/08/1990
Elliott Parish (Aston Villa) – 20/05/1990
Mark Oxley (Hull City) – 02/06/1990

DEFENSORES
Matthew Briggs (Fulham) – 09/03/1991
Gavin Hoyte (Arsenal) – 06/06/1990
Martin Kelly (Liverpool) – 27/04/1990
Nana Ofori – (Chelsea) – 15/05/1990
Jordan Parkes (Watford) – 26/07/1989
Kieran Trippier (Manchester City) – 19/09/1990

MEIO-CAMPISTAS
Adam Clayton Manchester City) – 14/01/1989
Gary Gardner (Aston Villa) – 29/06/1992
Matthew James (Manchester United) – 22/07/1991
Paul Marshall (Manchester City) – 90/07/1989
Ben Mee (Manchester City) – 21/09/1989
Andrew Tutte (Manchester City) – 21/09/1990
Josh Walker (Middlesbrough) – 21/02/1989
Michael Woods (Chelsea) – 06/04/1990

ATACANTES
Jon Obika (Yeovil Town) – 12/09/1990
Alex Nimely (Manchester City) – 11/05/1991
Febian Brandy (Manchester United) – 04/02/89
Sam Baldock (Milton Keynes Dons) – 15/03/1989



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