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Mundial Sub-20'09: Gana

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Lincoln Chaves - 15/09/2009

Uma das equipes mais tradicionais do futebol africano quando o assunto é categorias de base base, Gana volta a disputar um Mundial Sub-20 depois de oito anos. Na última campanha em 2001, deixou o Brasil de Kaká pelo caminho e só sucumbiu diante da Argentina, de Saviola, Maxi Rodriguez, Romagnoli e D’Alessandro, que aplicou um sonoro 3 a 0 nos africanos nas semifinais. Faziam parte daquela equipe nomes como Muntari (que tinha então apenas 16 anos), Mensah, Pimpong e Boateng, que levariam os ganeses a disputar a primeira Copa do Mundo de sua história e a alcançar as oitavas de final da competição, deixando a Alemanha com a sensação de dever cumprido.

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Até por isso, sempre que os Black Satellites aparecem em uma competição, não há quem não mostre respeito e receio, e para a edição deste ano, não há de ser diferente. Em campo, estará a equipe que foi base do último Mundial Sub-17 e que sagrou-se campeã africana sub-20 em janeiro. No entanto, quando precisou jogar sem os atletas que atuam fora do país, o futebol apresentado por Gana ficou abaixo da crítica, deixando a imprensa com um pé atrás quanto a dependência dos “estrangeiros”. Sem contar que a concorrência na chave, com o forte Uruguai, de excelente campanha no Sul-Americano Sub-20, o motivado Uzbequistão e a vice-campeã europeia sub-19, Inglaterra, promete ser acirrada, mais até do que a equipe gostaria.

Nada disso, entretanto, afetou as expectativas de torcedores e mesmo da comissão técnica de tentar repetir o vice-campeonato, conquistado em 1993, quando estreou em Mundiais Sub-20. O discurso adotado, ainda assim, é cauteloso. E talvez seja esse o melhor caminho, já que a fase de preparação reuniu atuações irregulares, especialmente contra times tecnicamente inferiores. Passar de fase e lutar para buscar, ao menos, um posto nas semifinais, parece ser um resultado “aceitável” para os africanos.

Preparação difícil

A classificação para o Mundial não veio como surpresa, até pelo favoritismo que os ganenses detinham no Africano Sub-20, realizado em janeiro, em Ruanda. A equipe despachou Angola sem dificuldades na fase preliminar e garantiu vaga na fase de grupos do campeonato, onde não encontrou dificuldades nos confrontos contra Mali e os donos da casa, conquistando sossegadas vitórias por 2 a 0, e confirmando a sua passagem com um empate em 1 a 1 com Camarões. O desempenho foi o suficiente para assegurar a sua presença no Mundial do Egito, mas restava, ainda, a luta pelo tricampeonato continental. E ele veio, após eliminar a África do Sul em um emocionante 4 a 3 nas semifinais, e superar os camaroneses na decisão.

Motivados, os ganenses partiram para um torneio preparatório no próprio Egito, em julho, como grandes favoritos. No entanto, sem os “estrangeiros”, os campeões africanos foram um fiasco. Venceram apenas a fraca Guatemala e sofreram diante da Nigéria (0 a 1) e dos egípcios (1 a 4). A indisponibilidade de suas estrelas, aliás, foi o que mais atrapalhou a preparação de Gana, como reclamaram os próprios dirigentes durante os últimos meses. O problema voltou a se repetir nos demais amistosos preparatórios e vem se sucedendo no último período de treinos, em Doha, no Catar, onde a equipe se concentra para o Mundial.

Esse entrave dificulta o trabalho de Sellas Tetteh, treinador da equipe sub-20 ganense e que até agosto do ano passado comandava o time principal. Esteve na Copa do Mundo de 2006, na Alemanha, como auxiliar técnico de Milovan Rajevac, e chegou, inclusive, a assumir a equipe contra o Brasil, após a expulsão de Rajevac. Além disso, foi também o treinador ganense na conquista da medalha de bronze no Mundial Sub-17 de 2007. Apesar dos pesares, o técnico tem defendido que tem consciência do que seu grupo é capaz, e acredita em um rápido entrosamento entre os “estrangeiros” e os demais, como visto no Africano Sub-20, para manter o bom desempenho do país na categoria.

Base no exterior

Até por conhecer bem a base que comandava há dois anos, Tetteh não pestanejou em manter boa parte daquele grupo, valorizando seus destaques e aglutinando jogadores /89, que não puderam jogar na Coreia do Sul. A geração /90, que ficou com o terceiro lugar naquele Mundial, já possui uma leva razoável de jogadores que atuam fora do país e que têm sido convocados, inclusive, para as Estrelas Negras, com certa regularidade. Pelo andar da carruagem, esses atletas são os mais cotados para assumir um posto na equipe titular, até por causa do já comentado parco desempenho dos “locais”.

Tetteh tem armado o time em um 4-4-2 que valoriza bastante o ataque. Na retaguarda, por exemplo, trabalha-se com uma linha de quatro defensores, mas com uma maior liberdade ao lateral direito Daniel Opare, do Real Madrid, o que pode fazer o time assumir uma formação com três zagueiros em determinados momentos das partidas: David Addy, Jonathan Mensah e Daniel Addo.

A disposição pelo ataque fica bastante clara ao se notar que, dentre os oito pré-convocados para o setor de meio-campo, apenas dois possuem um estilo mais defensivo. Destaque para o armador Gladson Awako, que já foi especulado no Tottenham e na Inter de Milão e  que deverá ficar na cabeça de área. Dedé Ayew, filho do ídolo Abedi Pelé, cuidará da ligação com o ataque pela esquerda, já que Ishmael Yartey, o “Giggs ganense” — como vem sendo chamado desde dois anos atrás, na Coreia do Sul — emprestado pelo Benfica ao Beira-Mar, e que seria o responsável natural pela posição, foi cortado. Segundo Tetteh, mesmo o atacante Opoku Agyemang pode atuar também por esse lado de campo. As chegadas de Opare pela direita serão a outra válvula de escape ofensiva dos Black Satellites.

O objetivo desses jogadores será fazer com que a bola chegue ao matador do time: Ransford Osei. Artilheiro do último Africano Sub-20, o centroavante do Maccabi Haifa, que está emprestado ao Twente, é também quem deverá centralizar as atenções das defesas adversárias, além de concentrar boa parte das jogadas de ataque de Gana. Sua companhia, todavia, ainda é uma incógnita. Na lista de convocados, surpreendeu a ausência de Isaac Donkor, que esteve no último Mundial Sub-17 (aliás, fez o tento que eliminou o Brasil da competição) e que vinha sendo presença constante nas convocações de Tetteh. Sendo assim, as expectativas recaem sobre Dominic Adiyiah, do norueguês Fredrikstad, já que Sadick Adams, do Atlético de Madrid, suspenso pela FIFA, foi cortado na última hora. Caso permanecesse, Adams, mais veloz e com bom entrosamento com Osei, com quem formou dupla no último Mundial Sub-17, seria o favorito.

O ímpeto ofensivo que pautou a convocação de Gana para o Mundial pode ser eficiente para furar defesas que se mostram sólidas, como a de Uzbequistão, rival da fase de grupos, mas deverá causar problemas, por exemplo, contra uma equipe taticamente mais organizada e reforçada em todos os setores, como a inglesa, e que pode trazer dificuldades em uma circunstância em que se tenha que segurar o resultado, como em um confronto decisivo e eliminatório. Nesse caso, Tetteh fatalmente encheria a retaguarda de defensores, sem muitas opções de qualidade para organizar um eventual e organizado contra-ataque.

Curtas

- ELE PROMETE IR À CAÇA...
Ransford Osei. O atacante ganense mostrou no último Africano Sub-20 o seu faro de gol apurado. Com sete gols em cinco jogos, sagrou-se artilheiro do campeonato, com quatro a mais que o segundo colocado na tábua de goleador. Oportunista e inteligente, já havia se destacado no Mundial Sub-17, em 2007, quando foi levou a “Chuteira de Prata” e foi um dos expoentes da equipe que ficou com o terceiro lugar. Sua capacidade de se deslocar em velocidade o torna um elemento perigosíssimo para qualquer defesa.

- NÃO DEVERÁ PASSAR DE UMA MIRAGEM...
Mohammed Rabiu. Meio-campista de considerável experiência na base — é um dos que mais atuou com Tetteh no comando da seleção sub-20 —, não consegue se firmar em nenhuma das equipes pelas quais passou, e se mostrou incapaz de fazer com que os clubes que o adquiriram por empréstimo o contratassem em definitivo. Pouco atuou por Udinese (onde esteve como júnior), Gimnastic e Xerez, e ainda faz parte do elenco primavera da Sampdoria. Terá no Mundial a chance de mostrar porque é um dos homens de confiança de seu treinador, e incentivar os genoveses a investir em seu futebol.

- O PROFETA...
Dedé Ayew. Filho de Abedi Pelé, o meia, antes mesmo de se profissionalizar, já era uma badalada promessa do Olympique de Marseille. Quando ganhava espaço no clube francês, foi emprestado ao Lorient, para ganhar experiência. Pouco jogou, e foi novamente enviado a um novo clube, agora o inexpressivo Arles, da Ligue 2. Apesar do momento complicado na Europa, é capitão e referência na ligação entre o meio-campo e o ataque. Por sua experiência internacional – esteve presente na última Copa Africana de Nações - deverá ser o responsável por manter o equilíbrio no elenco ganense.

- O FARAÓ
Daniel Opare. O lateral direito do Real Madrid só não fez tanta falta no elenco campeão africano sub-19 porque o ataque esteve bem e o time foi campeão. Seu nome é uma unanimidade entre os titulares, e a qualidade de seus cruzamentos e de seu toque de bola são referendados desde o Mundial Sub-17. Não por acaso, chamaram a atenção do gigante Real Madrid, que o contratou. Por enquanto, se encontra entre os juniores dos merengues, mas com boas perspectivas de num futuro breve poder aparecer na equipe principal.

Elenco

GOLEIROS
Joseph Addo (Heart of Lions) – 02/11/1990
Daniel Adjei (Liberty Professionals) – 10/11/1989
Robert Dabuo (Wa All Stars) – 10/07/1990

DEFENSORES
Samuel Inkoom (Basel-SUI) – 22/01/1989
Daniel Opare (Real Madrid-ESP) – 18/10/1990
David Addy (Randers-DIN) – 21/02/1990
Philip Boampong (Berekum Arsenals) – 01/01/1990
Jonathan Mensah (Free State Stars-AFS) – 13/07/1990
Daniel Addo (King Faisal) – 03/09/1989
Bright Addai (Wa All Stars) –
John Benson (Aspire Academy-CAT) – 27/08/1991

MEIO-CAMPISTAS
Gladson Awako (Heart of Lions) – 31/12/1990
Emmanuel Agyeman-Badu (Asante Kotoko) – 12/02/1990
Rabiu Mohammed (Sampdoria-ITA) – 31/12/1989
Abeiku Quansah (Nice-FRA) – 02/12/1990
Andre Ayew (Arles-FRA) – 17/12/1989
Ghandi Kassinu (Liberty Professionals) – 09/08/1989

ATACANTES
Opoku Agyemang (Al Sadd-CAT) – 07/06/1989
Ransford Osei (Twente-HOL) – 05/12/1990
Dominic Adiyiah (Fredrikstad-NOR) – 10/07/1989
Latif Salifu (Liberty Professionals) – 01/08/1990



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